Review: The Walking Dead – 3x15 This Sorrowful Life

Quanto pesa um monstro? Não vou dizer que The Walking Dead acertou em tudo desde que voltou do hiatus, mas uma coisa dá para se ter noção: o novo showrunner, Scott M. Gimple, sabe o material que tem em mãos e mais uma vez nos entrega um episódio que mistura ação com o desenvolvimento dos personagens, de uma forma no mínimo surpreendente. Se Michonne já havia ganhado sua dose de humanização, foi a vez de Merle ter espaço para mostrar que poderia ir além da figura porca e sem sentimentos que sempre aparentou ser.

Dosando bem os momentos de tensão com diálogos mais ágeis que o normal, o episódio fugiu do estigma de preparação que se espera de uma hora pré-finale, e botou o impasse de Rick sobre cumprir ou não o trato com o Governador em segundo plano, já que o que nos interessava mesmo era a ácida relação entre Michonne e Merle construída desde o primeiro encontro dos dois. Nesse meio tempo, Daryl também teve a chance de mostrar ao irmão mais velho que Merle também poderia ter o que ele conseguiu naquele grupo.

Por mais que os integrantes da Ricktatorship tenham tido um simbólico tempo de tela, como a decisão de Glenn em firmar relação com Maggie (a cena do anel foi gratuita, mas a gente releva) ou mesmo Rick dialogando com seus próprios demônios, foi o pequeno momento entre Carol e Merle que significou mais para mim, e só somou a despedida esperada desde a conversa final dele com o irmão.

A viagem de Merle e Michonne foi o que mais teve significância na redenção do personagem. Eu suspeito que os produtores mantenham Michonne calada porque sempre planejam para ela as melhores frases e piadas. Ver a samurai sorrindo e aos poucos sentindo o peso da decisão de Merle foi sensacional. Depois do ataque dos walkers no motel, ela diz na cara dele que notou o quão difícil está sendo para Merle limpar algo que vai afastá-lo ainda mais do irmão, e nesse jogo Michonne o compara sutilmente com o Governador e suas decisões. A metáfora sobre o peso do mal também me fez admirar o cuidado (crescente) com os diálogos, que antes eram o ponto mais fraco da série.

Para ser sincero, eu não esperaria uma despedida menos marcante. Sendo um dos personagens mais icônicos até aqui, Merle angariou fãs e haters, sem nunca perder a pose que demonstrou desde o começo de The Walking Dead. O ataque surpresa no ponto de entrega foi inteligente, mas temos que contar o fato dele estar sozinho. Morrer nas mãos do novo símbolo do mal na série soou mais do que justo, assim como ter o fim definitivo pelo único que importava para ele. Meu coração se partiu com a reação de Daryl no final, porém é essa emoção cortante que eu espero da série. Temos que torcer por uma finale que ao menos faça jus a primeira boa temporada do show que sempre ficou na promessa.

P.S.: Greg Nicotero e o dom de dirigir episódios com mortes importantes.

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5 comments

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    Erika Schmeiske 28 março, 2013 at 12:51 Responder

    Junto com o episódio da morte de Lori, foi o meu preferido até agora. O embate entre o carisma de Daryl e a repugnância de Merle foi tratada com maestria desde que se reencontraram. A derrota de Daryl na tentativa de redimir o irmão foi, na minha opinião, o ponto alto da terceira temporada até agora. Sem desmerecer os demais personagens, Norman Reedus é O ator da série!

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      José Guilherme 28 março, 2013 at 21:35 Responder

      Sem dúvidas!!! O carisma de Norman Reedus consegue segurar da mais simples das cenas, aquelas que necessitam de uma complexidade bem maior. Eu me arrepiei com a reação dele no fim do episódio. Foi uma dor tão real e impressionante que você não consegue deixar de ficar com um nó na garganta! =

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