Review: Glee – 5x03 The Quaterback

“There's no less here. There's no happy ending… He's just gone”. Sinceramente, ninguém nunca aprende a lidar com a morte. Estar imune a maior certeza de todas é algo que foge de qualquer perspectiva que tenhamos para o nosso futuro. A despedida do ator Cory Monteith, o nosso Finn, em julho deste ano, vai justo no ponto mais sensível da inevitabilidade citada. Quando a partida é prematura, as respostas para os “porquês” que surgem são ainda mais etéreas. No caso de Cory, o lidar veio carregado pelo veículo que tornou a sua perda tão forte e comovente: uma série de TV. Quem assiste Glee já havia amado/odiado Finn Hudson por diversas vezes, já havia rido e chorado com ele, ou seja, já se sentia ligado ao personagem de uma forma ou de outra. Pode até parecer sensacionalismo, porém não tem como ser hipócrita e dizer que aqui a ficção se distancia da realidade. Portanto, The Quaterback foi o nosso último adeus, ou no meu caso (e acho que de muitos gleeks), o cair da ficha, que faltou por estes meses.

O que faz de Glee um dos entretenimentos mais ousados da TV aberta, é a noção que seus criadores têm do mundo que nos cerca. Seria fácil demais fazer um episódio tributo de luto, e em minha opinião desonroso a história de Finn/Cory. Parabenizo o trio Murphy, Falchuck e Brennan pela celebração a vida sincera e humana que foi prestada (com direito a nostalgia que se espera de uma despedida assim). Ao falar de humanidade, a referência mais pesada no episódio parte da escolha de não dar explicações sobre como Finn morreu. Todo o clima em Seasons of Love diz o suficiente, e a passagem de tempo para o reencontro das duas eras do New Directions é mais do que necessário para sentirmos a força que a falta do personagem tem ali. Tanto é que, para mim, um dos momentos mais dolorosos foi ver o Will escrever o nome Finn naquele quadrinho.

Na história de Glee, a versão de I'll Stand by You cantada por Finn está entre os momentos mais nonsenses e emocionantes da série. Mercedes defendeu bem a canção, emocionando antes do sombrio e penoso diálogo entre Kurt, Burt e Carole. Quase não restam lágrimas para mim, pois a cena em que vemos a família do rapaz tentando entender tudo aquilo é comum a todas as perdas como esta. Carole guardou principalmente no seu triste desabafo o que se passa na cabeça de qualquer pai que perde um filho. Depois disto, eu deixei me levar por todas as emoções guardadas nas homenagens do McKinley. Assim, mesmo que Fire and Rain e No Surrender tenham sido as menos emotivas, elas tiveram o seu motivo e isto é o que eu chamo de ser especial na dor.

A discussão entre Santana e Sue foi outra sequência forte. Por mais que Glee tenha guardado sua usual pitada de humor negro, eu não tive como me conter no ataque dela contra sua antiga mentora. De todas as personagens da série, Santana é a que mais se distancia do que Finn pregava e, por isso mesmo, quando ela quebra na hora de If I Die Young nos sentimos ainda mais vulneráveis. A essência do episódio se mostra nesta hora, ao entendermos o emocionado significado da jaqueta de Finn, dada por Kurt para consolar a amiga. Eu só posso dizer que a escolha para representar o personagem, foi poesia pura. Sobre o poder nos diálogos, a redenção na constatação de Sue (com a frase que abre esta review) fecha o ciclo da trajetória do Quaterback mais desajeitado do McKinley.

Um amor, ou sua alma gêmea, pode ser o seu começo, meio e fim. Terminar o tributo com um espaço único reservado para Rachel e Lea Michele é outra prova de sinceridade aqui. Make You Feel My Love diz muito sobre a história dos dois e a própria Rachel/Lea, com o pouco que falou (como se controlar com o “He was my person”?), sela a linda história fictícia/real que eles tiveram. Bastou só aquela presença eterna na sala do coral sob o “The show must go on. All over the place… or something”, para acreditarmos de verdade que tinha acabado. Porém, lembrem-se: acabado por aqui, mas eternizado pelo lindo sonho que ele escreveu na linha entre os anos da sua vida. Farewell Cory, farewell Finn!

Gleeks can crying: Cadê chão na cena final com o Will? Um soco real, mas preciso.

Músicas do Episódio:

Seasons of Love (Rent) – New Directions.
I'll Stand By You (The Pretenders) – Mercedes.
Fire and Rain (James Taylor) – Artie e Sam.
If I Die Young (The Band Perry) – Santana.
No Surrender (Bruce Springsteen) – Puck.
Make You Feel My Love (Adele) – Rachel.

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3 comments

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    Jorge Bueno 18 outubro, 2013 at 11:09 Responder

    Verdade!!!! Esse episódio foi como um despertar sobre o fato que aconteceu, todas as homenagens (canções) interpretadas foi com um Adeus pela memória que ficou sobre a trajetória do ator, as musicas foram escolhidas a dedo. a Performance de Lea foi de quebrar a alma, pois a cada suspiro podíamos ouvir ao fundo uma voz embargada tentando seguir em frente com a canção tornando-a mais Forte e poderosa. Mr. Shue chorando no final com a jaqueta literalmente tenho que concordar com você "sem chão" era o choro que todos estavam sentindo…
    Apenas não gostei da Diana não participar do episódio achei super ati-ético mais o Episódio se resume em: Luto e Esperança, esperança de que cantar nos faz ser Especial!!!!!

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    Jorge Bueno 18 outubro, 2013 at 14:10 Responder

    Verdade!!!! Esse episódio foi como um despertar sobre o fato que aconteceu, todas as homenagens (canções) interpretadas foi com um Adeus pela memória que ficou sobre a trajetória do ator, as musicas foram escolhidas a dedo. a Performance de Lea foi de quebrar a alma, pois a cada suspiro podíamos ouvir ao fundo uma voz embargada tentando seguir em frente com a canção tornando-a mais Forte e poderosa. Mr. Shue chorando no final com a jaqueta literalmente tenho que concordar com você "sem chão" era o choro que todos estavam sentindo…
    Apenas não gostei da Diana não participar do episódio achei super ati-ético mais o Episódio se resume em: Luto e Esperança, esperança de que cantar nos faz ser Especial!!!!!

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    José Guilherme 18 outubro, 2013 at 23:00 Responder

    Que bom que você também achou tudo isso do episódio cara! E obrigado pelo comentário. Sobre Diana não estar, eu concordo que ela seria bem melhor do que o Mark Salling ali, mas sinceramente, eu não senti falta dela. Valeu de novo.

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