Review: Arrow - S01E01

Embora clichê, seria ótimo poder começar o texto dizendo que o CW acertou na mosca com Arrow. Mas isso não aconteceu. A flecha chega bem perto do alvo, mas não o suficiente pra uma pontuação alta. São problemas bobos que poderiam ter sido resolvidos, mas o piloto cai em resoluções banais, muito aquém da inspiração para a série. Na verdade, das inspirações. A adaptação do personagem da DC (o Arqueiro Verde, pra quem não sabe) segue algumas lições aprendidas por outro vigilante órfão e bilionário que resolve combater o crime. É inegável a influência do Homem-Morcego imaginado por Christopher Nolan, principalmente como visto em Batman Begins. A começar pela estrutura narrativa desta primeira incursão, que deve perdurar pela temporada. Intercalando flashbacks com o período atual, o episódio mostra alguns momentos que levaram o protagonista até onde o espectador o encontra, de uma forma parecida com a primeira hora do longa que conta a origem do Morcegão.

A escolha soa original pra uma série de TV, mas escorrega com a opção de incluir uma narração que além de expositiva demais prejudica o ritmo, acelerando certas coisas e jogando na cara de quem assiste, informações que poderiam ser mais bem aproveitadas mais adiante. Quando o capítulo chega ao fim, deixa a sensação de que a estréia deveria ter seguido o caminho da maioria dos seriados de quadrinhos, com um piloto de longa duração. Assim, os personagens poderiam ter mais tempo para se apresentarem, poupando o público do momento “revelação” (“sou o pai da garota que morreu por sua causa”) nos último minutos, tirando o impacto da ligação do policial vivido por Paul Blackthorne com Oliver Queen (Stephen Amell).

E o protagonista se sai bem. Amell parece ter se dedicado a interpretar o herói do capuz verde de forma semelhante ao que Christian Bale fez na trilogia do Cavaleiro das Trevas, criando três personalidades diferentes para Oliver: o playboy que precisa manter essa fama para afastar suspeitas de sua vida de vigilante, o jovem sobrevivente que encontra sua mãe (Suzana Thompson) casada com Walter Steele (Colin Salmon), ex-sócio de seu pai na empresa da família e, claro, o Arqueiro em pessoa. O que atrapalha são os diálogos, tolos ao ponto do amadorismo. Nisso, a série se assemelha com outra adaptação da DC, a finada Smallville. A versão jovem do Superman sofria com personagens que conversavam somente pra explicar o óbvio e expor pensamentos e sentimentos da forma mais didática possível. Em determinado momento, Oliver chama sua irmã Thea (Willa Holland) de ‘Speedy’, numa referência ao parceiro do personagem nos quadrinhos, chamado no Brasil de Ricardito. Até aí, ótimo. O problema está quando ele explica o apelido. Soa artificial, uma desculpa boba. A referência não para por aí, e, verdade seja dita, uma das boas coisas dessa versão, a garota tem um problema com drogas, num reflexo a uma das mais populares histórias do Arqueiro. Outros personagens das HQs como Constantine Drakon (Darren Shahlavi) e Merlyn (Collin Donnell, aqui um amigo de Oliver, pelo menos por enquanto) aparecem para agradar os fãs, que provavelmente se empolgaram mais com a máscara do Exterminador e com o Juíz Grell, numa homenagem à Mike Grell, responsável por transformar o Arqueiro Verde num personagem mais complexo e adulto em publicações do final dos anos 80.

O elenco principal (com rostos bem populares pra quem assiste séries de TV) também não compromete, mas todos sofrem com o desenvolvimento pífio. A maioria é jogada na história sem mais nem menos (o segurança John Diggle, interpretado por David Ramsey, por exemplo) sem gerar empatia com a audiência a ponto de despertar alguma atenção. Essa função fica com as cenas de ação, realmente o ponto alto do programa. Muito bem coreografadas, lutas e perseguições em telhados saltam aos olhos. Mas por enquanto é só. Resta saber se a trama vai ficar mais interessante nos próximos episódios e também se a qualidade dos momentos mais agitados será mantida. A flecha chegou bem perto do alvo, mas pra todo arqueiro persistente e que aprende com os erros, existe a possibilidade do acerto.

Alexandre Luiz

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4 comments

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    Tiago Lamonica Batista 12 outubro, 2012 at 05:19 Responder

    Eu gostei bastante do episódio, acho que pode sair algo bem bom dai.

    Quanto aos erros ou defeitos citados tenho que concordar, realmente muita coisa ficou superficial, uma pena, mas creio que pode ser corrigida, afinal 42 minutos pra mostrar pra que a série venho realmente foi pouco tempo.

    O maior problema pra mim, chega no final do episódio, creio que o lance da mãe traira é muito caso da semana de Hawaii, CSI e etc. Espero que mudem meu pensamento sobre isso.

    Bora torcer pra série ir pra frente, e durar pelo menos os cinco anos que criador da série quer, e que deixa claro isso no propio piloto, dizendo que Olie passou cinco anos na ilha (Lost uuuuu). Ótimo texto Alex!

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      José Guilherme 12 outubro, 2012 at 12:30 Responder

      Cara concordo com você e com o Alex em certos pontos, mas confesso que não esperei um desenvolvimento melhor, pois apesar dos elogios que a série vem ganhando nos últimos meses continua sendo uma produção da CW, e vai ter sempre como alvo principal o público adolescente.

      Eu também achei bem expositivo esse lance da mãe, era como seu quisessem que a série tivesse muitos twists no episódio e não funcionou tão bem.

      As piadas foram excelentes, ri muito com a de Lost e a de Crepúsculo, e no mais a expectativa continua alta.

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    José Guilherme 12 outubro, 2012 at 12:35 Responder

    O que eu conheço do Arqueiro-Verde começou com Smallville, só fui atrás das HQ´s dele quando Oliver Queen aparaceu na série, mas já fiquei feliz com a escolha para o ator, como você bem apontou Alex, a dedicação do Stephen Amell é notável.

    Problemas de roteiro comuns a séries da CW, como exposição demais, twists desnecessários (que podiam sim ser segurados por mais tempo para evitar o clima corrido) não me irritaram tanto, eu já sabia que isso iria acontecer.

    O ponto alto mesmo foi as cenas de luta e a clara construção do episódio (muito semelhante ao Batman Begins), gostei dos atores também e da ambientação (foge bem do artificial), tomara mesmo que a série engrene. Ótimo texto.

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    Alynne Carvalho 14 outubro, 2012 at 23:17 Responder

    Eu gostei bastante do episódio. Em se tratando de CW, não esperava algo que fosse mudar a história das séries, o que também não quer dizer que engulo algo medíocre. Portanto, fui preparada.
    E justamente por isso, acho que Arrow mandou muito bem nesse piloto. Gostei da escolha do ator, as ambientações estavam bem bacanas, as cenas de ação e, no geral, senti um clima agradável ao assistir, sem ter que procurar um "Por quê" pra gostar do que via, pois foi algo que surgiu espontaneamente.
    A série conseguiu ter aquele clima adolescente, típico do canal, não podemos negar (alô, Smallville), mas ao
    mesmo tempo conseguiu mostrar um certo ar mais adulto.
    Ainda batendo na tecla CW, como Guilherme falou, twists desnecessários, exposição demais não me incomodaram. Eu, pelo menos, já esperava.
    Acho que pode sair algo muito bom disso tudo, e tenho boas expectativas quanto a isso.

    No mais, parabéns pelo texto, Alexandre!

    P.S.: Séries cheias de referências tem tendências fortes a me ganhar. haha

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