Crítica: Happy Feet 2: O Pinguim

É bonito ver quando um cineasta aprende com seus erros e procura melhorar. Em apenas alguns minutos de projeção de ‘Happy Feet 2: O Pinguim’, continuação da animação vencedora do Oscar de 2007, percebe-se a evolução de George Miller, buscando corrigir todos os seus equívocos do filme anterior, entregando uma aventura melhorada, divertida e emocionante.

Iniciando a projeção com um engraçado curta estrelado por piu-piu e frajola – convenientemente realizado em forma de musical – a trama retoma algum tempo após os eventos mostrados no primeiro longa. Agora dançar é algo comum nas regiões gélidas. É, inclusive, incentivado. O que faz com que aqueles que não dançam sejam os recriminados da vez. E ninguém melhor pra ser o excluído da turma do que Erik, filho de Mumble, o pinguim dançarino.

Substituindo as temáticas “polêmicas” – preconceito e religião – pelo aquecimento global, as paisagens gélidas anteriores dão lugar a grama e água nos pés dos personagens. E o derretimento das calotas polares faz com que um enorme iceberg se choque contra a terra dos imperadores (lar dos pinguins), o que aprisiona todos os milhares de moradores da região. Cabe então ao herói e seu filho resolverem suas diferenças e conseguir ajuda para libertar seus entes queridos.

Ao contrário do original, que trazia uma narrativa arrastada e sobrepunha as músicas no lugar da história, Happy Feet 2 encontra seu tom corrigindo seus erros e investindo no que funcionou: os longos e aleatórios números musicais dão lugar a sequências que usam a música e as coreografias em favor da história (minha preferida é a da aurora boreal); enquanto mantêm-se a utilização de atores reais para interpretar os humanos, o que traz um tom maior de realismo. Além disso, os personagens secundários, antes exagerados, são enxugados, e dão lugar a outros (ótimos) coadjuvantes, como o pinguim voador e os dois camarões aventureiros.

Inclusive, a conclusão do arco narrativo dos camarões é a maior prova do talento dos roteiristas e da confiança que eles têm no seu público, já que esse final quebra completamente qualquer expectativa previamente gerada. Além do mais, o diretor investiu em criar características físicas distintas para seus personagens, o que auxilia o expectador a distingui-los melhor – o que, confesso, foi minha maior dificuldade no original.

Em um ano em que até a “infalível” Pixar cometeu seu primeiro equívoco com Carros 2 e grandes apostas entregaram resultados medianos (como Rio), é uma agradável surpresa assistir a uma continuação de um filme fraco superar todas as suspeitas (pelo menos as minhas) e se tornar um dos melhores exemplares do gênero que assisti em 2011. Realmente não esperava por isso.

Observação: assim como a maioria dos cinéfilos, sou contra a dublagem, pois acredito que ela estraga a experiência cinematográfica. Ao contrário de alguns, sou contrario a dublagem inclusive animações e acho que nesse caso saí prejudicado (foi exibida uma cópia dublado para a imprensa) por perder todo o timming cômico de Matt Damon e Brad Pitt, que interpretam a dupla de camarões. Porém, sou obrigado a admitir que a voz canastrona de Sidney Magal ficou simplesmente perfeita para o papel de Lovelace. Parabéns aos responsáveis.

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