Review: Arrow S01E03 - The Lone Gunman

A série do Arqueiro Verde (ou seria só Arqueiro?) chega a seu terceiro episódio trazendo mais um vilão da DC pra alegria dos fãs. Bom, pelo menos a mera menção ao Pistoleiro (Michael Rowe) na sinopse foi suficiente para que a aventura dessa semana viesse repleta de expectativas. Não espere, no entanto, que o personagem surja totalmente caracterizado como nas HQs, embora seja melhor do que a versão cowboy do século 21 mostrada em Smallville. Aqui, o Pistoleiro nada mais é que um assassino contratado sem muito a dizer (são duas falas no episódio inteiro) mas que dará um certo trabalho à Oliver Queen. O mais importante, no entanto, não é colocar o herói contra um vilão que não está em sua lista daqueles que “falharam com Starling City” mas fazer o personagem refletir um pouco sobre seus métodos, já que desde o piloto, suas flechas não servem só de aviso ou pra imobilização. E todo bom leitor de quadrinhos sabe que essa atitude não condiz muito com personagens como Batman, Superman ou o próprio Arqueiro Verde, que mesmo em sua fase mais violenta, não saia por aí matando indiscriminadamente.

Oliver acaba cruzando o caminho do Pistoleiro, contratado para liquidar possíveis compradores de uma empresa. E essa trama mostra a fragilidade da série em lidar com desfechos. Se na semana passada o envolvimento da máfia chinesa ficou pra uma próxima vez, agora temos um vilão contratado por um empresário que nem mesmo havia aparecido no episódio até o momento de sua prisão (que por conta disso não causa impacto algum). Claro que existe a possibilidade de tudo ter sido um ardil de Steele, o padrasto de Queen, e a forma tranqüila com que vai ao leilão das ações, mesmo sabendo que sua vida estaria em risco, até corrobora com essa teoria mas, fora isso, o roteiro não dá outra indicação e se fosse mesmo o caso, apresentar algo mais para atiçar o espectador teria sido uma idéia bem-vinda.

O núcleo familiar dos Queen também foi destaque quando a jovem Thea é acusada de roubar uma loja, colocando as capacidades maternas de Moira em cheque perante os olhos de Oliver. Como as duas personagens não fazem parte dos quadrinhos (a mãe do Arqueiro, assim como seu pai, está morta), quando foram anunciadas despertaram certa desconfiança já que poderiam resultar num conflito bobo. E, todo drama do diálogo das duas vem pra confirmar isso. Moira pode até ser uma das vilãs, mas sua utilidade na história para por aí. E se Thea irá ou não se tornar a versão do seriado para o Ricardito, como foi indicado na referência do piloto, é bom que seja de uma forma convincente ou a garota vai se tornar descartável. Só de imaginar que a série tem a pretensão de se estender por cinco temporadas, fica difícil desejar que Oliver precise lidar com sua irmã por tanto tempo.

Pra não dizer que Thea é completamente inútil, pelo menos sua participação desta semana foi responsável por expor Oliver ao relacionamento que Laurel teve com Merlyn. O problema é que esse triângulo também é dispensável. Mas já que existe, pelo menos teve algum avanço. A ex-namorada do Arqueiro, no entanto, protagoniza algo muito mais interessante salvando a vida de seus dois pretendentes. Sim, a advogada parte para a ação em uma ótima dica sobre seu futuro. Aparentemente Laurel vai se tornar a Canário Negro (ou já que é pra tirar a cor do codinome dos heróis, Canário) em algum ponto da série. Parabéns aos roteiristas que não seguraram esse momento pra um final de temporada ou algo do tipo. De uma coisa Arrow não pode ser acusada: a história, mesmo com pontos desnecessários, não tem medo de avançar (o que fica claro na cena final envolvendo o segurança Diggle). Por isso é até contraproducente a existência dos flashbacks de quando Oliver estava perdido na ilha. À parte do primeiro, que justifica o personagem ter o antídoto para o veneno do Pistoleiro, as outras inserções serviram apenas para quebrar o ritmo que é construído de forma competente no episódio. Há a sensação de que as lembranças são inseridas sem nenhum critério no meio da trama e esse é outro elemento difícil de imaginar sendo usado por cinco temporadas. Outros pontos interessantes dessa semana envolvem Oliver se mostrando um detetive tão bom quanto qualquer adaptação do Batman e a introdução leve de Emily Richards como Felicity Smoak, personagem da DC cuja função no seriado ainda é incerta. Seria uma versão do Lucius Fox? Talvez, pois é bom que o protagonista tenha feito uma boa checagem no histórico da moça para confiar à ela uma “missão” que poderia expor sua identidade.

Aos poucos, Arrow tem se tornado uma série, no geral, aceitável. Suas cenas de ação ao que tudo indica, continuarão bem filmadas e coreografadas, a aparição de personagens da DC deve se manter fiel quanto a qualidade mostrada até agora e Stephen Amell continuará bem sucedido em sua interpretação de Oliver. O que falta na série, aparentemente, é foco. Destacar o que realmente interessa (sem as distrações geradas pelo triângulo amoroso e pela irmã problemática) e tentar dar um desfecho melhor para os vilões da semana são duas coisas que até aqui não foram o forte do seriado. E não há indicação de que esses problemas possam ser resolvidos de imediato.

Alexandre Luiz

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4 comments

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    Tiago Lamonica Batista 26 outubro, 2012 at 13:37 Responder

    Novamente concordo com o que voce disse. Gostei do episódio, estou gostando muito da série em geral, gostei da "Canário" em ação, foi bonito de ver, e pelo que parece o Sr. Oliver está montando uma equipe né, Segurança, Irmã, Advogada (canário) mina do T.I!

    Alis essa do segurança era certo que ia acontecer em, e gostei que não se enrolou muito pra isso.!

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    José Guilherme 28 outubro, 2012 at 00:46 Responder

    Também concordo com tudo o que você falou Alex. O núcleo familiar dos Queen é bem chatinho, aquela irmã do Olie ainda não me entrou e sinceramente se o intuito era criar um laço emotivo entre mãe e filha na cena em que a Moira citou o papa Queen, me desculpem mas aquilo não funcionou.

    Gosto muito da Laurel e fiquei feliz de saber por aqui esse lance da Canário, nem tinha pensado na possibilidade, mas esse é o nome da Canário Negro nas HQ´s?! Outro personagem que me agrada demais é o Dig e me interessei pela história do irmão dele, ainda que tenha sido inserida de forma bem aleatória e para justificar o tiro no final.

    Pela primeira vez os flashbacks me incomodoram pois soou bem forçado a conexão lembranças+"missão da semana". Mas no geral gostei do episódio e a série acerta por não se conter ou mesmo enrolar como o final do episódio já mostrou.

    P.S.: Lucius Fox não, mas uma "Chole Sullivan wanna be" me veio a cabeça quando introduziram a nerdzinha loira. Hummm.

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      Alexandre Luiz 28 outubro, 2012 at 00:59 Responder

      Sobre o núcleo dos Queen, além de ser chatinho ainda tem a identificação com a mansão Luthor. Eles tinham que ter arrumado outro lugar, ficou icônico demais nas 10 temporadas de Smallville…

      Sobre a Canário: sim, como revelado no episódio piloto, o nome dela é Dinah Laurel Lance, o nome da personagem nos quadrinhos.

      E eu avisei que esses flashbacks mais atrapalham do que ajudam. Espere só até chegar no fim da temporada. Não vamos mais aguentar isso 😛

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      José Guilherme 28 outubro, 2012 at 01:06 Responder

      Que bom viu. Eu gosto da Canário, a dobradinha dela com a Caçadora ou mesmo com o Oliver no Liga da Justiça sem Limites sempre rendia bons episódios.

      Esse lance da Mansão Luto sempre me vem a mente, é por isso que eu vejo a Moira como uma versão feminina do Lionel.

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