Review: The Flash S02E11 - The Reverse-Flash Returns

The Flash

É com um tom triste que Barry encerra este episódio, se despedindo de sua namorada e percebendo que para salvar a vida de um amigo, teve de contribuir com a história de origem de seu grande inimigo. A boa notícia é que The Reverse-Flash Returns é uma amostra muito melhor da capacidade do seriado em trazer boas aventuras do que foi o anterior. Corrigindo alguns problemas, mesmo que de forma um tanto apressada, na subtrama de Patty, o mais recente roteiro da segunda temporada vem com conflitos palpáveis e uma reviravolta inesperada nos últimos momentos.

Durou pouco mais de cinco minutos a aparição de Jay Garrick essa semana, mas a revelação que faz a Caitlin quanto à sua contraparte na Terra-1 pegou os fãs dos quadrinhos de surpresa. E esta se apresenta como uma das grandes ideias do seriado, em uma forma de subverter expectativas e deixar o espectador, pelo menos aquele mais informado, totalmente perdido e vendo suas pequenas teorias sobre quem é o Zoom irem por água abaixo. Ou não. Se o Garrick da Terra normal é Hunter Zolomon, que ligação ele teria com o vilão principal da temporada? A resposta para essa pergunta pode vir na forma de uma criativa saída do roteiro, tudo vai depender, obviamente, dos realizadores. De qualquer forma, a expectativa aumenta bastante quando uma informação surpreendente é colocada para o fã em um momento que não envolve grandes sequências de ação, mas uma cena singela entre dois personagens, chamando atenção não para a revelação em si, mas para o drama que envolve o casal.

Outro interessante ponto explorado por The Reverse-Flash Returns é outra "história de origem". Já faz um tempo que o seriado parou de desenvolver os poderes de Cisco e finalmente existe alguma evolução para levá-lo a uma provável transformação no herói Vibro. Se as habilidades do jovem cientista se tornarão mais do que a possibilidade de ver entre mundos e linhas do tempo, só o futuro dirá, mas de todo modo, é bom perceber a existência de um plano para sua gradual mudança de ares. Colocá-lo no centro da decisão que Barry precisa tomar também se apresenta como uma boa ideia, mesmo que a dúvida do herói coloque um pouco em cheque sua índole. No mundo de certo e errado dos quadrinhos, o protagonista não pensaria duas vezes, mas qualquer pessoa com o passado que existe entre o Flash e o Reverso, frente a uma decisão tão complexa, provavelmente também hesitaria por alguns instantes.

Sem dúvidas, o episódio da semana mostra que mesmo um herói inspirador como o Velocista Escarlate precisa lutar constantemente com seus próprios ímpetos violentos. Quando captura Thawne, por exemplo, isso fica muito claro. E, se existe a teoria de que o Barry da Terra-2 pode ser um vilão, o roteiro de Aaron e Todd Helbing apresenta essa dicotomia muito bem. É um momento delicado na vida do protagonista, uma vez que, além da volta de seu grande inimigo, precisa lidar com a partida de Patty, de uma forma um tanto estranha (podendo ser interpretada até mesmo como egoísta), mas o argumento é até válido. Seria melhor, caso o personagem demonstrasse um pouco mais de cuidado com sua identidade ao longo da série, mas ainda assim, da forma como colocado neste episódio, o conflito romântico soou um pouco mais convincente do que anteriormente.

O texto acerta também na explicação para a volta de Thawne. É pura pseudo-ciência, baseada apenas nas regras de viagem no tempo que são próprias do seriado, trazendo confusão e credibilidade ao mesmo tempo. Futuros possíveis, pontos fixos no tempo, tudo isso já foi trabalhado à exaustão nos quadrinhos e em outras obras de sci-fi. Em Flash não é diferente e a suspensão de descrença, sendo fundamental para aceitar qualquer bobagem científica desse tipo de história, é essencial para o espectador embarcar na ideia e aproveitar ao máximo o confronto entre os personagens.

No lado dramático envolvendo a família West, se encontra, novamente, o elo mais fraco da série. Wally é um personagem cujas motivações não fazem sentido. Ora está nervoso com o pai ausente, ora está desapontado com a mãe doente e pelos motivos mais clichês, sem levar em conta qualquer esforço para tornar o garoto minimamente tridimensional em sua psicologia. Sua presença também não adiciona nada, a não ser o fanservice de que no futuro, talvez se torne o Kid Flash. A subtrama vem como uma "rebarba", que poderia ser facilmente removida sem afetar em nada o andamento do episódio.

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The Reverse-Flash Returns oferece um grande avanço na temporada, trazendo alguns conflitos bem estruturados e dicas bem intrigantes quanto ao que ainda poderá acontecer nos futuros episódios. E o foco dado às escolhas que Barry precisa fazer, quase funcionando como um microcosmo de toda sua vida, fortalecem o bom trabalho feito com o personagem. Quando começa o episódio discursando sobre correr e se afastar de assuntos "mundanos", o herói justifica a abordagem humana da adaptação e oferece uma análise mais profunda das consequências do heroísmo. Não é só um vilão que retorna aqui. É a qualidade do seriado.

Alexandre Luiz

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