Review: Agents of SHIELD S01E09 - Repairs

BRETT DALTONNas últimas semanas Agents of SHIELD resolveu focar os episódios em seus personagens, estratégia que deu certo, uma vez que trouxe, ao menos, alguma coisa para o espectador se importar, mesmo que a história de cada um deles nunca seja totalmente esclarecida, sacada dos autores para que a curiosidade da audiência se mantenha até o fim da temporada. Essa semana foi é a vez de May, a agente interpretada por Ming-Na Wen, ganhar algum destaque, mesmo com um resultado final pouco interessante.

Quando a equipe de Coulson é enviada para investigar o que parece ser uma garota com poderes de telecinese, os métodos de May são colocados em dúvida por Skye, que não compartilha do sentimento "atire primeiro, pergunte depois" e acha um absurdo que ninguém mais questione a atitude fria da agente. É aí que o episódio lança mão de um elemento criativo de roteiro, fazendo a história da origem do apelido da moça, "A Cavalaria", ser contada por outros personagens, ora propositalmente exagerada, ora baseada em outros relatos que se acredita serem verdadeiros. Como ninguém do time está disposto a perguntar para May o porquê de sua fama, a ideia é realmente boa, mas teria mais força, não fosse a forma apressada, quase desdenhosa, em que as versões da história são contadas. Talvez, e aí, fica-se apenas no limiar da imaginação, fosse mais interessante ter flashbacks, mostrando os momentos sob diferentes pontos de vista. Ao menos, há a indicação de um vilão superpoderoso no passado da moça, que deve aparecer caso a série vá para uma segunda temporada (ou mesmo nesta, caso os roteiristas resolvam sair do lugar comum).

A ameaça da semana vem com uma virada no segundo ato, mas sem muitas surpresas. Qualquer espectador que já tenha acompanhado séries como Fringe, Arquivo X ou qualquer outra que tenham lidado com pessoas com poderes especiais, identifica o que está acontecendo logo na primeira aparição dos dons. Mesmo assim, a origem de todo o problema, ironicamente tem mais a ver com Thor: O Mundo Sombrio do que o episódio passado, anunciado como "continuação" dos eventos mostrados no recente longa da Marvel. Repairs se destaca também pelos efeitos visuais, com um "teleporte" muito convincente e que rende boas cenas, principalmente as voltadas para o combate.

Como a trama foi centrada, na medida do possível, em May, a personagem tem seus momentos, com destaque para o clímax, em que precisa convencer a ameaça da semana a seguir seu caminho sem prejudicar outras pessoas. Ming-Na Wen entende sua personagem e usa isso a seu favor, mesmo que tenha um roteiro sem muito a oferecer em mãos. Escrito pelos dois criadores do seriado, Jed Whedon e Maurissa Tancharoen, era de se esperar um pouco mais de profundidade, mas está cada vez mais difícil acreditar que Agents of SHIELD possa oferecer esse tipo de trama.

CLARK GREGG, LAURA SEAY

Agora que todos os protagonistas já tiveram um pouco de seu passado, e com isso, algumas dicas a respeito do que os movem, Agents deve partir para sua própria mitologia. Os dois próximos episódios trarão o retorno de Mike Peterson, o personagem vivido por J. August Richards no piloto, e provavelmente trabalharão com a organização Centipede como antagonista. No entanto, fazer isso na metade da temporada, quando já espantou um sem número de potenciais espectadores, pode ser tarde demais. Caso a série não demonstre logo a que veio, e saia desse marasmo em que se encontra, não sobrarão muitos motivos para que seja acompanhada com tanto afinco, já que até quando tenta se focar em seu elenco, falha em despertar algum interesse.

Alexandre Luiz

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