Review: Arrow S01E18 - Salvation

É inegável que Arrow consegue entregar bons episódios quando se permite alguns exageros. Ora, é uma série baseada em um personagem de quadrinhos, afinal de contas. Salvation começa com um novo vigilante atuando em Starling City: The Savior (Christopher Redman) que, inspirado pelas ações do Arqueiro, começa a fazer justiça com as próprias mãos, tendo como alvos figuras que de algum modo levaram o bairro Glades à decadência. Para ter certeza que sua mensagem chegue aos habitantes, transmite suas execuções ao vivo. A coisa complica quando sua próxima vítima é Roy Harper, que está cada vez mais envolvido com Thea Queen.

Como destacado no parágrafo anterior, Salvation traz alguns momentos exagerados como a ideia do esconderijo móvel do antagonista, na prática totalmente inverossímil, mas cuja natureza absurda traz algum charme ao jogo de gato e rato proposto pela aventura da semana. Em outro momento, nitidamente inspirado por uma sequência de Batman – O Cavaleiro das Trevas (com direito até ao mesmo diálogo sobre usar o uniforme durante o dia) Oliver segue a pista do outro vigilante, saltando por telhados de prédios em áreas movimentadas sem a menor preocupação em esconder sua identidade. Faz sentido? Não, mas a performance do dublê de Stephen Amell, demonstrando uma grande habilidade no parkour, é suficiente para fazer o espectador não se questionar a respeito da plausibilidade da situação. Por ser quase todo focado nesta caçada ao Savior, o episódio ganha pontos pelo ritmo acelerado que não deixa o Arqueiro ter muito tempo para respirar.

No lado dos flashbacks da ilha, em uma das raras ocasiões em que estes estão em sintonia com a trama principal, a vida de Shado (Celina Jade) está nas mãos de Oliver, tal qual a de Harper estará momentos depois. E como é bom poder ver que os roteiristas fizeram o dever de casa e não demoram para tirar da garota o ar frágil que fica impresso em suas cenas iniciais. Em um momento de tensão, a “garota com a tatuagem de dragão” mostra seus atributos de guerreira e impressiona até mesmo Slade. A trama no passado não andou tanto quanto poderia, mas uniu Oliver e Shado. Agora é ver até onde essa união irá levar. Uma coisa é certa: as habilidades de Queen foram aperfeiçoadas por três grandes mestres nesta série e nas cenas em que entram em ação não fica difícil acreditar que em apenas cinco anos o futuro Arqueiro Verde conseguiu adquirir tanto conhecimento sobre artes marciais.

Mesmo às voltas com tanta ação, Salvation encontra espaço para desenvolver três subtramas. A primeira diz respeito à Moira Queen e Malcolm Merlyn. Ponto positivo para a série por não alongar demais a “investigação” sobre o ataque ao pai de Tommy e pela coragem dos roteiristas em deixar a resolução exibir o instinto de sobrevivência da mãe de Oliver (mesmo que em seguida opte pelo recurso clichê de mãos ensanguentadas para deixar claro seu arrependimento). A segunda envolve a família Lance e a busca pela pista que pode levar à comprovação de que Sarah ainda está viva. Alex Kingston como a mãe de Laurel se mostra uma escolha acertada de casting, principalmente em suas cenas finais no episódio. A boa notícia é que esta trama secundária, que parecia forçada, veio em um bom momento já que ajuda a mostrar como Quentin e sua filha tiveram de lidar com a perda e como Dinah também precisou conviver com uma parcela de culpa pela morte da garota. Finalmente, a terceira subtrama é sobre Oliver e sua escolha de afastar as pessoas. Salvation consegue desenvolver e evoluir o personagem mesmo que de forma um tanto apressada. Queen definitivamente não termina o episódio da mesma forma que o começou e isso, vindo de um seriado mais voltado ao procedural, típico de canais como o CW, é uma grande vantagem.

Terminando com uma boa pista sobre o “empreendimento” da organização de Merlyn (pelo menos para os heróis, já que o espectador sabe há tempos que os planos envolvem o Glades) e com algumas dicas sobre o futuro de Roy Harper, Arrow entrega um episódio mais do que satisfatório, que agrada tanto o fã de HQ quanto o rápido momento em que uma personagem diz “Central City” e “flash” em uma só frase (calma, não é neste contexto que você está pensando, mas é uma citação e tanto). Nem só de referências vive uma série baseada em quadrinhos, mas também de boas histórias e de uma produção de qualidade. E isso o seriado já demonstrou que é capaz de cumprir quando quer.

Alexandre Luiz

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