Review: The Flash S01E06 - The Flash is Born

O texto abaixo contém alguns spoilers

The Flash Is BornDepois de uma sólida sequência de episódios, The Flash exibe um exemplar um tanto quanto regular. Mas, felizmente, isso não quer dizer uma aventura ruim e The Flash is Born, mesmo problemático, contém subtramas importantes e desenvolve a história principal da temporada, algo até então tratado com pouca ênfase.

Diferentemente dos dois últimos capítulos, essa semana o vilão não foi o centro das atenções e serviu mais como elemento de conflito para avançar a trama e oferecer alguns momentos de ação para o protagonista. É o que menos funciona no episódio, já que Tony Woodward (Greg Finley), conhecido nos quadrinhos como Viga, é genérico ao extremo e não oferece motivações convincentes como os recentes Capitão Frio e Plastique. Por outro lado, a adaptação transformá-lo em um antigo bully, que deu trabalho a Barry nos tempos de escola, foi um bom toque, mesmo que desenvolvido às pressas e ainda insuficiente para justificar sua presença.

O que interessa em The Flash is Born, contudo, são as tramas paralelas. O roteiro de Jaime Paglia e Chris Rafferty faz um excelente trabalho ao transformar Eddie Thawne em um personagem muito mais interessante do que era até uma semana. Pela primeira vez o espectador pode se importar com o jovem policial, que é mesmo um sujeito íntegro, aparentemente, e com muito mais camadas do que a simples atitude de "galã". Sua interação com Allen foi tão bem desenvolvida que há todo momento a sensação é de que algo vai dar errado entre ambos. Talvez dê, futuramente, mas por enquanto, a impressão é que Barry finalmente viu algo além em Eddie, já que sempre viu o rapaz como concorrente pelo amor de Iris. À moça, aliás, é dado um destaque melhor e sua teimosia em continuar escrevendo sobre o velocista de Central City finalmente a leva a se tornar um alvo (no fim a única real função do antagonista da semana). Mas o roteiro é inteligente o suficiente para mostrar que mais do que teimosa, Iris é uma mulher forte, longe de ser a "garota em perigo" padrão de contos de super-herói. Outro destaque para o texto é resolver a rusga entre ela e o protagonista, que havia sido um dos pontos fracos do episódio anterior.

Ainda nas subtramas, finalmente o seriado lembra o espectador que Joe West está investigando o caso da morte de Nora Allen. Dentro da história central de The Flash, este foi o desenvolvimento mais interessante, mostrando o detetive indo atrás de respostas e confrontando o Dr. Wells. As deduções de Joe, inclusive, mostram que é um policial muito mais competente que seu colega Quentin Lance, de Arrow. A partir do que acontece neste episódio, as intenções do dono dos Laboratórios STAR se tornam ainda mais misteriosas, já que fica muito óbvia sua real identidade. Tão óbvia que a reação natural do espectador é duvidar. Será que a série realmente entregou seu maior segredo até então? Conhecendo a forma como os roteiristas trabalharam em duas temporadas de Arrow, talvez seja isso mesmo e a grande ameaça em The Flash está ainda para ser revelada com alguma reviravolta que não deve demorar muito a acontecer.

Para enfrentar o desafio do vilão que se torna metal, Barry precisa descobrir uma nova habilidade e treinar para desenvolver alguma competência em combate. Uma boa sacada da série é fazer o herói descobrir a extensão de seus poderes aos poucos. Quem lê os quadrinhos sabe que o Flash é um dos personagens mais poderosos da DC e realmente não seria inteligente, por parte do roteiro, entregar tudo de uma vez o que o velocista consegue fazer, até para que cresça aos poucos, deixando o espectador se perguntar qual novo poder será descoberto ou, para quem já o conhece, quando determinada habilidade finalmente aparecerá nas histórias.

Com altos e baixos, sem justificar muito a presença de uma ameaça clichê, a não ser pelo fato de que se fosse um vilão com background melhor desenvolvido, as subtramas é que sofreriam com pouco tempo de tela, o episódio se mostra irregular, principalmente em seu desfecho. Se em Plastique, não fez muito sentido Barry se revelar para uma pessoa que mal conhecia, o que dizer então do que acontece no final deste sexto exemplar da série? Foi, certamente, a decisão mais idiota que um personagem até então mostrado como alguém inteligente, poderia ter tomado. Cria a possibilidade do antagonista voltar? Sim, mesmo que não mereça. Mostra que da próxima vez ele será uma ameaça maior? Sim, obviamente. Fez sentido? Não. É inconcebível ter Barry, que a todo momento tenta fazer Iris parar de escrever sobre o Flash para protegê-la, colocando todo mundo à sua volta em perigo pelo motivo mais egoísta que se possa imaginar, principalmente sendo ele, alguém cujos princípios sempre falaram mais alto. É o que o faz ser um herói, inclusive, e não um simples justiceiro.

The Flash Is Born

Salvo pelo competente desenvolvimento de coadjuvantes e pela bem-vinda adição na história de Nora Allen, o episódio da semana se mostrou o mais frágil até aqui, pois quase tudo é colocado a perder por uma necessidade tola do roteiro de dar dicas para o retorno de um vilão com quase nada a oferecer. Por sorte, The Flash is Born não tem força para colocar em risco o trabalho acertado mostrado até agora.

Alexandre Luiz

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