Em Pânico: um Slasher Obscuro, Infame e Sem Vergonha

Os filmes de matança, conhecidos na gringa como ou slasher movies, foi um gênero bastante popular entre os anos 1970-80. Obras como Halloween, Sexta-Feira 13 ajudaram a popularizar o segmento e obviamente, geraram filhos bastardos. É o caso de Em Pânico, longa de Skip Schoolnik que mostra um grupo de adolescentes cheios de hormônios que passam uma noite em um armazém, e enquanto tentam fornicar, são atacados por um psicopata de identidade não revelada.

É curioso que o início da história situe a produção como uma fita juvenil prima de gênero de Porkys e Picardias Estudantis, mostrando rapazes e moças na puberdade, arrumando pretexto para transar, usando como cenário para essa exploração sexual, a loja do pai de um deles.

Como um bom slasher obscuro, os aqui personagens são rasos e derivativos, autênticas versões genéricas de comédias picantes do High School americano. O único sujeito que parece real é justamente o maior suspeito, Fred, interpretado por Jeff Levine, - mais conhecido por ter se tornado produtor de filmes com Nicolas Cage, como A Outra Face, 8mm: Oito Milímetros, Olhos de Serpente, Cidade dos Anjos - um sujeito pacato, tranquilo e trabalhador, que tentava se inserir novamente na sociedade após cumprir pena por assalto a mão armada.

O roteiro dedica um bom tempo introduzindo Fred, mostrando o preconceito com ex-presidiários presente no discurso das pessoas que trabalham no tal armazém. Seu visual é diferenciado: ele é calvo e cultiva o pouco cabelo que tem de forma cumprida, tem tatuagens e se veste tal qual um headbanger.

TREMENDO TIME: HIDE AND GO SHRIEK (1988)

O roteiro é de Michael Kelly, que havia escrito o telefilme O Roubo, enquanto Schoolnik havia trabalhado até então como montador em produções como Halloween 2: O Pesadelo Continua e Esquadrão do Terror, então se percebe que a equipe de produção é comanda por novatos em questões de comando. Essa inexperiência resulta em momentos complicados, como um mau uso da fotografia.

As cenas são em sua maioria no escuro, fato que até colabora para o mistério, mas também ajuda a tornar o horror genérico. O escuro esconde obviamente os defeitos e o orçamento paupérrimo, mas também ajuda a tirar a compreensão básica do espectador.

O único porém positivo é que a falta de luz turva a visão das vítimas também, e a utilização de manequins para confundir humanos e bonecos traz estranheza e simbolismo ao texto, uma vez que a identidade confusa em relação ao gênero conversa bem com a origem do assassino serial, que só seria revelado no desfecho.

Analisar o filme atualmente ainda o faz conversar com o conceito de Vale da Estranheza, ou Uncanny Valley no original, argumento bastante em voga dentro da cultura pop, embora neste Em Pânico, os manequins tenham função apenas cosmética, visando confundir público e personagens, não há função narrativa para eles.

O filme possui dezenas de sustos falsos, e o roteiro trata essa questão como algo normal entre meninos e meninas cuja sexualidade está em crescimento. O amontoado de eventos falsos influencia na demora para chegar a primeira morte, que só ocorre após passado um terço de exibição.

Ao menos o texto é bem-humorado, brinca com questões comuns a sexualidade na puberdade, normalizando ejaculação precoce. Outro artifício legal é o pretexto de um jogo de pique esconde, que visava obviamente isolar os casais para transarem em paz, mas acaba tornando os primeiros sumiços em algo razoável.

Esse é um dos primeiros filmes que contaram com efeitos especiais assinados por Screaming Mad George, mas dado o baixo investimento, não houve muita violência ou nojeira. O grande feito do especialista certamente envolveu a personagem de Annette Sinclair, que depois de ser presa em um elevador, tem sua cabeça degolada e serve como tropeço para o assassino no final do filme.

Os assassinatos são bem comuns, a ideia de terror é mais voltada para discutir estereótipos. Ao passo que o texto consegue dar sinais progressistas ao favorecer ex-detentos, acaba lidando mal com referências a homossexualidade e travestismo, abrindo possibilidade até para associar psicopatia com orientações sexuais não heterossexual.

Em Pânico é refém de formulas, mas tem seus momentos, colocando os sobreviventes em um nível de esperteza poucas vezes visto, com eles se juntando para enfrentar o assassino, pervertendo um dos clichês dos slasher. Ainda assim, possui boas ideias, dá pistas que fazem sentido, e termina com um baita gancho para um continuação que jamais ocorreu, não fosse pela fálica associação da psicopatia com o público LGBT+, poderia ser considerado como uma boa trasheira.

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