Review: Arrow S03E03 - Corto Maltese

Corto MalteseSão tantas subtramas em Arrow que a terceira temporada só conseguiu dedicar um momento para o destino de Thea Queen em seu terceiro episódio. E, mesmo que a busca pelo assassino de Sara precise dar uma pausa para que a moça tenha destaque, a série não deixa de explorar as ramificações da morte da Canário, iniciando a jornada de Laurel rumo aos passos da irmã.

Com os flashbacks dedicados ao início do treinamento de Thea por Malcolm Merlyn, o roteiro de Erik Oleson e Beth Schwartz aproveita para preencher o espaço entre o final da segunda e o começo desta nova temporada, mostrando o quanto a garota mudou e ainda irá mudar. John Barrowman está ótimo nas cenas em que confronta a filha, mas é Willa Holland que mostra seu potencial. Não é mais a mesma Thea que o espectador estava acostumado a ver e a personagem surge amadurecida, mas ainda confusa quanto a que lado irá seguir. Tomara que não fique tão deslocada quanto no ano passado, pois nada indica isso. A trama de Merlyn está ligada a Ra's Al Ghul, o que parece garantir mais coerência entre as plots secundárias (algo que demorou a acontecer na temporada anterior).

Enquanto Oliver tenta convencer sua irmã a voltar para Starling, Diggle aproveita para procurar um operativo da ARGUS que desapareceu em Corto Maltese (referência dupla: aos quadrinhos de Hugo Pratt e ao Batman de Tim Burton). Mark Shaw (David Cubitt) é conhecido dos leitores de quadrinhos, mas a série não dá indicações que o personagem evolua para seu alter-ego, Caçador. É uma boa referência e (talvez) nada mais. Para a trama, no entanto, sua participação pode indicar a agência comandada por Amanda Waller como uma futura antagonista. Seria curioso, caso isso aconteça, se as ações da ARGUS afetassem também a série do Flash, principalmente por conta da crescente “ameaça” dos meta-humanos no programa do velocista. Soa um pouco artificial, por outro lado, que Lyla enfrente esse problema justamente a tempo da viagem do marido para o país na América do Sul, mas foi a forma que o roteiro encontrou para explicar Oliver comprando passagens de avião para o exterior, já que ele está falido. Ou pelo menos, leva o espectador a deduzir que a viagem ficou a cargo da ARGUS, mas o texto não especifica isso.

Como dito no início do texto, este episódio deu longos passos no desenvolvimento de Laurel Lance. Pode-se dizer que a partir daqui, a subtrama da personagem será basicamente “Canário Negro Ano Um”. Assim, a série caminha para acabar de vez com a antipatia que alguns espectadores sentem pela moça. Vale destacar que Corto Maltese introduz uma versão bem jovem de Ted Grant (J.R. Ramirez), ex-pugilista que nos quadrinhos assume a identidade de Pantera e é um dos responsáveis por treinar não só a própria Canário, como também o Batman e a Mulher-Gato. O texto acerta ao colocar Laurel agindo por instinto em dois momentos: ao tentar fazer justiça com as próprias mãos e, logo depois, quando percebe que não tem o treinamento para isso, ao pedir ajuda à Oliver. Quando dá as costas para o pedido, o Arqueiro inadvertidamente coloca a ex-namorada nas mãos de um desconhecido. É fascinante como o rapaz está sempre tentando fazer a coisa certa, mas da forma errada, o que só o afasta mais de pessoas próximas.

Corto Maltese

Este terceiro episódio também aproveita para finalmente mostrar a que veio Ray Palmer. A participação de Brandon Routh está boa, mas o personagem ainda não havia tido a chance de justificar sua presença. Até que nos momentos finais de Corto Maltese, são dadas algumas dicas envolvendo projetos das Consolidações Queen. Há um easter egg da DC na sequência que pode indicar uma possível convergência com a já citada trama envolvendo a ARGUS e, quem sabe, com a transformação do bilionário no Eléktron (é o que todo fã de quadrinhos quer ver desde o anúncio da inclusão do personagem na série). Também serve para garantir que Palmer não é a Isabel Rochev 2.0. Tudo leva a crer que a série está com uma trama principal mais enxuta e conectada, mesmo contando com várias ramificações.

Assim como está acontecendo com a série do Flash, Arrow retornou extremamente confiante do universo que está ajudando a criar. São tantas informações, citações a inúmeros coadjuvantes das HQs e possibilidades de participações futuras, que a impressão é a de, até o final da temporada, ambos os programas terão heróis suficientes para a formação de uma equipe para combater ameaças maiores. O mais interessante disso tudo é como essa grande quantidade de elementos não parece interferir no andamento da história. Se continuar assim, a série do Arqueiro pode entregar sua investida mais memorável para quem espera ver personagens conhecidos em versão live-action.

Alexandre Luiz

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2 comments

  1. Avatar
    Elen Clara 24 outubro, 2014 at 08:32 Responder

    Excelente colocação, mas fazendo um adendo a sua critica, na minha humilde opinião de fã, penso que o autor deixa muitas pontas soltas, por exemplo, porque Oliver ainda não contou para Felicity sobre Barry?? Como esta fazendo para manter a estrutura de vigilância, se esta falido?? entre outras…

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