Review: Fringe – 5x07 Five-Twenty-Ten

Entre deuses e homens. A última temporada de Fringe vem gerando uma polêmica boba, muitos dizem que a série se perdeu (um mimimi enfrentado pela maioria das produções do gênero) e que jogar os Observadores como os vilões definitivos foi só uma desculpa barata para dar um fim apocalíptico para o seriado. Eu discordo totalmente. Desde o momento em que Peter implantou a tecnologia dos Observadores em si próprio, passamos a ver um show de mitologia, com respostas para os mais xiitas e a certeza de que independente de termos ou não as sete temporadas que estavam nos planos originais, esse sempre foi o fim destinado a Fringe. Afinal, não há nada mais antigo na série do que a presença dos carecas (o nosso primeiro GlyphCode foi OBSERVER).

O show da semana continuou nas mãos de Walter e Peter. John Noble e Joshua Jackson roubaram a cena mais uma vez, e o fato de Fringe ser uma das produções de ficção-cientifica mais intimistas que se tem noticia, foi outro ponto que auxiliou no trabalho dos atores. Peter domina cada vez mais suas novas habilidades, e seu novo plano foi tão misterioso quanto a presença dos vilões na história. Agora que ele tem domínio sobre as mudanças no tempo e espaço, ele passou a delimitar a linha de tempo dos três Observadores mais próximos a Windmark, com um plano minucioso e que só fez sentido no clímax do episódio. Peter já demonstra as maiores características dos seus algozes: o olhar frio, a clássica virada de cabeça, a fala compassada e a total falta de sentimentos. Felizmente esses detalhes não escapam aos olhos de Olivia e, mais para frente, é a agente a primeira a notar o que ele fez.

A busca pelas peças continua, e dessa vez descobrimos que o que falta são os conhecidos sinalizadores que marcam presença na série desde o quarto episódio da primeira temporada. As cápsulas são outra peça-chave e foram escondidas por Willian Bell em seu laboratório. Nesse momento, fez todo o sentido o fato de Walter ter arrancado a mão do antigo parceiro em Lettersoftransit, pois ela é a chave para abrir a porta do local. Descobrimos também que Bell foi o responsável pela Divisão Fringe se ambarizar no passado, quando os denunciou aos observadores. A menção a Bell, desestabiliza Walter como de costume, mas o medo do cientista é outro ainda mais obscuro, e é a icônica Nina Sharp a responsável por vermos mais uma vez o desespero no seu olhar.

 Walter, Olivia, Peter e Agnes (não deu dessa vez, Astrid) descobrem que para entrar no antigo laboratório de Bell, é preciso passar por um amontoado de entulhos, resultado de um possível ataque no passado. Sem poder pedir a ajuda de Anil, já que eles devem evitar atenção desnecessária, resta recorrer a Nina Sharp, como sempre acontecia no passado, só que agora, ao invés da Massive Dynamics, ela comanda o Ministério da Ciência. Em mais um encontro emocionante, Nina dispõe o aparelho (um sublimador de alta potência) para eles. Mas aqui, toda a ação e ficção ficam em segundo plano, pois o que vale mesmo é a discussão que ela tem com Walter.

Nunca existiram barreiras para ambição de Walter e Bell, mas se o nosso cientista favorito achou na família um porto seguro, que o mantinha um pouco mais com os pés no chão, o amor de Nina não foi o suficiente para evitar que Bell se transformasse no monstro que conhecemos nessa timeline. A morte de Peter foi o baque que mudou Walter para o pior, mas ainda assim, ele tentou evitar seguir o caminho do amigo ao pedir que retirassem partes do seu cérebro. O impiedoso homem que conhecemos aos poucos vem retornando depois da inserção das partes feita por Etta, e no momento em que ele joga as verdades sobre o real sentido de William Bell ter sido quem foi, Nina percebe que tudo está acontecendo novamente. Pior é que nem Peter pode ser a saída que Walter tanto exalta, pois ele assim como seu pai, não é mais o homem que um dia fora.

É só analisarmos o olhar de satisfação quando Anil diz a Peter que o seu plano de trocar as maletas deu certo. Premeditando todos os passos dos capangas de Windmark, Peter implantou uma bomba com a toxina que dissolve a carne (sim, a mesma do piloto) e acabou de uma vez só com três dos principais Observadoresque se encontravam ali. Dessa forma, ele garantiu a distração necessária para conseguirem recuperar os sinalizadores do laboratório de Bell. As cenas foram de arrepiar e cheias dos detalhes que mais amamos em Fringe: cores fazendo referência às timelines, efeitos especiais espetaculares e aquela velha tensão de fazer roer todas as unhas.

Mas é na missão que temos outra possível mudança nos acontecimentos futuros. Mesmo com todas as suas ações, Bell nunca deixou de amar Nina, fato esse comprovado pela foto que ele guardava no cofre, e é aí que Walter percebe o perigo se aproximando. Ele não quer voltar a ser o homem sem alma do passado e, num penoso pedido, implora a Nina que mais uma vez mutile a sua mente, mesmo que isso o impeça de completar a missão final para salvar o planeta. A cada detalhe eu tenho mais certeza de que o fim de Fringe vai ser mais trágico do que prevemos.

Olivia não suporta mais as desculpas de Peter e finalmente descobre o que ele fez. Anna Torv está mais de escanteio nessa temporada, mas o trabalho da atriz não fica muito atrás dos seus parceiros de cena. Eu adoro Olivia e vê-la sofrer ao olhar incrédula para um Peter que não mais existe, foi de cortar o coração. Os passos dele vão em direção a Windmark, mas o chefe dos Observadores já sabe do que Peter é capaz e não vai ser fácil prendê-lo ou até mesmo enganá-lo com alguma armadilha. Quem será o homem que vendeu o mundo, como a música de David Bowie exalta, eu ainda não sei, mas a julgar pela mudança final passada por Peter, ele é o primeiro da minha lista, assim como o primeiro Observador.

O Glyph Code da semana faz referência a confiança que Olivia perdeu. Ela por muito tempo acreditou que Peter estava enfrentando a morte de Etta ao seu jeito, mas ao seguir o amado, descobriu que tudo é ainda mais terrível do que ela previa. Um futuro mais do que sombrio nos espera.

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10 comments

  1. Avatar
    Hélio Goldel 21 novembro, 2012 at 21:33 Responder

    Amigo, bem legal sua review, mas conta aí, pegasse como base o texto do review do Série Maniacos (ou ele pegou de você, confere aí), hein?! Digo isso pois vi inúmeras semelhanças entre os dois textos, Mas ficou bacana, é assim que se começa, até nos aperfeiçoarmos na prática leva tempo! Abs e boa sorte!

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      Zé Guilherme 21 novembro, 2012 at 21:50 Responder

      Na verdade meu camarada, sou um fã assíduo das reviews da Camila Barbieri, mas se você for olhar minhas outras reviews de Fringe aqui no Cine Alerta, vai perceber que geralmente elas saem primeiro do que as dela (No seu Blog pessoal Séries em série). Essa pode ter saído um pouco depois e até pode ter tido algumas semelhanças, porém não tinha nem lido a review dela até redijir meu texto.
      Acho bom você se informar antes de julgar os trabalhos dos outros!! Agradecido.

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    Hélio Goldel 21 novembro, 2012 at 21:54 Responder

    Meu caro, em momento algum tive más intenções em meu comentário, foi apenas um detalhe que percebi, desculpe se pareceu de mau tom. Bom trabalho.

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    Renan Braga 21 novembro, 2012 at 22:43 Responder

    Muito boa a review guigas ! Eu tbm lia bastante as reviews de fringe no seriemaniacos, mas deixei pois alem de esta demorando para sair, ja acho a sua bastante completa, não havendo necessidade de ir além disso ! Vc disse que ia ligar pra comentar, mas tudo bem !!!!!

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    Guilherme Max 22 novembro, 2012 at 20:55 Responder

    Adoro suas reviews! Geralmente sei que posso contar com elas de uma maneira muito rápida, um pouco diferente hoje, mas sempre estarei dando uma olhada aqui. Excelente episódio! Ao meu ver, haverá um embate entre Walter e Peter, pois o primeiro terá de lidar com os Observadores e acabará cruzando o caminho de seu filho. Vai ser tudo muito tenso e bem empolgante, tenho certeza. O melhor é que a série tá numa crescente e espero que se mantenha assim até seu derradeiro episódio. No próximo já tem um embate entre Peter x Windmark, vamos ver no que vai dar.

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      José Guilherme 22 novembro, 2012 at 21:01 Responder

      Oww cara valeu mesmo!! Atrasei a review dessa vez por questões pessoais, mas elas voltarão a sair no sábado como de costume. Também acho que esse embate entre Peter e Walter vai acontecer e quero muito ver qual será a reação dele quando Olivia contra o que Peter está se tornando.
      Eu também vi o promo e a cena em que Peter enfrenta Windmark promete ser sensacional. Esteja sempre aqui acompanhando. Abração. ^^

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    Fiama 28 novembro, 2012 at 23:14 Responder

    Depois de algum tempo sem ver Fringe e só agora pude acompanhar, e ler tua review, que por sinal está ótima (não me perdoo por não ter acompanhado antes)! Tô super ansiosa pro próximo episódio e pra próxima review. Fizeste um ótimo trabalho, Guilherme! Tá de parabéns.

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