Review: Under the Dome – 1x02 The Fire

Um incêndio vergonhoso. Quanto mais eu procuro qualidades em Under the Dome, mais eu penso em desistir da série, ainda mais depois de um segundo episódio tão porco quanto este. Não sei se é decepção por ter ansiado pela história esperando o algo mais que a premissa poderia oferecer, mas a verdade é que se pararmos um pouco para analisar uma queda tão brusca na qualidade de praticamente tudo o que funcionou no piloto, é fácil notar que sair dessa pasmaceira vai ser quase impossível. Percebam que se algumas atuações e relações despertaram uma bem vinda curiosidade na première, aqui praticamente todas elas se esvaíram em meio a um roteiro ruim, que beirou o vergonhoso com diálogos tão expositivos e folhetinizados quanto os das novelas brasileiras.

Começando com a cena que precedeu o destino do marido de Julia, descobrimos que na verdade, Barbie estava atrás do cara para cobrar uma dívida a mando de algum chefão ainda desconhecido. Mesmo com uma leve ameaça, Peter se altera e saca uma arma resultando numa briga e num tiro acidental. Em meio à confusão, Barbie perde sua placa de identificação e durante boa parte do episódio procura o incriminador objeto. Como já havíamos notado, o forasteiro continua sem dar a mínima para tal redoma e tá mais preocupado com o seu futuro se descobrirem seus negócios em Chester´s Mill. Julia, no entanto, foi uma das que mais demonstrou interesse em entender o que é aquilo tudo, pois quer desesperadamente achar o marido que ela pensa estar do lado de lá. Infelizmente as questões levantadas pela jornalista foram praticamente uma repetição das reações que ela mesma teve quando a redoma caiu, o que me fez pensar na possibilidade do negócio afetar a memória dos moradores também (um Alzheimer instantâneo talvez?!).

Quando eu falei que tudo pareceu não funcionar, eu estava me referindo a dois núcleos, os dos policiais (arregado com tanto ator ruim) e a busca nerd de Joe. Não sei que casting foi esse, mas que atrizinha meia boca é a que trouxeram para encarnar Linda viu? Eu tentava desviar o olhar sempre que ela ameaçava um choro de tanta vergonha alheia. Mas não foi só Linda não, os outros policiais e o próprio Big Jim (Shame on you Dean Norris) com seu “inteligentíssimo” capanga, o reverendo Lester Coggins, eram de uma canastrice só e não no bom sentido. Confesso que o “mistério” do propano é tão promissor quanto a reserva de cigarros feita por Barbie, ou seja, pouco me importa. Pela reação nóiada do reverendo diante do corpo do Chefe Duke, e o chega pra lá dado por Big Jim, o produto mencionado deve ser algo ilícito e isso foi o mais importante que a gente teve de revelações.

Joe fez cálculos, descobriu que a redoma é porosa, trocou alguns diálogos marotos com o amigo e encontrou um cachorro vigiando o que restou do corpo do dono. Agora eu pergunto a vocês, o quão impactante isso foi? A resposta é fácil, nenhum pouco. Até os animados radialistas empolgaram mais com o projeto de rádio pirata encabeçado por Julia, porém foi mínimo para valer algo animador. As libanesas hospedadas no bar e sua filha só passearam um pouco e reclamaram como no piloto, ou seja, passei também.

Tá aí que a única coisa que chega perto do convincente é o desequilibrado Júnior. Nem falo por interpretação, o que vale aqui é a tensão criada pelos gritos estridentes da bonitinha Angie. Júnior agora direciona sua obsessão para Barbie, depois que sua amada diz ter transado com ele. Foi uma surra merecida e tenho certeza de que Big Jim não vai gostar nadinha quando descobrir que o filho anda apanhando de um avulso que chegou a pouco tempo na cidade. Sendo o mais novo herói de Chester´s Mill depois de salvar todos de um incêndio maior, Big Jim deve fazer a caveira do forasteiro para os seus conterrâneos. O tal incêndio começou de uma forma tão esdruxula que eu dispenso apontamentos mais importantes. Terrível mesmo foi a chegada do vereador num trator depois que a brigada dos baldes não conseguiu apagar o fogo (inteligência mandando beijos). São essas tentativas falhas de criar simpatia com o povo unido por um bem maior que afundou ainda mais o episódio. Nada ali é emotivo o bastante para vibrarmos com um heroísmo que mesmo mascarado deveria ser no mínimo interessante.

Não sei se Under the Dome escapa do fiasco total antes do seu fim, e juro que tentei ver com bons olhos as mudanças feitas para adaptação, mas eu não vou esconder tá tudo uma bela porcaria. O isolamento em mãos mais hábeis já entregou n produções que marcaram por justamente mostrar que a situação promovida pela mudança no status quo do lugar em questão poderia sim servir de paralelo para nossa realidade. Essa palhaçada que vimos até aqui tá mais para uma tentativa malfadada de parecer cult sem ser minimamente inteligente. Triste, mas convenhamos, é a verdade.

P.S.: Sério atirar contra a redoma é outra decisão esperta! O melhor é que o gancho foi praticamente idêntico ao episódio passado... olha a repetição aí outra vez.

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