Review: Constantine S01E13 - Waiting for the Man

Constantine - Season 1As capas das HQs do Monstro do Pântano escritas por Alan Moore vinham com a frase “Sophisticated Suspense”. Foi das páginas dessa revista que surgiu John Constantine, como coadjuvante feito sob medida para se tornar protagonista. Depois de ganhar um título próprio na DC/Vertigo, que chegou a 300 publicações, o personagem se tornou um dos mais populares da editora justamente por fazer jus à origem no “suspense sofisticado”. A série de TV, que tropeçou, acertou, entregou bons e não tão bons episódios, fecha seu primeiro ano (que infelizmente pode ser o último) com uma aventura que também é digna dessa descrição.

Repetindo a fórmula que gerou o excelente A Feast of Friends, este Waiting for the Man também adapta uma edição de Hellblazer, neste caso a quarta e uma das melhores da fase do Jamie Delano. Como o material da HQ não é extenso o suficiente para gerar um episódio com 42 minutos, a série aproveita para transformar a história base em uma espécie de fio condutor para uma trama maior que envolve uma recompensa pela cabeça de John e o futuro de Jim Corrigan como o Espectro. A ideia funciona, pois não deixa a trama soar superficial, como apenas um caso da semana, e mesmo com várias subplots em andamento, também não há a sensação de inchaço. O tempo é perfeitamente suficiente não apenas para desenvolver uma aventura macabra e pesada, mas também para mostrar que a Brujeria está mais próxima dos heróis do que se imaginava.

O retorno do Papa Meia-Noite se torna providencial para o andamento da trama principal da série e seu embate com John já é um dos momentos memoráveis do programa, com o mago fazendo o que melhor sabe: agir como o “vigarista” que todos acham que é. No entanto, a volta mais alardeada do episódio é a de Corrigan, que ainda não se tornou o Espectro, mas graças a uma ação no terceiro ato começa a demonstrar um pouco da índole do personagem nas HQs. Sua contraparte de papel é descrita como um policial correto até certo ponto de sua vida, em que começa a fazer justiça com as próprias mãos, levando à sua eventual morte e transformação no espírito que combate o mal. Para a série justificar esse desvio de conduta, nada melhor que uma “mãozinha” de Constantine. É de se imaginar que, caso haja a continuidade do seriado, o personagem retorne meio transtornado e talvez até culpando o protagonista por isso. A única coisa um tanto forçada é a subtrama envolvendo um triângulo amoroso com Zed, o que leva a uma cena que parece ter saído de uma novela adolescente nos momentos finais do episódio.

Waiting for the Man vem recheado de momentos inspirados e carregados de uma atmosfera certeira, que emula as cores primárias das antigas páginas dos quadrinhos do final dos anos 80 para criar um ar de fantasia urbana que não busca realismo, mas impacto visual. Talvez o que falte em Constantine neste quesito, seja um pouco de textura na direção de fotografia. A série precisava se permitir um grau de “sujeira”, como buscar um pouco de granulação, por exemplo, para que as luzes “duras” parecessem um pouco mais integradas àquele universo. Por outro lado, takes como o de John se distanciando da câmera enquanto caminha sob uma pesada chuva, surgem como um deleite para o espectador. Há uma beleza inerente à melancolia e a solidão do personagem que só pode ser apreciada em histórias de horror e suspense que soem sofisticadas.

Constantine - Season 1

Finalizando com um gancho que traz uma bela reviravolta na trama, a série claramente sabe onde gostaria de ter chegado na primeira temporada, caso tivesse os 23 ou 24 episódios pretendidos. Com um destino nada animador pela frente, graças aos números baixos de audiência, é uma pena o espectador se encontrar na iminência de nunca ver o desfecho dessa história. Fica o consolo para quem conheceu Constantine só agora: existem 300 edições de quadrinhos esperando para serem lidas (fora o que está saindo agora nos Novos 52 da DC). Assim como na série, há bons e maus momentos. Tramas interessantes e tramas descartáveis. Mas o que importa é que o personagem sempre sobreviveu a qualquer dificuldade, sejam as atribuídas por vilões poderosos ou as causadas por roteiristas que não o entendiam muito bem.

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Alexandre Luiz

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