Review: Arrow S04E11 - A.W.O.L.

O texto abaixo contém spoilers do episódio.

ARROWUma das subtramas mais interessantes da atual temporada de Arrow, certamente, é a que envolve os irmãos Diggle. Primeiro porquê, depois de muito tempo, tem dado chance para David Ramsey fazer mais pelo personagem do que servir de conselheiro para Oliver ou exibir sua capacidade de luta. O ator consegue unir carisma a certa qualidade dramática e convence no drama sobre o relacionamento com Andy. Como de hábito nesses quatro anos, chega o momento da série trazer um episódio focado no núcleo do personagem e, mesmo que ofereça pouco desenvolvimento na trama central, não falha em evoluir a plot do parceiro do Arqueiro.

Com a chegada de uma nova organização criminosa em Star City, Oliver e o time todo partem para o ataque, enquanto Diggle relembra seus dias de soldado com o irmão. Os flashbacks focados no personagem trazem um respiro, e se conectam, no final, com a trama do passado de Oliver (e aí pode estar o começo, tardio, da convergência entre a situação do protagonista na ilha com o atual conflito). Servem também para o espectador conhecer um pouco mais sobre Andy. O seriado havia mostrado quase nada do relacionamento prévio entre os irmãos e aqui, no momento em que foca totalmente nas divergências entre ambos, é interessante o paralelo. Pesa a favor que se trata de um dos personagens mais queridos pelos fãs da série, agora incorporado aos quadrinhos, tamanha popularidade.

Ao mesmo tempo, a trama de Felicity avança e o episódio faz um enorme favor ao público em já colocar o conflito pessoal da moça quanto a sua posição no Time Arqueiro e concluir o drama. Outras séries, ou até mesmo Arrow na temporada passada, teria alongado esse momento mais do que o necessário. Mesmo que a discussão interna da personagem, ilustrada por seus diálogos com sua versão gótica (que, enfim, teve um propósito e fez o fã esquecer do sofrível episódio The Secret Origin of Felicity Smoak), soem um tanto previsíveis, seria muito estranho se ela aceitasse sua atual condição sem nenhum tipo de dúvida interna. É importante destacar também que Emily Bett Rickards se sai muito bem na construção das duas versões de Felicity. E é ótimo ver Oliver servindo de voz da consciência, em uma inversão de papéis que serve também para mostrar o quanto o protagonista evoluiu ao longo dessas temporadas.

O roteiro de A.W.O.L., escrito por Emilio Ortega Aldrich e Brian Ford Sullivan, divide-se muito bem entre essas duas tramas, se tornando mais direto e enxuto que outros episódios da temporada. Assim, não estão presentes os núcleos menos interessantes como o de Thea, por exemplo. O único problema se refere a morte de uma personagem, que parece ter sido orquestrada como mais uma tentativa da Warner/DC fazer suas séries se livrarem de coadjuvantes que irão aparecer em seus filmes. A partida de Amanda Waller chega sem nenhum propósito aparente (e nenhum impacto, como se colocada no roteiro de última hora), senão este, que é externo à trama e pode ter complicado o desenvolvimento da adaptação, principalmente no que diz respeito aos flashbacks. Se essa morte significou a despedida da atriz, como finalizar a plot do passado, uma vez que Oliver só retorna à ilha em missão dada por Waller? Outro ponto é o que isso pode significar para Lyla. Será que a esposa de Diggle terá mais importância na temporada como uma substituta da antiga líder da A.R.G.U.S.?

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Apesar da pausa no confronto com Darhk, algo previsto no último episódio quando o vilão sugere que dará uma "folga" temporária ao Arqueiro, a aventura da semana mostrou que um filler não precisa ser necessariamente uma história sem nenhuma ramificação no restante da série. E, como cada temporada tem uma boa dose de episódios para trabalhar com subtramas envolvendo o elenco coadjuvante, A.W.O.L. surge em boa hora. O programa tem conseguido se desvencilhar dos erros do passado, trazendo à tona a qualidade que tanto fora alardeada em seus dois primeiros anos. Com foco certeiro em personagens que o público gosta, sem descaracteriza-los, o que é o mais importante, avança o desenvolvimento de cada um com boas histórias e boa performance de seus intérpretes.

 

Alexandre Luiz

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