Crítica: Carrie, a Estranha

carrie-posterA nova versão de Carrie é mesmo um terror.

Quando Brian De Palma lançou, em 1977, a primeira adaptação do romance de Stephen King, Carrie, a Estranha, não imaginava que este acabaria se tornando um dos trabalhos mais emblemáticos de sua carreira. Além de montar uma nova estrutura narrativa e engendrar planos absolutamente brilhantes, do ponto vista estético, De Palma soube lidar com temas extremamente complexos, como religião, sociedade e a rejeição popular pelo diferente, desenvolvendo com eficiência cada ponto empreendido.

Ao longo dos anos, continuações e pequenas novas versões de Carrie foram feitas em menor escala, ainda que nenhuma delas tenha tido, sequer, um atinente destaque, em relação à obra referencial. E, provavelmente, essa lacuna tenha despertado o interesse da indústria hollywoodiana e seu maior filão atual: os remakes e reboots – demonstrando, de certa forma, uma carência de novas ideias.

Deste modo, comandado por Kimberly Peirce (Stop-Loss - A Lei da Guerra), e estrelado pela nova queridinha da América, Chloë Moretz (A Invenção de Hugo Cabret), Carrie, a Estranha ganha, enfim, sua roupagem mais moderna. No entanto, o resultado obtido surpreende de forma tão negativa, ao ponto de inserir-se entre os piores títulos lançados esse ano. É um longa que nada tem a acrescentar ao conto original, possui um roteiro pedestre e é repleto de atuações vexatórias, que poderiam servir bem à franquia Todo Mundo em Pânico – aliás, a fita seria perfeita como uma paródia contemporânea.

Seguindo a linha narrativa do clássico de De Palma, quase que cena por cena, Peirce realiza um trabalho de direção genérico, que em nenhum momento transporta o espectador para a atmosfera de conflito, na qual, justamente, sua protagonista vive. Pelo contrário, a todo o instante nos deparamos com um sorriso no rosto, pelo fato da má construção de cenas e atuações histéricas, que beiram o ridículo. Tal como a dupla de roteiristas, Roberto Aguirre-Sacasa e Lawrence D. Cohen, entrega um texto raso, detentor de terríveis diálogos e de uma deficiência artística impressionante. O que espanta ainda mais, já que Cohen também assina o roteiro do primeiro filme.

E, mesmo contando com boas atrizes em seu cast, como a própria Moretz – que, em títulos como Kick-Ass - Quebrando Tudo e Deixe-me Entrar, mostrou-se talentosa –, ou a consagrada Julianne Moore (Longe do Paraíso), não temos um mínimo alento. Ambas realizam trabalhos extremamente caricatos e artificiais, principalmente Moore, que costuma exagerar em suas performances, e aqui extrapola todos os limites. Os demais jovens atores, Gabriella Wilde, Alex Russell e Portia Doubleday, também demonstram descompromisso com o troço, logo, ninguém consegue se sobressair.

Mas o principal problema está mesmo no descaso dos temas presentes na obra do King e na adaptação do De Palma. É aparente que o intuito da diretora seja apenas o entretenimento e o suspense escapista, já que não se aprofunda em qualquer linha de debate, e tenta, a todo o momento, impressionar o espectador médio, com sustos e efeitos visuais – muito ruins, por sinal. É triste constatar que uma cineasta como Kimberly Peirce, que realizou um trabalho tão tocante como Meninos Não Choram, renda-se ao comodismo artístico.

Assim, este Carrie, a Estranha junta-se a uma extensa lista de terríveis refilmagens descartáveis; estando em nível de desastres como, por exemplo, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Espanto, A Hora do Pesadelo, A Morte Pede Carona, A Profecia e Psicose. Ratificando o quão sem sentido é sua existência e, mais ainda, a contumácia e proveito dos produtores em trazer de volta às telonas, clássicos do gênero, sem ter um mínimo de cuidado, em relação à qualidade dessas obras. Quem sabe com consecutivos fracassos, estes se emendem e parem com esta demência, que já encheu há tempos.

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    Filipe JS 10 dezembro, 2013 at 21:42 Responder

    Vou resumir o meu comentário apenas dizendo que, o filme deu seu último suspiro ao mostrar Carrie CONTROLANDO seus poderes na na hora do baile, como por exemplo, usar os cabos elétricos como chicote, pelo que eu me lembre, Carrie fica em estado de transe, em todas as versões, inclusive naquela versão totalmente esquecível de 2002.

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