Os Bárbaros Invadem a Terra: Um filme de invasão extraterrestre que prevê os Super Sentai

Obra de Ishirô Honda, conhecido como Mysterians, Os Bárbaros Invadem a Terra brinca com clichês de filmes de ETs e com tropos de outros tipos de tokusatsus

Os Bárbaros Invadem a Terra é um filme de drama japonês, dirigido por Ishirô Honda, produzido pela Toho e que mistura em si clichês de filmes de monstros e kaijus, com tropos de invasão alienígena.

A trama se dá em um povoado perto do Monte Fuji é atacado por uma estranha criatura que emite raios de calor que provocam incêndios, terremotos e destruição.

Diante disso, cientistas se unem ao exército do Japão, vão ao local combater a criatura e após destruí-la percebem que estão sendo invadidos por uma raça alienígena vinda do planeta Mysteroid, que foi arrasada pela guerra nuclear e que agora desejam viver na Terra.

Ou seja, esse é um filme que se calça no drama, para explorar uma história típica de ficções científicas, mas que se pauta na dicotomia típica da Guerra Fria entre forças soviéticas e capitalistas, utilizando uma raça alienígena invasora que supostamente é pacífica, mas que tem um discurso que pode ser predatório.

A visão de Honda

Como já é sabido, o diretor Ishirô Honda sempre quis que sua filmografia não fosse ligada somente aos monstros gigantes destruindo Tóquio ou qualquer cidade japonesa e o que se vê aqui é justamente isso, uma obra especulativa, que lida com temas atuais, mas não larga o tal cinema fantástico.

Para isso, trouxe uma série de atores consagrados consigo, entre eles, Kenji Sahara como Joji Atsumi e Akihiko Hirata como Ryoischi Shiraishi, ambos que fariam dupla no ano seguinte no clássico O Monstro da Bomba H. Também estava o veterano Takashi Shimura, que era amigo pessoal e colaborador de Akira Kurosawa, fazendo o especialista Dr. Adachi.

A influência do filme foi considerável, tanto que o filme se tornou cult imediatamente, até bandas de rock passaram a usar o termo Mysterians, inclusive havia uma banda dos Estados Unidos, se chamava ? and The Mysterians graças ao longa, que no seu país, chamava The Mysterians.

O grupo é conhecido pela música 96 Tears e pelo comportamento excêntrico de seu líder, que chegou a mudar legalmente seu nome para um ponto de interrogação.

Estreia

Em seu país natal, no Japão chegou em 28 de dezembro de 1957. Nos Estados Unidos teve algumas datas de estreia, as principais apontadas foram em 15 de maio de 1959 no dia primeiro de julho do mesmo ano, em Nova York City.

Antes disso, ocorreu em 30 de outubro de 1958 no centro de Inglewood, Califórnia, foi colocado um pôster de papelão de Moguera, com cerca de dois metros de altura do lado de fora do cinema, voltado para a rua.

Na Argentina chegou em abril de 1960 e em julho desse mesmo ano, estreou em Portugal.

Nomenclatura

O título original é 地球防衛軍, que se lê Chikyû Bôeigun. Em pôsteres em inglês era chamado Defence Force of the Earth.

No entanto, o nome dos Estados Unidos é o mais conhecido, como já citado, era The Mysterians.

Em países que falam espanhol como a Argentina é Los bárbaros invaden la Tierra, em países que falam francês é Prisonnières des Martiens. Na Itália é I misteriani, na Espanha é Los Misterianos.

Na Alemanha Ocidental variava entre Weltraumbestien e Phantom 7000 e em boa parte do mundo chamava Earth Defense Force. Portugal chama de Monstros do Espaço.

Estúdios

Como a maioria dos filmes de Kaiju da época, foi a Toho quem produziu o longa e foi ela que distribuiu pelo Japão.

A RKO Radio Pictures lançou uma versão dublada em inglês na América e a Film Workshop fez um lançamento pelo mundo em 57 ainda. Em Portugal que distribuiu foi a Jarofilme, já em 1960.

O fim da RKO e as versões

Esse aliás foi o último filme distribuído pela RKO Pictures nos Estados Unidos, uma vez que a empresa fechou as portas logo depois desse lançamento, quando então a MGM assumiu a função em seu lugar, colocando Mysterians numa dupla com o sci-fi o britânico O Primeiro Homem no Espaço, lançado com esse em sessão dupla, nos cinemas em 195.

Existem duas versões dubladas deste filme, que inclusive tem duração diferenciada.

A dublagem original foi lançada pela RKO/MGM em 1959 e nesse corte haviam três minutos a menos que a versão original.

Essa foi lançada algumas vezes em VHS, com imagem recortada e som instável. Para o lançamento em DVD, a Media Blasters criou uma nova dublagem correspondente à versão japonesa.

Essa dublagem é geralmente considerada inferior pelos fãs e é responsável por um erro curioso: em uma cena, um dos bombeiros tem sotaque sulista — algo que só ocorre na versão em DVD.

Também houve mudanças no uso da trilha sonora de Akira Ifukube para a versão original de lançamento nos cinemas dos EUA. No lançamento japonês original, ela era quase uma trilha de fundo. Ao preparar a versão para os EUA, a trilha se tornou muito mais proeminente, especialmente durante as cenas de batalha.

Quem fez:

Honda teve uma carreira vasta, lembrada especialmente pelos filmes de monstro gigantes.

Sua direção inclui obras como Godzilla, Varan: O Monstro do Oriente, Rodan: O Monstro do Espaço, Mothra: A Deusa Selvagem, Dogora: O Invasor Espacial e Gorath entre outros.

Pouco antes de sua morte em 1993, Honda teria mencionado que este era o seu filme favorito entre todos os que dirigiu.

Ishiro Honda: Memoirs of a Film Director — Chicago Japan Film Collective

Kimura escreveu Gorath, Matango: A Ilha da Morte, O Samurai Pirata, A Invasão dos Gargântuas, A Fuga de King Kong, O Despertar dos Monstros e Os Monstros Invadem a Terra.

Okami escreveu o argumento de Gorath, Mundos em Guerra e Dogora: O Invasor Espacial

Shigeru Kayama é dito como autor do romance que adaptou Godzilla e Godzilla Contra-Ataca também fez as histórias originais de Half Human: The Story of the Abominable Snowman e Gigantis: The Fire Monster.

Tanaka participou do argumento de Godzilla original, Tokyo 1960, Mergulhando para o Inferno, Godzilla: A Batalha do Século e Mosura, foi produtor em dezenas de obras clássica, inclusive em Yojimbo: O Guarda-Costas, Céu e Inferno e Kagemusha.

Fãs famosos

Mesmo não sendo tão popular quanto alguns de seus pares, esse é bem celebrado por cineastas grandiosos.

Steven Spielberg considerou usar o título deste filme em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal a quarta parte da sua pentalogia.

Martin Scorsese expressou admiração pela imaginação deste filme e de outras produções de ficção científica da Toho ao escrever o prefácio da biografia do diretor.

Modo de filmar

Esta foi uma das primeiras produções japonesas filmadas em widescreen anamórfico.

A Toho, que chamava seu processo de TôhôScope, produziu especificamente este filme para demonstrar a nova tecnologia.

Esse foi o primeiro filme totalmente rodado com a tecnologia TohoScope widescreen a partir da parceria de Honda e Eiji Tsuburaya, o mago dos efeitos especiais que trabalha com o diretor desde Godzilla.

Parte da trilha de batalha de Akira Ifukube foi usada no logotipo do TôhôScope, exibido no início das cópias em japonês.

Som

As cópias originais japonesas utilizavam o processo de som estereofônico Perspecta, hoje extinto.

Já as cópias exibidas nos cinemas dos EUA pela RKO/MGM estavam disponíveis apenas com som monofônico.

Efeitos

A equipe de efeitos criou um boneco mecanizado complexo do torso superior de Moguera, completo com esteiras para movimentação.

THE MYSTERIANS [aka CHIKYU BOEIGUN] [1957] [HFC REWIND] | Horror Cult Films

No entanto, ele se mostrou difícil de operar e acabou não sendo utilizado. Há registros fotográficos do modelo com as engrenagens internas.

Este foi o primeiro filme de efeitos especiais em cores e widescreen da Toho.

Moguera também apareceu no filme de 1994 Gojira vs. Supesugojira. Assim como Mechagodzilla, a segunda versão de Moguera foi construída por humanos, e não por alienígenas.

Moguera foi criado para ser um monstro mecânico semelhante ao Godzilla, incluindo espinhos nas costas e uma grande cauda, mas a versão final do filme se esconde o fato de que o robô possui uma cauda, graças as cenas selecionadas no corte.

Propaganda Comunista

Um espectador americano denunciou o filme ao FBI após levar seus filhos para assisti-lo, alegando que se tratava de propaganda comunista.

A pessoa demonstrou preocupação com a Força de Defesa da Terra, que retratava a cooperação internacional entre os EUA, a URSS e outras nações.

O indivíduo afirmou ter ficado “profundamente perturbado” com os temas do filme e sugeriu ao FBI que criasse uma lista de obras consideradas “insidiosas, antiamericanas e de lavagem cerebral”.

Thunderbirds

Gerry Anderson, produtor conhecido por ser criador de Thunderbirds, era um fã incondicional do filme e criou uma série em 1968 chamado Captain Scarlett and the Mysterons em referência aos aliens de Ishirô e Tsuburaya.

Narrativa

A trama inicia em meio a um festival, em uma aldeia pequena no Japão, a mesma que fica perto do Monte Fuji, pegando a informação dada na sinopse. Nesse interim Ryoichi Shiraishi é chamado a atenção, por ter rejeitado o compromisso com a bela Hiroko Iwamoto (Momoko Kôchi) por seu melhor amigo, Joji Atsumi.

Perto de onde os rapazes estão, começa um estranho incêndio, com o fogo tomando a mata rapidamente, de forma que primeiro atrai Shiraishi, depois o paralisa, visto que ele percebe ser impossível lutar contra as chamas.

Isso acabaria sendo uma questão pontual e bem discutida mais à frente.

Ele não queria assumir compromisso graças a um motivo meio sem razão e a partir desse ponto, parece ter um sentido mais profunda essa questão.

Conversas cientificas

Atsumi vai até Tanjiro Adachi, o doutor feito por Shimura e os dois conversam sobre Mysteroid, um planetoide, entre Marte e Saturno, na verdade isso é parte da teoria do sujeito.

Cinematic Catharsis: The Mysterians (aka: Chikyû Bôeigun)

Nesse ponto, Joji recebe uma ligação, que fala do terremoto perto de onde Shiraishi vive.

As autoridades mandam especialistas verificarem, mas no carro, os militares falam que há muita radiação na localidade e provavelmente não haveriam muitos sobreviventes.

Essas expectativas foram quebradas quando chegam e percebem os cientistas e estudiosos no local, inclusive, com residentes.

As Forças de Autodefesa do Japão prestaram apoio à produção e permitiram a filmagem de equipamentos e pessoal militar. Por meio delas, a equipe também pôde gravar cenas em TôhôScope — especialmente de aeronaves militares — em instalações militares dos Estados Unidos no Japão.

Perdas claramente visíveis

Pelo chão rochoso passa um afluente de um rio, com diversos peixes mortos. Também se nota um liquido viscoso, que borbulha como lava.

Os veículos tem suas rodas quentes, o solo fica assim e da montanha sai areia e fumaça, abre uma fenda e um ser começa a caminhar de forma bípede.

Seu modo de andar é lento e arrastado e a suit faz lembrar algo entre um inseto antropomorfizado e um robô. Saem raios incineradores de seus olhos, mas nada fatal ocorre, ao menos não nesse início.

O monstro

A performance de Moguera foi responsabilidade dos atores de traje/suit, que eram Haruo Nakajima e Katsumi Tezuka. Como o traje de Moguera foi criado a partir de peças separadas, os atores precisavam usar apenas a metade inferior ao filmar a destruição causada pelas pernas do monstro.

O traje foi mantido em armazenamento em um dos estúdios de efeitos visuais da Toho até 1974, quando foi destruído em um incêndio causado por um acidente com pirotecnia durante as filmagens de Catástrofe - Profecias de Nostradamus.

A cabeça do ser foi modelada por Teizo Toshimitsu, enquanto o corpo foi feito pelos irmãos Yagi, Kanju e Yasuei e o traje de Moguera foi construído em partes separadas, com cabeça, parte superior e inferior do corpo, etc.

Todas essas peças precisavam ser vestidas individualmente antes das filmagens.

Outro conceito

Um conceito inicial de Moguera era o de um mecha de quatro patas, mais semelhante a uma toupeira.

O nome Mogera foi baseado na palavra japonesa para toupeira (mogura) que não estava no roteiro original, mas foi adicionada por insistência do produtor Tomoyuki Tanaka, que achava que o filme precisava de um monstro gigante.

Evacuando

A cidade é evacuada, por receio de que a tal criatura vá até onde moram as pessoas e ela naturalmente chega, empurrando veículos, incendiando estabelecimentos e prédios, obrigando bombeiros a usar seus materiais anti-chamas como armas de primeiro pelotão.

Não há espaço para heroísmo, a ignorância em relação ao ser faz com que as pessoas larguem seus postos quando notam a aproximação do monstro.

Homens com megafones ordenam a saída de pessoas pela ponte, enquanto bombardeiam o ser.

A luz

Shiraishi enfim conversa com o mentor, fala de UFOs e depois de longa discussão com o professor- cujo conteúdo não é mostrado, justamente para deixar o espectador sem ciência - os personagens vão pesquisar perto do Monte Fuji.

A terra se movimenta e abre-se conversa com os invasores.

No discurso se frisa que eles não querem conflito, mas convocam cinco pessoas para ter com eles, são essas Kenji Adachi, Masao Noda, Tsutomu Koda, Joji Atsumi e Nibu Kawamani.

Mesmo sem garantias de proteção dos militares, o quinteto resolve entrar, depois que a voz afirma que eles estarão seguros.

Contatos imediatos

Dentro do recinto precisam precisam usar capas, para não sentir frio. Dessa forma parecem parte do cenário de algo formal e fantasioso, que piora ao perceber que os visitantes usam roupas coloridas, com capacete e armaduras, que muito assemelham aos uniformes dos heróis de tokusatsus televisivos, tanto com metal heroes quanto com os super sentais.

The Mysterians (1957 film) | Gojipedia | Fandom

Extinção e nova vida

Eles dizem ter vindo do planeta que Ryoichi Shiraishi chama de Mysteroid e o bom doutor afirma que o lugar explodiu há milhares de anos.

O porta voz dos "misteriosos" afirma que houve uma guerra nuclear e que parte dos sobreviventes se refugiaram em Marte.

Yoshio Tsuchiya recebeu a oferta para o papel principal, mas recusou, optando por interpretar o líder dos Mysterians. Ele era conhecido por seu trabalho nos filmes de Akira Kurosawa, gostava de atuar nos filmes de ficção científica da Toho e preferia interpretar personagens alienígenas.

A chegada na Terra tem a ver com acesso a Bomba H, artefato esse que eles já possuem desde que o terceiro planeta ainda estava na era da pedra.

Como terráqueos lançaram satélites no espaço, eles entenderam que a corrida espacial da Guerra Fria teria consequências de conquista da Lua e até Marte. Por isso foram ao planeta vizinho, pedindo de maneira humilde uma área de 3 quilômetros ao redor dessa base.

Pedido inusitado

Outra exigência é a de poderem procriar com mulheres da Terra.

O pedido é estranho, até por não se ter noção de como eles são fisicamente. Eles parecem humanoides, mas não há qualquer garantia de que aquilo não é uma holografia.

Tampouco fica claro que são todos machos ou que a biologia deles compreende ao menos dois sexos, ainda mais sobre eles serem compatíveis sexualmente ou não com a humanidade terráquea.

A parte de tecnobaboseira não parece se preocupar com isso e sim com o ultraje da proposta.

A sobrevivência da raça corre risco graças a exposição. O motivo é o Strontium-99, que faz 80% dos bebês nascerem deformados.

Segurança e abuso

A questão é dada de maneira tranquila, mas jamais deveria ser, afinal seria seguro para mulheres ter com essas pessoas e miscigenar?

A tradição dos japoneses não é tão aberta a mistura de raças, que dirá de espécies e os seres já escolheram até as moças, que são conhecidas dos personagens.

Já abduziram três e pedem outras duas, para formar cinco pares, cinco casais, mas a postura de primeiro raptar e depois pedir autorização não parece correta, por mais que seja outra cultura.

Ou seja, essa é uma situação limite e com reféns.

O nome Mysterians

Vale lembrar que na versão original em japonês, os alienígenas são chamados de Mysterians (escrito em katakana como Misuterian) quando visitou os Estados Unidos, o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya ficou surpreso ao descobrir que o termo “Mysterians” era bem conhecido.

Ele também havia sido usado na dublagem em inglês, e o filme chegou a ser lançado nos EUA com o título “The Mysterians”.

Outro contato

Atsumi vai contar as duas meninas escolhidas pelos Mysterians sobre o causo, até que seu amigo os interrompe, por meio de uma transmissão na televisão.

Shiraishi aparentemente está do lado dos invasores, diz que resistir é inútil e clama para que sua irmã e a sua antiga prometida aceitem a dádiva que lhes é oferecida.

Ainda assim se tenta resistir, mandam bombas e tanques, mas os Mysterians não recuam, não sentem medo e não são minimamente atingidos.

Seguem pedindo o mesmo, três quilômetros e as moças. Dizem querer paz na Terra enquanto as forças do Japão se acham derrotadas antes mesmo de analisar as consequências dos ataques.

Medo

O receio de Adachi e dos estudiosos é que mais seres interplanetários venham, inclusive outros Mysterians.

Ele não acredita que suas exigências são tão simples, que exigirão mais e ele está correto, já que há a intenção de expandir, através de uma tecnologia subterrânea secreta, um complexo subterrâneo tomará toda a costa oeste.

Enquanto isso, autoridades vindas da América dizem espionar os Mysterians, lançando uma sonda a partir do Arizona.

Em conversas com autoridades japonesas e estadunidenses, Shiraishi reaparece e afirma que há bases estelares há 42 mil pés da humanidade, prontas para tomar Tóquio, Nova York, Londres a até Moscou.

Pelo visto é impossível vencer eles, ou ao menos é essa ideia que se quer passar.

Nessas cenas, Harold Conway, um estadunidense que trabalhava no Japão e frequentemente era escalado para papéis de ocidentais em filmes japoneses, foi gravado com som direto falando inglês e japonês diante das câmeras.

Essa é uma rara oportunidade de ouvir sua voz real nos dois idiomas. Ele é apresentado como Dr. Immerman, nome que também usa em Mundos em Guerra, e tem um papel maior do que o habitual neste filme.

Tática

A ideia de combate envolve abaixar a temperatura, uma vez que Daichi principal acredita que a base deles é gelada justamente por conta de fraquezas desses seres.

Enquanto isso, as meninas são abduzidas, pegas por Mysterians de roupa azul, que ao fugir, usam naves que se comportam tal qual arraias marinhas, cortando o céu de maneira reluzente.

A Toho teve apenas uma hora para filmar imagens do avião de carga do Military Air Transport Service da Força Aérea dos EUA descarregando, os produtores interromperam a produção do filme e usaram todas as câmeras disponíveis para registrar a operação de diferentes ângulos.

Chikyū Bōeigun | Internet Movie Plane Database Wiki | Fandom

Ao esconder o número do avião, parece que várias aeronaves pousaram.

A Toho fez algo semelhante em Godzilla, o Monstro do Mar: com permissão para filmar apenas o movimento de um único comboio militar, os produtores colocaram suas câmeras em jipes e avançaram à frente de cada seção do comboio para dar a impressão de que ele era enorme.

Curioso como mesmo sendo esse um espécime de Honda sobre o fenômeno dos monstros gigantes, quase não há aparição desses. Exceto pelo final, praticamente não há

O monstro Moguera tinha sido inicialmente concebido para se parecer com Godzilla e teria espinhos na cauda, que foi retirado antes das filmagens.

O monstro não fazia parte do roteiro original, mas por desejo do produtor Tomoyuki Tanaka, que queria um gigante monstro, ele foi introduzido na história. 

O foco narrativo é nas intenções supostamente boas dos Mysterians, suas mentiras e no combate entre as partes, que incluem trocas de disparos de raios de calor na base dos invasores e inundações nas cidades vizinhas, que não foram sequer evacuadas.

No entanto o que faz com que o plano dos alienígenas dê errado é ação infiltrada, já que Shiraishi sabota por dentro o controlador de temperatura, deixando a localidade mais vulnerável.

Ele ainda libera as prisioneiras e entrega a segunda parte do relatório, para entregar ao professor e assume que foi enganado, diz que tudo vai explodir e que o plano dos Mysterians é atacar Tóquio.

Se as autoridades não previram que a cidade mais próxima da base poderia sofrer retaliações, certamente não teriam sorte em proteger a capital do país.

O filme tem um clímax pesado, com a música heroica de Akira Ifukube e com sacrifício de Ryoischi.

Fogem pelo ar, para viajar no espaço e vagar sem rumo pela eternidade.

Ao final, se fala que eles ainda vão ouvir sobre Mysterians. Esse filme teria uma continuação direta em 1959, com atores diferentes no papel dos personagens Etsuko Shiraishi e o Dr. Adachi.

Inclusive, na versão dos Estados Unidos, o final é diferente, terminando quando um satélite americano segue atrás dos discos-voadores, até fora da atmosfera da Terra e na do Japão, o cientista Joji Atsumi alega que eles ainda dariam notícias de sua presença.

Na versão original em japonês, é revelado por meio de diálogos que se trata de um satélite da Terra, lançado para monitorar os Mysterians e evitar um ataque futuro.

Dois filmes da Toho tem ligação narrativa com esse, no caso, Mundos em Guerra, de 1959 e Guerra no Espaço, de 1977. O elenco não pôde reprisar seus papéis em Mundos em Guerra devido à indisponibilidade, sendo necessário reunir um novo elenco para o segundo filme.

Os Bárbaros Invadem a Terra é um filme equilibrado e uma tentativa de Honda de fugir dos chavões de filmes com animais gigantes, temperado por outros medos e receios típicos da década de 1950, com outras formas de abordar história.

Trailer

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