Review: The Walking Dead – 4x06 Live Bait

Sabe o que é engraçado? Eu nunca me imaginei torcendo ou me empolgando com The Walking Dead desde que eu percebi, lá na segunda temporada, qual seria a da série. Sim, tiveram alguns momentos, no brilhante início do terceiro ano, que eu quase cheguei a me enganar, mas esta animação passou tão rápido quanto um movimento mortal da Michonne. O “porém”, meus caros, é que cá estou eu, admirando, ficando na expectativa para a próxima semana e de verdade, enxergando a série como eu sempre sonhei em vê-la. Eu não sei quanto do Scott M. Gimple tem nisto tudo, mas todas as escolhas narrativas feitas até agora, mostram um crescimento que o programa vem penando para conseguir, já faz um tempinho. Não tem nada de muito ousado ou mindfuck, porém tantas nuances vem se agregando ao que antes era um modorrento e vazio conto sobre o fim de mundo, que é quase impossível não medir os elogios.

Em minha opinião, se a palavra “decepção” não tivesse um significado, a figura do Governador poderia estar bonitinha como um. Todos os arcos dramáticos pensados para o déspota de Woodbury foram tão falhos na temporada passada que, se brincar, o próprio Shane estaria na frente do vilão como uma ameaça mais visceral para Rick e seus sobreviventes. Nas HQ´s, o fato do Governador ser totalmente unidimensional o tornava numa asquerosa persona, capaz dos atos mais cruéis e impensáveis, mas a ladainha de dar um desenvolvimento para Phillip Blake não se justificou, justo por que queríamos algo tenso e que condissesse com todo o alarde feito em torno dele. Este Live Bait vem exatamente com a mesma proposta, só que, desta vez, tudo funciona bem melhor, sendo impressionante a forma como passamos a torcer pelo vilão, enxergando um sobrevivente que não está muito distante da nossa Carol, por exemplo.

Parabéns ao David Morrissey. A solitária trajetória do seu personagem foi mais um presente no quesito atuação, com a pontual estreia do diretor Michael Uppendahl, captando exatamente o que se espera numa jornada como esta. Depois do ataque de fúria diante dos seus protegidos, o Governador não conseguiu manter nem os próprios capangas ao seu lado, o que o moveu para finalmente tentar deixar o seu passado para trás. A expiação de Phillip Blake escolheu o fogo como carro chefe, e nem por um momento eu deixei de acreditar nas possibilidades de redenção que o roteiro criou para o personagem. Ele vê um walker queimar, transforma Woodbury em cinzas, e mais tarde, ao se tornar Brian Heriot, queima a última lembrança da família. Não tem poesia, eu sei disto, porém é alegórico o suficiente para dar o charme que sempre faltou ao estilo de contar histórias na série.

A história do Governador com a família Chambler foi excelente. Eu não sei se o fato da Lilly me lembrar muito a Maggie contribuiu para simpatizar com a personagem, mas tanto ela quanto a irmã Tara foram ótimas adições. Todo o drama construído para que a pequena Meghan, trouxesse as memórias de Penny de volta, também funcionou muito bem. Outro ponto, é que, desta vez, o gore esteve menos artificial, parecendo ser parte da trama e não uma muleta da mesma – a sequência com o cilindro de oxigênio, o walker cego no quarto abandonado e o massacre dentro da vala, arrepiaram –, como já estamos acostumados.

Com um desfecho que despende um cliffhanger não muito tenso, mas que significa o bastante para dar o gostinho do que possivelmente veremos na midseason finale, The Walking Dead entra mais uma vez na margem das expectativas. Não vai ser muito difícil de sairmos enlouquecidos desta primeira metade da quarta temporada, afinal, já comprei o novo perfil da série e até agora não me decepcionei. Empolgados?

P.S.: Que trilha sonora é essa hein? Excepcional, seria o melhor adjetivo para ela.

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Comentários

4 comments

  1. Avatar
    MsBeghi 20 novembro, 2013 at 14:12 Responder

    Melhor episódio até agora na temporada atual. E em muitos momentos a caracterização do ator David Morrissey me fez lembrar de outro ator: Liam Neeson e também do personagem dos vídeo games: Solid Snake.

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      Zé Guilherme 20 novembro, 2013 at 21:16 Responder

      Quem conhecia o trabalho do Morrissey já elogiava ele, mas confesso que o conheci na temporada passada e agora sim eu vi o porquê dos elogios. Para mim é o segundo melhor até agora, perdendo só para o passado. Valeu pelo comentário, volte sempre.

  2. Avatar
    Celso Landolfi 20 novembro, 2013 at 19:27 Responder

    A Lilly me lembrou a Maggie também Gui. Foi um episódio muito bem conduzido, estou bem satisfeito com a atual temporada. Essa trilha sonora está demais! Ótima review.

  3. Avatar
    José Guilherme 21 novembro, 2013 at 00:15 Responder

    Opaaaa! Que bom ver você por aqui cara. ahahahahahahaha Olha só, pensei que tinha sido só eu que tinha percebido a semelhança. o/
    Vamos seguindo felizes de verdade com a série. Tô empolgado mesmo.

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