Crítica: Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Franquia jurássica ganha fôlego, mesmo colocando o público em cheque.

292152.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxQuando o jovem clássico Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) finalmente estreou, uma revolução aconteceu. Ao lado de James Cameron, com o também excepcional O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), Steven Spielberg deu outro significado ao chamado blockbuster, não só em dimensão de marketing, como também em aspectos cinematográficos. A partir dali, de certa maneira a técnica de stop motion foi aposentada, os efeitos CGI entraram em um novo patamar e se uniram aos práticos. O longa também causou euforia no tema que abordava, foi uma grande alavanca na área da paleontologia, inspirando novos profissionais. Um sucesso absoluto de crítica e público, virando a principal referência quando se fala de dinossauros na sétima arte. A continuação era então inevitável.

Surpreendendo, o próprio Spielberg decidiu dirigir O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997), um trabalho bem menos inspirado que o anterior e que trazia a ideia de levar os bichos para uma metrópole. Obra que nem de longe tinha o mesmo esmero de outrora e que, com justiça, acabou sendo esquecida. Ainda assim, a franquia continuava viva no coração do público, tanto que quando Joe Johnston comandou Jurassic Park III (2001), apesar da qualidade bastante questionável, obteve uma bilheteria deveras considerável. Ou seja, a bem da verdade, os dinos nunca perderam seu espaço dentro da cultura pop.

No entanto, devido a alguns problemas entre produtores, foram quase quinze anos para que uma espécie de reboot surgisse novamente. Protagonizado pelo astro do momento, Chris Pratt (que mais parece uma nova versão do professor Jones), Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros dá um novo fôlego à franquia e reacende a chama dos primeiros habitantes da Terra, no imaginário popular.

Pegando a mesma formula do original, tanto em base textual quanto em arquétipos, vemos aqui a reinauguração e já funcionamento do famoso parque de John Hammond (personagem do saudoso Richard Attenborough), que agora pertence à Masrani (Irrfan Khan), um homem que tem ambições ainda maiores. Contando com a ajuda de alguns cientistas, a ideia é desenvolver uma nova espécie, já que as demais ficaram “obsoletas ou comuns” para a plateia, deste que agora é quase um Sea World dos monstros. Porém, como esperado, uma das novas criaturas adquire maior inteligência e consegue escapar do cercado, causando desastre no lugar.

Em meio a todo escarcéu, temos a doutora Claire (Bryce Dallas Howard), responsável pelos comandos do parque, e que está recebendo a visita dos sobrinhos Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson). Os garotos aproveitam para conhecer o local e de uma maneira bem estranha conseguem, através de um veículo tecnológico de vidro, andar por Nublar entre os bichos sem nenhum problema, isso porque os donos do local acreditam ter domesticado parte dos animais. Principalmente pela ajuda do estudioso no assunto, Owen (Pratt), que pode até se comunicar com velociraptores. Assim sendo, o casal busca um jeito de salvar as crianças e os visitantes.

Dirigido pelo novato Colin Trevorrow, que vinha do bom Sem Segurança Nenhuma (2012), o longa segue a mesma linha do primeiro, explica toda a situação e criação e vai aos poucos mostrando a beleza do parque, terminando na revelação dos dinossauros. A narrativa, bem amparada pelo já conhecido tema de John Williams, que ganha novos tons pelas mãos de Michael Giacchino, faz com que a catarse ainda exista, mas longe do que era. As referências são muitas, e vão desde o holograma do Sr. DNA ou a camiseta do cientista com o antigo logo até andamentos em que os personagens estão acuados embaixo de um carro.

Porém, um dos principais problemas de Trevorrow foi fazer com que o público acreditasse na veracidade dos dinos, bem como Spierlberg e Cia. Em muitos momentos são aparentes os efeitos CGI quando contrapostos ao lado de objetos reais. Nem mesmo as maiores espécies parecem críveis, o que tira muito do impacto dos planos e envolvimento do público – ainda que as cenas de ação sejam bem construídas pelo cineasta, através de bons ângulos e cortes. O desenho de som também dá maior força às tomadas de entraves.

Do mesmo modo que Chris Pratt está ótimo e carrega com energia seu importante papel. Tendo o carisma de sempre, o ator traz um dinamismo e tanto, aparecendo como o grande destaque no elenco. A Claire de Bryce Dallas Howard (A Dama na Água) também convence ao se mostrar preocupada com os sobrinhos. O ponto negativo está no romance entre os dois, em que não há química na relação, soando um tanto forçada. Os atores mirins não comprometem, ao contrário de Vincent D'Onofrio (Demolidor), que aparece bastante caricatural com seu vilão Hoskins. Fechando o casting está o francês Omar Sy (Intocáveis) e o indiano Irrfan Khan (As Aventuras de Pi), que desempenham corretamente suas funções.

Há muitos altos e baixos durante o filme, ainda que os melhores momentos se sobressaiam. Contudo, há algo fundamental para que você embarque naquele universo: comprar a ideia proposta. Como bem diz a sinopse, em dado andamento vemos homem e dinossauro formarem uma dupla na luta contra o monstro geneticamente modificado. Ambos andam lado a lado e às vezes os dinos até acompanham o veículo do protagonista. O troço é incabível a primeira vista, e talvez continue sendo, mais ainda quando o T-Rex surge como uma espécie de Godzilla, para salvar o dia. Aliás, falando no Rei dos Monstros, o público deve ficar tão divido quanto no filme do Gareth Edwards. Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros deve entrar na lista do ame ou odeie, cabe a você escolher o lado.

Comente pelo Facebook

Comentários

Comente pelo Facebook

Comentários

7 comments

  1. Avatar
    carla machado 12 junho, 2015 at 00:25 Responder

    Bom, eu amei.
    Comprei a proposta que é clichê total, previsível, mas sai do cinema extremamente feliz com que ví.
    Me divertiu muito.
    Ainda bem que li a review depois, pois iria estragar minha reação ao ver nosso saudoso T Rex
    Vale muito a pena.

  2. Avatar
    Danilo Andrade 12 junho, 2015 at 21:50 Responder

    boa crítica wilker, enquanto o pablo villaça do cinema em cena continua atrasado e preferindo falar de filmes que ninguém se interessa, vocês do cine alerta chegam sempre em primeiro lugar, quero 1 alerta de spoiler do jurassic world.

  3. Avatar
    Danilo Andrade 15 setembro, 2015 at 16:53 Responder

    pena que faltou comentar sobre outros problemas e notas do filme: a claire passa o filme todo correndo de salto alto (e que saltos sexys), isso pra mim soa como 1 fetiche pois costumo ver vídeos amadores no you tube de mulheres abusam dos saltos nas florestas ou praias, também faltou comentar o adultério adolescente do personagem zach que mesmo tendo uma namorada no comecinho (que atriz linda) olha pra outras meninas no parque (atrizes lindas por sinal), faltou falar da morte brutal considerada a mais violenta do filme que ocorre na metade e também do elenco faltou as poucas aparições da bela judy greer que faz a mãe dos meninos, ela nunca esteve tão bonita e tão talentosa (ela costuma ser melhor atriz mesmo em papéis pequenos nos filmes, valeu, 1 abraço.

Deixe uma resposta