Terceiro volume da saga da Yakuza é a obra mais curiosa e violenta até aqui.

Guerra por Procuração é um filme de ação policial japonês, que narra histórias de criminalidade do Japão pós-guerra.
Obra de Kinji Fukasaku, é o volume três da famosa saga Yakuza Papers ou Documentos da Yakuza, que mira contar a origem das sociedades secretas, que também são grupos criminosos, chamados também de clãs ou famílias de bandidos.
Os créditos iniciais dão conta de que essa é uma ideia de Goro Kusakabe, que também é designer de produção e que seria chamado - no ocidente pelo menos – de produtor. A história original é de Kōichi Iiboshi, ou seja, o argumento. Já o roteiro é creditado a Kazuo Kasahara.
Estreia, nome e locações:
Em seu país natal o filme estreou em 25 de setembro de 1973. No Brasil, foi lançado nos cinemas em 14 de julho de 1974.
O título original é Jingi naki tatakai: Dairi sensô ou 仁義なき戦い 代理戦争. Em inglês é Battles Without Honor and Humanity: Proxy War ou somente Proxy War.
No Canadá e Espanha é chamado The Yakuza Papers, Vol. 3: Proxy War, já na China é 无仁义之战3:代理战争 em mandarim. Na França é Combat sans honneur 3: Guerre par procuration, já na União Soviética é Опосредованная война.

O longa foi rodado todo no Japão. Houveram cenas em Kure - Hiroshima, Kobe, Osaka, Nara, Kyoto - Tottori, Hakata-ku em Fukuoka City, Iwakuni – Yamaguchi e Shizuoka.
Estúdios
A companhia que fez o filme foi a Toei Company, que produziu e também distribuiu o longa no Japão. No Brasil foi a Niterói Filmes quem distribuiu, no ano de 1974.
Detalhes de distribuição pelo resto do mundo são escassos, mas se sabe que nos Estados Unidos, foi lançado em DVD pela Home Vision Entertainment (HVE) em 2004.
A saga:
Como bem se sabe, Yakuza Papers é uma saga em cinco volumes, ou seja, uma pentalogia originalmente, embora haja uma continuidade posterior.
Ela começou com Luta Sem Código de Honra, depois veio Duelo em Hiroshima. Ambos foram lançados em 1973. Posteriormente, chegaram em 74 Estratégias Policiais e Episódio Final.
Nesse mesmo ano saiu Nova Luta sem Código de Honra, depois A Cabeça do Chefão em 75, Os Últimos Dias do Chefão de 1976, Sono go no jingi naki tatakai em 1979, e Shin jingi naki tatakai de 2000.
Quem fez:
Fukasaku é diretor da pentalogia dos documentos da Yakuza, também dirigiu Lobos, Porcos e Homens, A Ameaça, O Lodo Verde, Guerra de Gangues em Okinawa, Sob a Bandeira do Sol Nascente, Mafioso de Rua, A Lenda dos Oito Samurais, Os 47 Ronins e o Fantasma de Yotsuya, Omocha e A Batalha Real.
Escreveu alguns filmes, como Virus e Portal do Inferno, obras que ele também conduziu.
Iiboshi roteirizou a pentalogia dos documentos da Yakuza, também Nova Luta sem Código de Honra, Yakuza senso: Nihon no Don e Vencer Para Viver.
Kasahara escreveu Cemitério Yakuza, O Japão e a 2ª Grande Guerra, Quatro Dias de Sangue e Neve, Samurai Desesperado, Doten e Fukuzawa.
Kusakabe produziu Jigoku, Jornada Perigosa, A Balda de Narayama e Kai. Foi planner em Yakuza tai G-men, Estratégias Policiais, Mulheres de Yakuza, trabalhou como designer de produção em A Peônia Escarlate: Aqui está Oryu e Duelo em Hiroshima.
Narrativa
A trama começa com um texto que fala de Shozo Hirono, o personagem protagonista anteriormente mostrado, que é interpretado por Bunta Sugawara. Ele e um grupo de jovens retornam do campo de batalha, depois do fim da segunda grande guerra mundial.
Isso foi em 1945.
Todos esses veteranos ficam sem função social, se juntam ao submundo criminal. Acabam criando uma família yakuza, sob domínio de Yoshio Yamamori em Kure, na província de Hiroshima.
A família Yamamori gradualmente adquiriu mais território, sempre com Hirono e seus homens se arriscando na linha de frente na ascensão desse clã.

À medida que seu poder se expandia, ele se dividia internamente em facções, tantas que até Hirono seria um dos "compartimentados", visto que ele se colocava em riscos demais para seguir apenas como um subordinado.
Mudanças na ordem dos criminosos
Os subchefes estavam caindo, um após o outro, sob os desígnios de Yamamori.
Hirono então deixa a família Yamamori, sem um rumo totalmente definido.
Com a passagem do tempo, as revoltas contra a ocupação pelas forças norte-americanas ocorrem, por volta de 1960. Ocorrem momentos pontuais, como a demissão do Ministro Kishi, o assassinato de Asanuma e outros eventos tumultuados...refletiu as condições caóticas no Japão naquela época.
O motivo do nome do longa
Conflitos semelhantes estavam ocorrendo simultaneamente em todo o mundo.
Como essas guerras passavam também pelos interesses dos estadunidense e dos soviéticos, os conflitos territoriais começaram a ser chamados de guerras por procuração.
Essas tendências também começaram a aparecer na yakuza, enquanto o Japão se reerguia depois do período de conflitos dos anos 1940.
A mudança e o cenário político
Após a saída de Shozo da familia Yamamori, o personagem principal age na cidade de Kure, com sua própria família. Ao seu lado, há Nobotu Uchimoto (Takeshi Katō) da família Uchimoto, em Hiroshima, também Fumio Sugihara (Yasuhiro Suzuki) que é irmão de sangue do chefe da familia Muraoka.
Nessa realidade, o crime organizado tomou o Japão e ganhou poder como fruto da amargura da derrota do pós-segunda guerra mundial. Não sem razão, diga-se, a Yakuza enquanto sociedade secreta tem tudo a ver com esses sentimentos nacionais, mesmo na camada real da história.

Tal qual ocorreu em Luta Sem Código de Honra e Duelo em Hiroshima, esse também tem sua narrativa interrompida por informes da imprensa, especialmente quando ocorrem óbitos, como o de Fumio Sugihara, personagem de Yasuhiro Suzuki.
Além disso, o tom semi-documental confere mais impacto as mortes. Parecem mais reais, portanto, são mais sentidas.
Depois disso, a sucessão na família Muraoka acaba tornando os eventos no oeste do Japão em um caos absurdo, com muito derramamento de sangue e baixas entre as famílias.
Ocorrem vários momentos esquisitos, como quando Hirono quebra uma garrafa de cerveja na cabeça de um lutador em que ele e seus amigos apostaram.
A bagunça nas inteirações, a barulheira e o excesso de cor nos cenários e figurinos faz esse ter algumas semelhanças visuais com os filmes brasileiros que lidam com violência urbana das favelas, em especial o dueto Cidade de Deus e Carandiru.
A casta criminal japonesa dos anos 1950 não era tão diferente da malandragem carioca cinquentista e setentista, nem se difere tanto da bandidagem de São Paulo nas mesmas épocas.

Há muitas cenas em lugares sujos e insalubres, que por sua vez, lembram os cortiços e morros do Brasil.
O gore
A violência aqui é consideravelmente pesada.
Chega ao cúmulo de ter um homem cortando a orelha do outro, sequência que possivelmente ajudou Quentin Tarantino a compor um momento semelhante em seu filme de estreia, Cães de Aluguel.
Muitas mortes de chefes:
Há uma montagem de mortes muito boa, que incluem o incidente da família Osakagiyu, o chefe da família Ishikawa foi assassinado, também o chefe da família Hiyama em Tottori é assassinado, em Fukuoka, maio de 1962 houve o Incidente de Hakata em Kyushu.
Também é citada a batalha que ficou conhecida com o Incidente de Hakata, que lembra a cena do batismo em O Poderoso Chefão, que havia sido lançado apenas um ano antes desse.
Queda de ritmo:
Boa parte do segundo terço do filme envolve somente os planos e estratagemas dos bandidos, isso influi bastante na dinâmica e na forma de contar a história, fazendo perder cadência.
O crime organizado lida com muita burocracia e com promessas de amizades eternas, que podem se esvair em segundos.
Fukasaku captura bem isso, mas esses momentos acabam sendo menos inspirados que outros tantos. Para o espectador que vai atrás de um filme de ação, esses trechos decepcionam.
Os Yakuza Papers normalmente variam bem entre os momentos mais violentos e outros monotonos. Esse pesa bastante no segundo quesito, especialmente no momento citado anteriormente.
Novas alianças e guerras:
Também se fala de uma aliança com o grupo Shinwa, de uma visita ao Sr. Toyoda sobre como a família Akashi reagiria a expulsão da família Yamamori da cúpula de interesses da Yakuza.
Também se aborda uma possível aliança da Akashi com a família Kojima, a maior gangue de Okayama, se alude aos subchefes Akashi, que foram enviados para Hiroshima logo depois para tentar pressionar os subchefes da família Yamamori para se reconciliar com Uchimoto.
Momentos finais
A reunião dos chefes de família é curiosa, no escuro, à noite, sob luz de velas, em um ambiente que prima por uma arquitetura clássica, que por sua vez, resulta em uma atmosfera diferenciada, que lembra os momentos saudosistas, de um passado mais simples até no procedimento criminal.
Na reunião, os mais velhos falam mais, os jovens são silenciosos.
Poderia ser encarada essa postura como respeito mas não parece ser esse o motivo.
Aparentemente, há mais ódio e raiva, como sentimentos contidos de modo estratégico e não uma reverência obediente, ainda mais depois de toda a troca de poder que ocorreu pouco antes.

Há até uma boa discussão, entre Takeda (Akira Kobayashi) que acusa Hirono de manipular as circunstâncias, convidando um dos outros criminosos, no caso, Okubo (Asao Uchida). Perto do final, se aproxima a tal Batalha de Hiroshima, famoso conflito entre criminosos, que tem esse nome obviamente em atenção aos atentados nessa cidade e em Nagasaki.
Esse parece muito ser um filme do meio.
Literalmente é, visto que é terceiro de cinco filmes, mas abusa da condição de obra intermediária, não tentando ter uma conclusão minimamente satisfatória.
O longa também peca por não representar bem como o ambiente externo, como a guerra cultural entre a mentalidade capitalista e socialista influenciaram a sociedade civil e a criminalidade em terrar japonesas.
Dessa forma, as tais "procurações" do título, parecem meio gratuitas, não tão importantes quanto poderiam ser e parecer.
Guerra por Procuração tem muitos bons momentos, certamente é um dos mais violentos filmes de sua época, o mais agressivo da saga até aqui, mas padece dos males de parecer mais um interlúdio do que a conclusão de uma história mais longa.









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