Review: The Flash S02E16 - Trajectory

The FlashContém alguns spoilers do episódio

Depois de um segundo hiato, The Flash volta, enfim, para resolver sua trama principal. A revelação da identidade de Zoom no ótimo episódio anterior, no entanto, só traz algum peso no final deste Trajectory, mas de forma bastante orgânica ao roteiro em questão, que serviu tanto como alegoria para vícios (plot quase obrigatória em séries de super-heróis) quanto parte do mistério acerca do grande vilão da temporada.

Com direção de Glen Winter, o episódio chama a atenção por seu frenético trabalho de câmera, que passeia solta pelos cenários, favorecendo longos takes e ajudando a manter a narrativa fluida. O resultado também favorece as cenas com a vilã Trajetória, velocista psicologicamente instável e que, diferente da maioria dos antagonistas da semana, tem uma trama bem definida, com uma motivação convincente. O roteiro e a interpretação de Allison Paige ajudam nesse sentido, principalmente porque a atriz se dá bem ao desenvolver as duas personalidades da personagem, trazendo o peso da tragédia para a equação e dando, assim, uma característica incomum aos casos da semana da série.

Trajectory, no entanto, fala sobre limites, ou até que ponto alguém pode chegar para alcançar aquilo que almeja. O Flash precisa atingir sua velocidade máxima, mas será que para isso vale a pena tomar um atalho, na forma do composto Velocity-9? O Dr. Wells lida com o fato de ter ido às últimas consequências para salvar a filha. E, por fim, a vilã, que viciada em seu recém-adquirido poder, perde as noções de certo e errado. Cada decisão tem sua consequência e, assim, o texto consegue encaixar a identidade de Zoom e, principalmente, suas motivações, como um interessante fator a ser desvendado.

Dentro dessa lógica sobre limites e consequências o roteiro é coerente e se sobressai ao que a temporada vem apresentando normalmente. Por outro lado, há a inclusão desnecessária de um conflito envolvendo Iris e seu editor que, no ponto em que a série se encontra, surge como distração e, pior, parece forçado ao espectador como tentativa de adiar o romance inevitável entre a personagem e o protagonista. Existe uma breve citação ao relacionamento futuro de Barry e Iris que parece indicar um caminho diferente, apenas para, logo em seguida, acrescentar esse elemento de um provável romance entre a moça e o coadjuvante, que parece ser uma versão sem personalidade do J.J. Jameson.

O desenvolvimento de outras subtramas é bom, sem alongá-las demais, incluindo a que envolve Jesse Quick. A personagem deve ficar afastada por um tempo e, quem sabe, retornar para se mostrar relevante para a resolução do principal confronto. Sua despedida vem acompanhada da segunda citação a Opal City em Flash, o que levanta questão: estaria o universo DC na CW preparando terreno para uma aparição do Starman?

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Um bom retorno, que pavimenta o caminho para a reta final, possivelmente baseada na decepção sofrida por Barry quando finalmente descobre a verdade sobre Jay Garrick. O desfecho em Trajectory, mesmo com a ameaça momentânea neutralizada, soa como uma derrota para o herói em vários níveis. O destino trágico da vilã, que estava além de qualquer salvação, e a ideia de ter sido enganado o tempo todo por alguém que se passou por mentor, culmina em um momento de fúria por parte do protagonista, como o seriado ainda não havia mostrado. Caso a série continue coerente nessa evolução de seu personagem central, a temporada deve terminar com um Flash bem diferente daquele que deu início a este segundo ano.

Alexandre Luiz

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