Nekromantik: um experimento sádico e tarado do cinema extremo

Na semana pós comemoração do Dia dos Namorados, apresentamos um filme bastante peculiar e bizarro, exemplar normalmente associado ao que há mais de nojento na sétima arte. Trata-se de Nekromantik, filme de horror alemão lançado em 1987 com direção de Jörg Buttgereit, que conta a história de Robert e sua amada, dois namorados que gostam de incluir depravações em suas relações amorosas.

A obra é bastante peculiar já de início. Antes dos créditos iniciais há um aviso, que de que as cenas que virão a seguir poderão chocar o espectador. Logo depois se percebe o nome de Manfred Jelinski, produtor e da equipe bastante pequena que acompanha Buttgereit, com nomes que se repetem em departamentos bem diferentes entre si.

O roteiro é assinado por Buttgereit e Franz Rodenkirchen, a música, característica é de John Boy Walton, Hermann Kopp e Daktari Lorenz, já os efeitos especiais criativos (e bem feitos, dado o orçamento paupérrimo) são feitos pelo diretor, Rodenkirchen e pelo interprete do protagonista Daktari Lorenz.

Marginal poderia ser uma boa classificação para o longa, dada a junção de artistas iniciantes e ligados ao underground, mas a melhor adjetivação para ele é, obviamente, a de completo mal gosto.

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Nekromantik não assusta só pela premissa de mostrar pessoas se relacionando com cadáveres, mas também choca pela completa inadequação de seus personagens.

Os funcionários da equipe de limpeza de rua são física e moralmente prejudicados. São sujos, de hábitos imundos, protagonizam cenas porcas envolvendo higiene íntima - há pelo menos duas cenas de plano detalhe de pessoas urinando e sujando as próprias roupas com os dejetos - e tem uma certa familiaridade com corpos putrefatos.

A personagem Betty, interpretada por Beatrice Manowski é tão bonita quanto é porca, costuma fazer números grotescos, se limpando em uma banheira repleta de sangue sabe-se lá do que, fora que ela incentiva seu par a roubar as partes "soltas" dos mortos.

Esse claramente é um mundo apodrecido, com a essência comprometida, e Robert é o maior expoente de estranheza no longa.

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Ele aproveita sua função varrendo as ruas para guardar órgãos das pessoas. Tem um coração em um pote, olhos em jarras, possui até um feto dentro da sua coleção.

Claramente o sujeito tem método, gosta de estudar e analisar fitas antigas sobre predadores, e se instrui sobre como abater e retirar os órgãos de animais, inclusive com uma sequência onde vê um coelho sendo dissecado, vídeo esse que retornaria na trama, no número final.

A casa onde o casal reside é imunda, sem quase nada além dos móveis velhos e homenagens a bandidos como Charles Manson. A intenção de Buttgereit é claramente a de chocar, e o fato de seu elenco ser formado por atores péssimos, ajuda esse intuito. É tudo caricato e sofrível, na medida, piorado pelo aspecto feito da fotografia de Uwe Bohrer.

 

A parte musical é possivelmente a mais bem construída do longa-metragem, tanto nos momentos mais comuns, com acordes que fortalecem a sensação de tédio, quanto nos momentos com som mais agudo onde as taras necrófilas do casal quando permeiam a tela. É tudo muito incomodo, como se um garfo cortasse plástico.

As cenas de sexo são "leves" perto do restante da exploração. O casal corta um pedaço de ferro, que ficaria no espaço fálico, inclusive com uma camisinha, afinal segurança no sexo é fundamental...

Buttgereit ainda planeja cenas bizarras, como uma em que Robert deita-se na banheira cheia, com o gato que ele matou pendurado em uma prateleira alta, pingando sangue no recipiente. Essa não é nem a cena mais estranha, já que nos momentos derradeiros, se mistura uma sequência de auto estimulo com autoflagelo.

Por mais que a ideia seja chocar, há claramente uma intenção da obra em soar poética e com apelo o lirismo, mostrando que mesmo pessoas de ideal deturpado e violento, sofrem com condições humanizada como depressão e rejeição.

Nekromantik é uma ode ao mal gosto, faz referências a cultos pagãos e satanistas, a maus tratos com animais e a pesadelos oníricos que misturam aspectos comuns da anatomia com fraturas expostas e aspectos comuns a mortos. Vale demais pela maquiagem muitíssimo bem-feita, mas as tentativas de transformar a melancolia em um número assustador não são tão exitosas, parecem forçadas, tal qual a última cena que faria alusão a continuação que chegaria três anos depois.

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Comentários

1 comment

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    ivan junior 6 março, 2024 at 16:34 Responder

    “Vale demais pela maquiagem muitíssimo bem-feita…”
    Trecho da crítica de Filipe Pereira que mostra claramente que ele tem seríssimos problemas mentais.

    “Alô…. é do Sanatório Pinel? Mandem uma equipe para a minha casa urgente! Meu filho está assistindo aquele filme escroto do casal que transa com morto pela 9878946513212165485413212165416548946514561 vez”
    Mãe do Filipe Pereira já cansada das taras sujas e doentias de seu filho

    “Amarre-o bem!!! Assim que chegarmos no hospital dê-lhe 20 litros de Aldol e uma porretada na cabeça”
    Doutor Hans Chucrutes, médico chefe do Pinel minutos antes de internar o anormal Filipe Pereira

    “Coloquem esta Configuração do Lamento no quarto onde o Filipe Pereira está e deixe tudo bem trancado. Quando ele acordar e decifrar a Configuração os cenobitas farão o serviço”
    Dr. Channard, diretor do Pinel, esperando ansiosamente pela chegada dos cenobitas ao Pinel

    “Iremos rasgar a sua alma…..”
    Pinhead segundos depois de aparecer para o Filipe Pereira

    “Nãooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!”
    Última palavra dita pelo Filipe Pereira antes de ser destroçado pelos cenobitas e levado para o Labirinto

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