Review: Arrow S03E11 - Midnight City

Midnight CityTalvez a maior vantagem de recomeçar a temporada sem Oliver Queen vestindo seu capuz verde esteja na chance de ampliar a participação dos coadjuvantes. O elenco de Arrow foi crescendo ao longo de três anos, causando um incômodo abandono de alguns personagens e a sensação de que outros não passavam de mera decoração. Assim, nesta segunda parte do arco pós-hiato, a série traz ótimos momentos envolvendo o Time Arqueiro, mesmo sem seu principal membro.

De todas as boas interações entre personagens que o episódio Midnight City trouxe, talvez a mais surpreendente envolva Roy Harper. Essa foi, provavelmente, a primeira vez que Colton Haynes demonstrou alguma habilidade como ser humano normal (que tem falhas, sentimentos e sabe até dar conselhos), ao invés de mero sidekick que se destaca apenas em sequências de ação. E mais do que isso, Arsenal dá um largo passo à frente como figura de liderança, mostrando que aprendeu valiosas lições ao lado do Arqueiro. Claro que sua impulsividade leva a consequências drásticas (em uma decisão corajosa do roteiro, que novamente coloca os heróis enfrentando derrotas pesadas). Seu diálogo inicial com Laurel remete à discussão que Sara teve com Oliver na temporada passada quando questionava a decisão do protagonista de aceitar um jovem parceiro em suas missões. E Arsenal salvando a nova Canário também cria uma rima com a primeira aparição da irmã Lance mais nova, no primeiro episódio do segundo ano.

Quando os produtores anunciaram que Laurel se tornaria a nova Canário, muitos fãs questionaram a rápida transformação, imaginando que quando a moça vestisse o uniforme já seria uma heroína completa. A resposta dos realizadores sempre deixava clara a mensagem de "calma, gente, sabemos o que estamos fazendo". Se no episódio anterior a aparição no final pareceu mesmo apressada, sua participação em Midnight City não poderia ser melhor. Cometendo erros crassos pelo caminho e lembrando o início da essencial Graphic Novel Batman Ano Um, Laurel ainda precisa seguir uma longa jornada de aprendizado para poder se tornar uma combatente do crime. E é interessante que o episódio use da autoconfiança da moça para trazer uma ligeira melhora em seu desempenho, como se a vingança e suas outras motivações estivessem de fato a impedindo de cumprir suas missões. Apenas quando Felicity surge para dar conselhos para a jovem advogada é que tudo parece começar a mudar. Aliás, a nerd também divide interações autênticas com outros personagens, como Ray Palmer. E como é bom ver o personagem de Brandon Routh surgindo, aos poucos, como algo além de um bilionário carismático.

A "ausência" de Oliver neste momento do seriado é uma ferramenta fundamental para desenvolver esses arcos que desde o início da temporada pareciam importantes mas sem muita preocupação dos roteiros em torná-los realmente empolgantes. A participação do protagonista foi novamente curta, surgindo apenas para dar alguma continuidade em sua recuperação e para ligar de forma definitiva os acontecimentos do presente com suas aventuras no passado ao lado de Maseo e Tatsu. Fica cada vez mais evidente que algo trágico aconteceu em Hong Kong há cinco anos e não é difícil imaginar o quê.

De todas as subtramas a única que parece deslocada é de Thea. A personagem está no meio de tudo, mas não desconfia de nada, chegando a ponto de nem mesmo se perguntar mais por onde anda seu irmão. E a forma como convence um aparentemente apavorado Malcolm Merlyn a continuar em Starling soa apenas como desculpa do roteiro para manter os personagens ali. Claro que tudo isso pode mudar, como o que também parecia deslocado antes está se tornando uma boa recompensa ao espectador agora, mas de todos os tratamentos dos roteiros com os coadjuvantes, o de Thea é o mais estranho por não dar muita saída para o futuro da garota. A impressão sempre é de que seu arco não vai acabar bem já que sua vida inteira parece estar sob controle de outros (algo que fica ainda mais claro quando é revelada a natureza do novo DJ da boate Verdant). Mais trágico que isso só o arco de Quentin Lance, mas este está bem desenvolvido até aqui. É de partir o coração ver o personagem ainda acreditando que Sara está viva e a "bola de neve" que está sendo criada com a recusa de Laurel em contar a verdade para o pai.

Midnight City

Além de todos os momentos de drama humano, o episódio da semana encontra bastante tempo para criar sequências de ação que, assim como no anterior, se destacam como algumas das mais empolgantes que o programa já entregou. Muito se deve aos ataques do vilão Brick, que graças a seu intérprete Vinnie Jones, já está ao lado de Slade Wilson como um dos melhores antagonistas do seriado (e com tempo de tela muito menor, é bom ressaltar).

Provando que o retorno do hiato veio para mexer com a estrutura da série, Arrow finalmente voltou aos eixos e pode novamente ficar lado a lado de The Flash e da atual temporada de Agents of SHIELD como adaptações imperdíveis de quadrinhos na TV. Em um episódio com poucos pontos negativos, o seriado do Arqueiro parece disposto a recuperar o "tempo perdido" da primeira metade da temporada e fazer jus à capacidade de entregar boas histórias adquirida ao longo dos anos anteriores.

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Alexandre Luiz

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