Review: Arrow S05E11 - Second Chances

No final do episódio anterior, Arrow colocou na mesa a ideia de uma substituta para Laurel assumir o manto da Canário Negro. A reação inicial de qualquer fã atento aos problemas que o seriado teve no passado em administrar as personas de seus múltiplos coadjuvantes, obviamente, foi a de desconfiança. Seria mesmo uma boa ideia, neste ponto da temporada, introduzir uma nova personagem, ou seja, mais uma trama paralela ao crescente número de subplots que precisam ser desenvolvidos? Second Chances tranquiliza o espectador com a chegada de uma forte adição ao elenco e lança no ar o que pode se tornar uma promissora releitura da heroína que sempre fez parte da mitologia do Arqueiro Verde. Tina Bolland, vivida por Juliana Harkavy, não é uma novata no combate ao crime, reduzindo exponencialmente a necessidade de futuras sequências de treinamento ao longo do restante do quinto ano. Uma ex-policial de Central City, a moça foi pega pela explosão do acelerador de partículas e se tornou uma meta-humana com o poder do grito sônico. Além disso, está no final de uma jornada de três anos por vingança, provando que suas habilidades estão mais do que bem exploradas. O episódio apresenta uma personagem já estabelecida e com uma personalidade forte o suficiente para não deixar a atenção do espectador dispersar por entre as tramas secundárias também abordadas pelos 40 minutos de duração.

Uma das características que mais funcionam nas aventuras semanais do Arqueiro é a da abordagem direta do assunto em questão e este Second Chances faz exatamente isso. Se o caso aqui é introduzir uma nova justiceira, o roteiro de Speed Weed não perde tempo em colocar a audiência direto na ação, trazendo uma narrativa ágil e totalmente focada em mostrar o recrutamento de Tina pela equipe de heróis mascarados. Ao mesmo tempo, consegue usar as sequências movimentadas para apontar o estilo de luta, o tipo de abordagem da nova heroína e, obviamente, para trazer os momentos típicos de quadrinhos que o seriado adora exibir, como a cena em que o protagonista, pendurado em um helicóptero, derrota inimigos no chão, enquanto explosões ocorrem ao fundo (aliás, há tempos Arrow estava devendo uma cena tão icônica).

O texto amarra bem os temas abordados com os flashbacks, que também são responsáveis por apresentar outra novidade no elenco: Lexa Doig, que aqui vive Tália Al Ghul, finalmente aparecendo no universo DC da TV. A ideia de paralelamente mostrar o recrutamento de Tina no presente e o de Oliver no passado, serve para mostrar que pessoas com potencial precisam de um guia. E a série consegue convencer que seu protagonista se tornou um mentor digno de passar o conhecimento de anos de treinamento para frente. A trama na Rússia também traz a possibilidade de, em breve, a origem de Prometheus finalmente ser revelada, já que está mais do que claro que o vilão da temporada tem ligações com Tália e a Liga dos Assassinos. E, como um fanservice muito bem colocado, há um momento no final envolvendo Oliver e seu uniforme inicial de Arqueiro que está entre os melhores já abordados pelos flashbacks. A aparição da filha mais velha de Ra's também coincide com o fato do vilão do episódio ter poderes semelhantes aos do Conde Vertigo das HQs, levando a pergunta se foi consciente por parte dos roteiristas. Isso porque a primeira aparição da personagem na animação do Batman nos anos 90 era justamente em um episódio em que o Morcego enfrentava Vertigo*.

Ao mesmo tempo que todas essas tramas são desenvolvidas, o episódio encontra espaço para trabalhar um pouco mais a possível mudança de atitude que aguarda Felicity no futuro da temporada. Ao investigar uma forma de livrar Diggle das acusações que novamente o colocaram atrás das grades, a moça esbarra em seu próprio passado hacker e dá indícios de um retorno à vida clandestina de ativista virtual. Pode se tornar uma interessante mudança de paradigma para a personagem, dando à moça, cuja participação na série estava cada vez mais aborrecida, uma nova perspectiva. A parte mais fraca de tudo isso é todo o imbróglio envolvendo Diggle, uma vez que sua prisão pareceu apenas um pretexto para amarrar essa nova abordagem de Felicity, pois não trouxe tantas ramificações para o personagem de David Ramsey.

Enfim, provando que a quinta temporada de Arrow está mesmo no nível dos melhores momentos do início da série, Second Chances é mais um forte candidato a uma lista de melhores que este ano tem a oferecer nas séries do universo DC. E, mesmo não fazendo do fanservice o guia para a construção da história, há uma quantidade suficiente para fazer os leitores de quadrinhos sorrirem, com o melhor de todos sendo introduzido no final, envolvendo o nome verdadeiro de Tina. Pode soar um tanto forçado, mas funciona para estabelecer a sensação de ciclo fechado, culminando em um belo take de Oliver e da futura nova Canário.

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*Ok, talvez eu tenha exagerado na nerdice aqui, mas é coincidência demais, não?

Alexandre Luiz

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