Perfect Blue – Esquizofrenia e terror num realista conto psicossexual

Obras que retratam personagens se entregando a loucura, mediante a pressão ou isolamento, são sempre interessantes de se ver. No cinema podemos ver inúmeros personagens icônicos que flertam com a esquizofrenia/psicopatia (Norman Bates, o matemático John Nash e mais recentemente Nina Sayers no aclamado Cisne Negro) e é nesse misto de paranoia e sonho que o diretor Satoshi Kon constrói Perfect Blue.

O anime conta a história de Mima (sim, quem assistir ao filme vai perceber o quanto Darren Aronofsky se inspirou na animação, ainda que nunca a tenha citado, para criar Cisne Negro) uma integrante do grupo musical Cham, que tem um leal, embora pequeno, grupo de fãs, sucumbindo à pressão da mídia no momento em que deixa a música para tentar a carreira de atriz. Dialogando diretamente com renomados filmes de Hitchcock, como Janela Indiscreta e Psicose, somos levados ao subconsciente da personagem principal, que cada vez mais busca a perfeição e passa a nutrir um crescente sentimento de insegurança.

Mima é doce, frágil e possui pouco sex appeal, tornando-se então um problema para o estúdio, que buscava uma atriz disposta a protagonizar cenas sensuais e mais apelativas. A partir do momento em que a protagonista tenta provar a si mesma que é capaz de atender a todas as exigências do meio, a loucura a consome, e acreditem acompanhamos a garota nessa descida.

A qualidade técnica da animação (Madhouse) ajuda a entrar no clima onírico que toma conta de boa parte do filme, os travellings e a fotografia tornam a Tóquio de Satoshi Kon, tão opressiva quanto a protagonista a enxerga. Perfect Blue é um filme violento e perturbador, um thriller psicológico com uma palpável critica social. Mas vale dizer: infelizmente o filme não é para todos.

Curiosidades:

. O longa é uma adaptação do livro de mesmo nome do autor Yoshikazu Takeuchi e quase foi filmado em live action, mas o custo impossibilitou a realização.

. Em Requiem para um sonho, a dramática cena da banheira protagonizada por Jennifer Connelly, foi retirada de Perfect Blue. Aronofsky comprou os direitos de imagem por 59.000 dólares.

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11 comments

  1. Avatar
    Luciano Leite 5 setembro, 2012 at 13:54 Responder

    Bela explanação!! Sou fã de satoshi (pena q morreu).
    Os filmes dele estavam crescendo mto no gosto de hollywood…
    Acho perfect blue genial! Todo drama psicológico é bem parecido com cisne negro de aronofsky…
    É um filme profundo e difícil de se entender se não prestar bem atenção!! o

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