O Poderoso Chefão Parte III: A tentativa de Coppola em mostrar o clero como tão sujo quando a Máfia

Em meio a dívidas mil e críticas a sua filha, Francis Ford Coppola faz O Poderoso Chefão: Parte III, o mais criticado e injustiçado da trilogia

O Poderoso Chefão: Parte III é um marco do cinema para o bem e para o mal. Sequência tardia da saga sobre a influência da máfia ítalo-americana nos Estados Unidos, acaba sendo o fim de uma saga épica sobre Michael e a família Corleone, que em suma, é bem mais criticada e avacalhada do que merece.

Dirigido, produzido e co-escrito novamente por Francis Ford Coppola, escrito também por Mario Puzo, a obra tem como produtores executivos Fred Fuchs e Nicholas Gage, tem como coprodutores Gray Frederickson, Charles Mulvehill e Fred Roos, além de Marina Gefter como produtora associada.

Lançado em 1990, 16 anos depois de O Poderoso Chefão Parte II, dessa vez a trama mostra um Michael Corleone envelhecido, com um visual diferente até no penteado, mais fraco, combalido, cada vez mais vestindo o traje do herói falido.

Tal qual um anjo que foi expulso do paraíso, o personagem de Al Pacino tenta organizar os espólios dos Corleone, já embicando as ações e negociatas com legalidade dessa vez, envolvendo até a ação da igreja católica via Vaticano, enquanto uma trama diferenciada ocorre com os seus herdeiros, envolvendo sua filha e seu sobrinho bastardo.

Além da questão de ter um protagonista já cansado, com seus 60 anos de idade, a fita ainda sofreu com diversas questões, especialmente pela presença dos coprotagonistas, Andy Garcia, que era uma estrela em ascensão e tem seus bons momentos, além da atriz e futura diretora (talentosa) Sofia Coppola, a filha do realizador, que foi brutalmente perseguida, especialmente pela participação em tons dramáticos.

Detalhes curiosos

Esse é o filme mais curto da trilogia O Poderoso Chefão e recentemente, recebeu uma reedição bem elogiada, chamada O Poderoso Chefão Desfecho: A Morte de Michael Corleone, também conhecida como Godfather Coda: The Death of Michael Corleone.

Esse foi o primeiro e único capítulo da trilogia filmado no formato Super 35.

A obra é dedicada a Charlie Bluhdorn, que foi o fundador da Gulf+Western, empresa que adquiriu a Paramount Pictures em 1966. Ele tentou manter o estúdio à tona após o fracasso desastroso de Lili, Minha Adorável Espiã de 1970, realizando algumas transações duvidosas com a empresa italiana Società Generale Immobiliare International (SGI). Para Coppola, sem os esforços de Bludhorn, a saga de Puzo jamais existiria.

A base da trama

O filme é parcialmente baseado nas descobertas do livro In God’s Name, de David Yallop, publicado em 1984.

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O livro fala sobre o papa dos 30 dias, João Paulo I, que também teve apenas 33 dias no cargo e que faleceu em 1978.

Ele aparece retratado no filme e existem teorias da conspiração de que ele foi morto pela maçonaria.

Sem Coppola

A Paramount tentou produzir o filme por muitos anos sem Francis Ford Coppola, que havia se recusado a fazer outra sequência.

Cerca de doze roteiros foram escritos e a maioria incluía a família Corleone sendo liderada por Anthony, filho de Michael, enfrentando a CIA, o governo cubano de Fidel Castro ou cartéis de drogas sul-americanos.

Um rascunho de 1978, escrito por Mario Puzo, mostrava Anthony Corleone sendo recrutado pela CIA para assassinar um ditador latino-americano.

Dean Riesner de (Dirty Harry: Perseguidor Implacável e O Homem que Burlou a Máfia) também escreveu uma versão baseada nas ideias de Puzo.

Roteiros também foram escritos pelos produtores da Paramount Michael Eisner e Don Simpson. O filme chegou até a ganhar data de lançamento, para o Natal de 1980.

Esses roteiros foram descartados quando Coppola decidiu trabalhar no roteiro com Puzo, mas ele abandonou o projeto.

Young Francis Ford Coppola

Em 1986, Puzo escreveu outro roteiro com o produtor Nicholas Gage que apresentava Vincent Mancini, filho ilegítimo de Sonny Corleone, além de mostrar a juventude de Sonny. Durante um bom tempo se cogitou que O Poderoso Chefão Parte IV seria nesse mesmo formato.

A Paramount considerou vários diretores, como Martin Scorsese, Warren Beatty, Sidney Lumet, Costa-Gavras (que também foi cogitado para dirigir O Poderoso Chefão de 1972) Alan J. Pakula, Robert Benton, Michael Cimino, (que havia adaptado O Siciliano, também baseado num livro de Puzo) Michael Mann, James Bridges, Philip Kaufman e Lewis John Carlino.

Richard Brooks, Alexander Jacobs e Vincent Patrick também estão entre os roteiristas que escreveram versões de roteiro rejeitadas para o filme.

Com Sly

Em certo momento, chegaram perto de contratar Sylvester Stallone para dirigir e estrelar como Anthony Corleone, após o sucesso de bilheteria de Os Embalos de Sábado Continuam em 1983.

O plano da Paramount era nos meados dos anos 1980 Sly escreveria o roteiro e John Travolta interpretaria Anthony, filho de Michael Corleone.

Godfather III” Almost Starred Sylvester Stallone and John Travolta, with  Stallone Directing – Craig Zablo's StalloneZone

Outra ideia

Segundo o livro The Godfather Companion, de Peter Biskind, um roteiro de 1985 coescrito por Thomas Lee Wright e Nick Marino incluía um personagem baseado no traficante Leroy “Nicky” Barnes.

Quando o roteiro foi brevemente considerado, Wright convenceu Eddie Murphy a aceitar o papel e Murphy teria dito que atuaria em O Poderoso Chefão até de graça.

Dívidas

Coppola fez este filme como parte de uma tentativa de lidar com seus problemas financeiros pessoais e os do seu estúdio.

O estúdio Zoetrope acumulou dívidas após o fracasso comercial de O Fundo do Coração em 1981, outra razão foi que a Paramount Pictures concordou em cobrir a maior parte do orçamento do filme anterior de Coppola, Tucker: Um Homem e Seu Sonho.

A Paramount aprovou o filme com um orçamento de 56 milhões de dólares sob condições rígidas: o diretor receberia 1 milhão de dólares para escrever, produzir e dirigir; a versão final do filme não poderia ter menos de duas horas e vinte minutos; e quaisquer despesas adicionais não seriam cobertas pelo estúdio.

Epílogo

Coppola via o filme como o equivalente cinematográfico de uma coda musical - que é a seção final de uma composição que sinaliza o encerramento, agindo como uma conclusão definitiva, ou um epílogo.

Ele queria que se chamasse The Death of Michael Corleone, mas o estúdio insistiu em Parte III.

Insatisfeito

O diretor admitiu certa vez que ainda estava insatisfeito com o resultado final, devido à falta de tempo para escrever o roteiro.

Segundo ele, queria US$ 6 milhões como pagamento pelos cargos de roteirista, produtor e diretor, além de 6 meses para escrever o roteiro.

Teve apenas 6 semanas para trabalhar no roteiro, para cumprir o lançamento no Natal de 1990.

Ele também lamentou que o personagem Tom Hagen tivesse sido excluído, porque o estúdio se recusou a atender às exigências financeiras de Robert Duvall.

Segundo Coppola, com a ausência de Hagen, faltava ao filme um personagem essencial e um contraponto para Michael Corleone.

Estreia e nomenclatura

A obra estreou primeiramente em 20 de dezembro de 1990, em Beverly Hills, California, em uma premiere. No resto dos Estados Unidos, chegou em 25 de dezembro de 1990.

As primeiras cópias do filme foram escoltadas, algemadas a um agente do FBI, até os cinemas. Na época, já era muito comum que filmes fossem roubados antes do lançamento e vendidos no mercado negro antes mesmo da primeira exibição pública.

Na Itália chegou em 8 de março de 1991, enquanto em Portugal e no Brasil dia 15 de março de 1991.

Restauração

Ao contrário de algumas propagandas, este não recebeu uma restauração extensa no projeto Francis Ford Coppola Restoration da American Zoetrope em 2008.

Em vez disso, recebeu uma remasterização mais tradicional, provavelmente por ser relativamente recente.

O título original é The Godfather Part III ou com o nome completo Mario Puzo's The Godfather: Part III.

The Godfather 3” Will Be Re-Cut And Reissued! A Neglected Masterpiece Or  Disappointing Last Chapter? “Cult Movie Monday” Has Details! | johnrieber

O nome de trabalho foi The Death of Michael Corleone.

Na Albânia é Kumbari: Pjesa 3, na Argetina é El padrino (parte III) na Itália é Il padrino - Parte III e em Portugal é O Padrinho: Parte III.

Locações e gravações

O filme foi rodado entre novembro de 1989 e abril de 1990.

A maior parte das gravações foi em Nova York.

Em Manhattan se filmou no Park Avenue, no Mare Chiaro bar "Toni's nut house" - 179 Mulberry Street, Old St Patrick's Cathedral - 264 Mulberry Street, St Patrick's Cathedral na Fifth Avenue, China Bowl - 152 W. 44th. Street, 956 5th. Avenue, Waldorf-Astoria Hotel - 301 Park Avenue e em Elizabeth Street em Lower East Side.

Já em Nova Jersey se gravou na Trump Castle Casino Resort - Huron & Brigantine Boulevard, em Atlantic City, que é a cena do helicóptero. 

Durante essas filmagens, George Lucas passou um dia no set enquanto visitava seu amigo Ford Coppola.

Na Itália se gravou na Church of Santa Maria della Quercia em Viterbo, na cena de confissão de Michael.

Basilica of Santa Maria della Quercia, Viterbo - Wikipedia

Em Roma se gravou na Bridge of Castel S. Angelo, na Ponte Sant'Angelo, que é onde aparece um corpo pendurado.

Já a cena da fumaça papal foi no Palazzo Farnese, em Caprarola, Viterbo.

Também houveram cenas no Cinecittà Studios.

Na Sicília, em Catania, se grava na Villa La Limonaia, Acireale em Catania, que é a vila de Altobello, também na Strada Provinciale 78, em Nunziata e no Castello Degli Schiavi, Fiumefreddo di Sicilia, Catania, Sicília, Itália

Ainda na Sicília mas em Palermo se gravou na Villa Malfitano - 167 Via Dante, Teatro Massimo,

Em Messina se gravou em Taormina, Forza d'Agrò. Em Erice Chiesa di Sant'Orsola, em Trapani rodaram cenas em Segesta, Calatafimi-Segesta.

No Vaticano se gravou em St. Peter's Basilica, mesmo que o governo local tenha recusado a entrada da equipe de filmagem.

Os estúdios que fizeram a obra foram a Paramount Pictures, que fez o presents e  a Zoetrope Studios.

A Paramount Distribution lançou nos Estados Unidos e na maior parte do mundo.

Quem Fez

Coppola trabalhoui com Roger Corman, no início de carreira, tanto que o colocou em um papel de senador, no julgamento presente em O Poderoso Chefão Parte II.

Junto a ele fez Sombras do Terror, onde não foi creditado como diretor, além de Demência 13, que é uma variação e imitação de Psicose mas que possui seus desdobramentos únicos.

Antes de O Poderoso Chefão fez Agora Você é um Homem, O Caminho do Arco-Íris, depois fez A ConversaçãoApocalypse Now, Vidas Sem Rumo, O Selvagem da Motocicleta, Cotton Club.

Após O Poderoso Chefão Parte III fez o terror escalafabético Drácula de Bram Stoker, também Velha Juventude, Tetro e Virgínia, esses três últimos, sem grande sucesso comercial.

Recentemente, entregou Megalopolis.

Puzo é escritor, tendo concebido A Guerra Suja, O Imigrante Feliz, O Chefão - a forma como se chamava The Godfather na primeira edição brasileira - Os Tolos Morrem Antes, O Quarto K, Omertá, A Família e Os Bórgias.

Mario Puzo wrote 'The Godfather' to get out of debt — and made bank

No cinema escreveu Terremoto, O Poderoso Chefão parte 1 e 2, Superman: O Filme, Superman II: A Aventura Continua, Cristóvão Colombo: A Aventura do Descobrimento e a versão Donner's Cut de Superman II.

Entre obras baseadas em seus livros, foram feitos A Morte Pede Vingança baseado em Six Graves to Munich e O Siciliano baseado no livro homônimo.

Oferta para Pacino

Pacino recebeu uma oferta de US$ 5 milhões para reprisar seu papel como Michael, mas ele queria mais, em torno de 7 milhões além de uma porcentagem da bilheteria.

Coppola recusou, ameaçou reescrever o roteiro começando a história com o funeral de Michael, em vez da introdução do filme, então o ator recebeu a quantia que era mais de 100 vezes o salário do primeiro filme, que foi de 35 mil dólares.

O ator ainda declarou que não concordava com a forma como Michael foi retratado no filme. Ele não acreditava que Michael jamais sentiria arrependimento ou remorso por suas ações, especialmente pelos assassinatos que sugeriu.

A questão Duvall

Muito se fala a respeito da ausência de Tom Hagen e uma das correntes mais defendidas é que o roteiro original centrava-se no advogado irlandês e Michael.

Tom seria um informante, então Duvall leu o roteiro, percebeu o tamanho do seu personagem mas que não acompanhava um aumento de salário em relação ao filme anterior.

Robert Duvall's Tom Hagen Didn't Return for 'The Godfather Part III,' and  Francis Ford Coppola's Crime Epic Suffered for It

Ele pediu mais cachê, mas a Paramount recusou e mandou reescrever o roteiro sem Tom. Nessa versão, Michael morria em um acidente de carro no final.

Duvall recusou os US$ 1 milhão que o estúdio havia oferecido para que ele recriasse seu papel como Tom Hagen, que era inferior ao de Pacino e de Diane Keaton que recebeu US$ 1,5 milhão.

Sobre essa questão financeira, Duvall se defendeu explicando que ganhar dinheiro era o único motivo para produzir outro filme de O Poderoso Chefão depois de tantos anos, por isso exigiu o que achava que lhe era de direito.

Coppola achava que o filme estava “incompleto” sem a participação de Robert Duvall.

A Paramount reformulou e alterou o papel para que George Hamilton interpretasse o advogado B.J. Harrison.

Zasa

Joe Spinell, que interpretou Willi Cicci nos dois outros filmes iria reprisar seu papel, mas morreu antes do início da produção.

Uma versão anterior do roteiro tinha Cicci trabalhando para novos personagens, os irmãos Russo. Os três personagens acabaram sendo combinados em Joey Zasa.

Também é amplamente veiculado que Zasa foi modelado a partir do chefe da família Gambino, John Gotti. o personagem presente em Gotti: No Comando da Máfia e em diversas outras obras,

Mas também se diz que há elementos de Joe Colombo e Joe Gallo.

Colombo organizou uma liga ítalo-americana que, na prática, tentava impedir investigações do FBI e acabou baleado em um comício, como é mostrado na série biográfica The Offer.

Gallo estava supostamente ligado ao ataque contra Colombo, era conhecido por recrutar negros e latinos e conviver com celebridades de Hollywood e da Broadway, prática essa parecida com a do personagem de Joe Mantegna.

O nome do personagem se dá em homenagem à avó materna de Francis Ford Coppola, cujo sobrenome de solteira era Zasa. Já Lou Pennino recebeu esse nome em homenagem ao avô de Coppola, Francesco Pennino.

Mickey Rourke foi cogitado para o papel, mas perdeu por ser "pouco italiano". Dennis Farina e John Turturro também foram considerados, Stallone recebeu a oferta do papel, mas recusou.

A maior das polêmicas

Boa parte das críticas negativas a respeito de O Poderoso Chefão: Parte III foi a escalação de Sofia Coppola, a filha do diretor, para um papel tão importante como o de Mary Corleone, mas a realidade é que ela não seria a opção número um.

A princípio seria Winona Ryder quem faria o papel, a mesma que fez Mina Murray na versão de Drácula de Coppola, mas ela saiu.

Essa retirada causou grande repercussão no set e na mídia. Ryder foi de fato ao set, chegou a Roma dois dias após concluir o trabalho em Minha Mãe é uma Sereia, em Massachusetts, mas desmaiou em seu quarto de hotel e acabou sendo diagnosticada com exaustão.

How Winona Ryder Accidentally Helped Doom The Godfather 3

Após sua saída, surgiram várias manchetes afirmando que ela estaria grávida, que teria tido um colapso nervoso, que drogas estariam envolvidas, que seu então namorado Johnny Depp estaria tendo um caso e a deixando instável, ou que Depp a teria convencido a deixar o filme para atuar em Edward Mãos de Tesoura.

Ryder foi ameaçada com processos judiciais por várias partes, incluindo a Paramount Pictures e recebeu muito apoio e empatia do elenco, incluindo Diane Keaton e Al Pacino, que checaram seu estado diversas vezes durante aquelas semanas.

Quando Ryder deixou o filme, Laura San Giacomo (Sexo, Mentiras e Videotapes) e Linda Fiorentino (Depois de Horas) foram consideradas para o papel, antes de Francis Ford Coppola decidir por sua filha.

Ele teve que reescrever o roteiro para adaptar a idade da personagem à de Sofia, já que a personagem era mais de cinco anos mais velha. Sofia tinha apenas dezenove anos e demonstrou receio em assumir o papel, pois estava na faculdade na época e tinha pouca experiência como atriz, mas acabou aceitando o pedido do pai, já que a produção estava atrasada.

Rebecca Schaeffer (A Era do Rádio) estava cotada para interpretar Mary, mas foi tragicamente assassinada no dia em que receberia o roteiro deste O Poderoso Chefão: Parte III.

Também se falou em Fairuza Balk que foi considerada jovem demais - era três anos mais jovem que Sofia - Julia Robert, que preferiu estrelar Uma Linda Mulher, também Madeleine Stowe que foi sugerida para o papel de na época em que Coppola já queria escalar alguém mais jovem.

Annabella Sciorra também foi considerada para o papel e Madonna fez campanha pelo papel, chegando a se reunir com Francis Ford e Robert De Niro, mas foi descartada graças a sua idade, já que era mais que balzaquiana em 1990. Foi-lhe oferecido o papel de Grace Hamilton, mas ela pediu dinheiro demais para um papel tão pequeno, que acabou com Bridget Fonda.

O desejo de Sofia

Como dito, não era da vontade de Sofia Coppola estrear como atriz assim, inclusive não há sequer certeza se ela desejava atuar, visto que anos mais tarde, viraria roteirista e realizadora. 

Ela sempre se interessou por produção e direção, aliás, seus irmãos também seguiram nessa toada, já que Roman Coppola dirige clipes e trabalha com e em parcerias com Wes Anderson como Moonrise Kingdoom, Ilha dos Cachorros e Asteroid City, enquanto seu finado irmão Gian-Carlo Coppola teve pequenos papéis em filmes do pai, mas era produtor associado em Vidas sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta, antes de falecer tragicamente em 1986.

Ela só aceitou o papel como um favor pessoal ao pai, que estava desesperado para encontrar uma substituta após a saída de Winona Ryder e já não havia tempo para novos testes.

Sofia afirmou que a recepção negativa à sua atuação “não a afetou”, disse ao The Times não era seu sonho ser atriz, por isso não ficou arrasada, pois tinha outros interesses.

Mesmo durante as filmagens, Sofia estava muito consciente das críticas que recebia na imprensa por ser filha do diretor e ter conseguido um papel importante.

Ela era encarada como alguém distraída e abalada enquanto tentava se concentrar na atuação.

No set, a substituição de Ryder por Sofia Coppola foi uma escolha divisiva entre o elenco, e mais de um ator importante teria ameaçado deixar o filme.

Sofia Coppola Secretly Played Another Character In The Godfather 18 Years  Before Part III - IMDb

A moça teve de redublar cerca de 20% de seus diálogos originais para o corte final, após uma exibição inicial desastrosa para a imprensa de Nova York em 12 de dezembro de 1990, na qual muitos críticos destacaram sua atuação de forma agressiva.

Segundo uma entrevista à Entertainment Weekly no mês seguinte, ela disse que seus maiores desafios vocais foram evitar seu sotaque de “valley girl”, além de pronunciar corretamente o nome Corleone.

Al Pacino teria dito à Sofia Coppola, que estava insegura: “Quando você sentir vontade de atuar, deite e espere passar”.

"Prêmios"

Por sua atuação amplamente criticada neste filme, Coppola ganhou dois prêmios Razzie como Pior Atriz Coadjuvante e Pior Revelação.

Na época, a atuação também estabeleceu um novo recorde de porcentagem de votos recebidos por qualquer ator ou atriz na história do Golden Raspberry Awards, o Framboesa e de Ouro. Em um grupo de cinco indicados, ela recebeu mais de 65% dos votos dos membros do Razzie em ambas as categorias.

Família

Sofia Coppola é o quinto membro da família de Ford Coppola a participar da série.

Talia Shire, irmã de Francis, interpretou a irmã de Michael, Connie, inclusive nesse. Italia Coppola, mãe de Francis, interpretou a tia de Michael durante a cena do funeral em O Poderoso Chefão: Parte II, Roman Coppola, interpretou o jovem Sonny em O Poderoso Chefão 2 e o pai de Francis, Carmine Coppola é o homem que toca piano durante a montagem da guerra entre as famílias em O Poderoso Chefão.

Além disso, Diane Keaton disse que baseou sua atuação como Kay em Eleanor Coppola, já que ambas são protestantes que se casaram com uma grande família ítalo-católica.

Oscar

Foi a primeira vez que um terceiro filme de uma série foi indicado ao Oscar de Melhor Filme.

Também é a única vez que um ator foi indicado por atuar no terceiro filme de uma série. com Andy Garcia, indicado a Melhor Ator Coadjuvante.

Esta é a primeira de apenas duas trilogias em que todos os três filmes foram indicados ao Oscar de Melhor Filme. A outra é a trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson.

Esse também foi o único filme da trilogia a não vencer o Oscar de Melhor Filme, nem a ser selecionado para preservação no National Film Registry.

No entanto, esse é o único filme da trilogia que não rendeu a Al Pacino uma indicação ao Oscar ou ao BAFTA. Ainda assim, Pacino recebeu indicações ao Globo de Ouro por sua atuação.

Caso Pacino tivesse sido indicado também por este, teria sido o único ator da história a receber três indicações ao Oscar interpretando o mesmo personagem.

Nesse ano, Pacino foi indicado por seu papel coadjuvante em Dick Tracy e a revista Variety escreveu que ele pode ter sido vítima de divisão de votos: frequentemente indicado e ainda sem vitória na época.  Ele venceria por Perfume de Mulher em 1992.

Esse aliás é o quinto filme a receber indicações tanto ao Oscar quanto ao Framboesa de Ouro em categorias de atuação, depois de Glória (1980) O Doce Sabor de um Sorriso (1981) Yentl (1983) e Wall Street – Poder e Cobiça (1987).

Keaton e Pacino como casal

Al Pacino e Diane Keaton namoraram, com idas e vindas, por vários anos depois de fazerem o primeiro filme juntos, terminando definitivamente quando Keaton queria um relacionamento sério e duradouro e Pacino não.

Isso gerou certa tensão quando eles chegaram ao set de O Poderoso Chefão: Parte III.

The Godfather Part III (1990)

Assim como seus personagens, eles conseguiram superar os problemas do passado.

Na vida real, porém, isso envolveu Keaton viajar de volta a Nova York com Pacino para o funeral da avó dele, que morreu durante a produção.

Sinatra

Devido à popularidade dos dois primeiros filmes de O Poderoso Chefão, Frank Sinatra voltou atrás em sua posição anti-Godfather e demonstrou interesse em interpretar Don Altobello.

Ele perdeu o interesse por causa do tamanho do cachê oferecido e o personagem acabou ficando com Eli Wallach.

Coincidentemente, Sinatra conseguiu seu papel em A Um Passo da Eternidade quando Wallach desistiu por conflitos de agenda com uma peça da Broadway.

Diz a lenda que Sinatra usou ligações com a máfia para conseguir o papel que seria de Wallachi, o que inspirou o subplot de Johnny Fontane em O Poderoso Chefão.

Edição

Este é um dos quatro filmes que renderam a Walter Murch uma indicação ao Oscar de montagem e foi editado em um formato diferente de edição, usando a máquina flatbed KEM.

Narrativa

Pela casa de Nevada, a câmera passeia, mostra o cais abandonado, a parte de dentro está ainda mais deteriorada.

O que um dia foi o lar de Michael e sua família é agora um lugar abandonado, povoado pelas péssimas lembranças, que envolvem até a morte de Fredo Corleone.

Originalmente o longa começaria com a cena de Michael negociando com o cardeal do Vaticano. Depois decidiu-se abrir com uma narração de Michael, e a cena original foi deslocada para mais tarde no filme.

A versão sem cortes dessa cena (em que falam do imperador Constantino) aparece como extra em DVD.

A trama começa em 1979, com uma carta, do pai falando com Mary e Anthony, sobre uma solenidade que envolverá o pai, que os ama, mesmo estando sete anos distante deles.

Ele pede que convençam a mãe deles, Kay Adams, a também ir.

Lembranças

Enquanto recebe a bênção do padre, aparece em destaque os últimos momentos de Freddy, o personagem de John Cazale, justo em uma reza, e uma oração.

Na altura das gravações, já havia falecido há tempos, tragicamente perdendo a vida em 1978 por conta de um câncer no pulmão.

Essas imagens do complexo dos Corleone foram originalmente filmadas para O Poderoso Chefão: Parte II, são na verdade descartes reaproveitados, já que não estiveram na versão final, mas estiveram nos créditos iniciais de O Poderoso Chefão: O Épico, a versão estendida que reunia os dois primeiros filmes, lançada em 1977.

Com pesar, Michael recebe a medalha de São Sebastião.

The Godfather, Part III Revisited – The Jagged Word

A Ordem de São Sebastião mostrada no filme é fictícia, mas lembra a Ordem de São Silvestre, uma condecoração real do Vaticano.

Também existe uma ordem honorária de São Sebastião para veteranos católicos de guerra — algo que Michael Corleone poderia teoricamente receber.

Enquanto ele é homenageado, chegam bandidos, seu fiel companheiro - praticamente um consiglieri - Al Neri, de Richard Bright, também os mafiosos de Nova York.

Nos rascunhos anteriores do roteiro incluíam o personagem Rocco Lampone mostrando que ele sobreviveu ao tiro no final de O Poderoso Chefão: Parte II, mas preferiu-se manter ele nulo, fato que reforça a teoria de que Michael considerava ele um traidor

Também aparece em destaque Kay Adams, de Diane Keaton e seu novo namorado Douglas Michelson (Brett Halsey). Os dois acabariam posando para a foto familiar, justo ao lado de Anthony, o filho mais velho de Michael, que aqui é feito por Franc D'Ambrosio.

The Godfather Part III (1990)

Festa

Em uma casa italiana, Constanza "Connie" Corleone canta músicas tradicionais da Itália, inclusive Eh, Cumpari, música que foi um enorme sucesso em 1953 na voz de Julius LaRosa, divulgada pelo famoso apresentador de rádio e TV Arthur Godfrey. LaRosa fez tanto sucesso que acabou sendo demitido ao vivo por Godfrey por ter se tornado grande demais, depois, passou a aparecer no programa rival de Ed Sullivan.

Eh, Cumpari é uma canção italiana bem-humorada sobre tocar vários instrumentos, chegou ao nº 1 na Cashbox e nº 2 na Billboard, rendendo a LaRosa o prêmio de melhor cantor revelação masculino de 1953.

Essa ideia conversa com um dos temas centrais do roteiro, que é tirar a família Corleone das sombras e levá-la ao mundo legítimo, ora, cantores como LaRosa, Dean Martin e Perry Como ajudaram a normalizar a imagem positiva dos ítalo-americanos e da cultura italiana nos anos 1950, tornando a Itália uma das mais populares e românticas da década.

Também é tocada Cuban Rhapsody, a mesma melodia cantada por “Yolanda”, a cantora do clube na cena de Ano-Novo no segundo filme.

Talia Shire escolheu basear sua versão e maquiagem em Gloria Swanson como Norma Desmond em Crepúsculo dos Deuses.

10 Best Characters In The Godfather Trilogy, Ranked

Entre tantos convidados há Don Altobello, parte da família, também Vincent Mancini (Garcia), além de Mary, que está em destaque, dando em cima desse rapaz, que é seu primo ilegítimo, mas ainda de primeiro grau.

Um personagem pequeno, mas proeminente é o assessor de imprensa Dominic Abbandando, feito por Don Novello, que é neto do antigo consiglieri, Genco Abbandando e que tem proximidade de Michael e dos negócios da família muito além apenas do contato com repórteres e jornalistas.

Ele é como um cão de guarda, a face positiva e falante da família, mas não apenas isso, visto que enquadra quem se aproxima com segundas intenções.

A lógica de Coppola é fugir da obviedade e didatismo, primeiro mostra os personagens para só depois apresentar eles.  Mary por exemplo, apareceu na igreja, mas teve ribalta mesmo quando é apresentada como presidenta da Fundação Vito Corleone.

Quem de fato é destacado e anunciado é o arcebispo Gilday (Donal Donnelly) que recebe um cheque de 100 milhões de dólares, para os desafortunados da Itália.

Donnelly já era conhecido de Coppola, que anos antes quis escalá-lo como o duende em O Caminho do Arco-Íris.

The Godfather Part III (1990)
Donelly ao lado de Pacino e de John Savage

Albert Finney, Marcello Mastroianni, Philippe Noiret e Gian Maria Volontè foram considerados para o papel do arcebispo Liam Francis Gilday.

Nesse interim aparece também o cantor e ator Johnny Fontane (Al Martino) já idoso, tentando puxar a atenção de Michael, cantando sua suposta canção favorita.

Ele é brutalmente ignorado e até substituído, visto que logo depois é dito que o filho do Don Corleone, Anthony, tem intenção de ser cantor, mas diferente de Johnny, que fazer ópera.

Bastardo!

Já Vincent, ou Vinnie Mancini, é na verdade filho bastardo de Santino "Sonny" Corleone, com a dama de honra de Constanza, a senhorita Lucy Mancini, personagem de Jeannie Linero.

Segundo Coppola, os atores que disputaram o papel de Vincent incluíam Alec Baldwin, Nicolas Cage (sobrinho de Coppola) Tom Cruise, Matt Dillon, Val Kilmer, Charlie Sheen, Vincent Spano, Luke Perry e Billy Zane.

Quando o filme foi lançado, alguns comentaram que Andy Garcia parecia “hispânico demais” para interpretar Vincent.

Sobre Lucy

No romance original, Lucy Mancini diz a Tom Hagen que não está grávida após a morte de Sonny Corleone.

Em uma trama posterior que nunca chegou aos filmes, Lucy se envolve com Johny Fontane e casa com um médico. 

Reencontro e o visual de Michael

Kay e Michael se reúnem depois de oito anos de distância. Ao ser elogiada, mas diz que só está lá pelo filho, que quer conversar com o pai.

Ela parece fuzilar o ex-marido com o olhar, graças claro ao seu interior, ao seu caráter e intenções, a despeito de seu novo visual..

Em 2020, Coppola revelou que sua decisão na pré-produção de cortar o cabelo de Michael Corleone para um estilo curto grisalho causou revolta no set.

The Godfather III: Francis Ford Coppola says cutting Al Pacino's hair was  'moment of no return' for sequel | The Independent

Dick Smith e Diane Keaton eram contra cortar o corte, Smith se demitiu por causa disso, o que encerrou nossa relação. Ele nunca mais falou comigo.”

Smith trabalhou inicialmente na pré-produção de 1989, criando testes de maquiagem de envelhecimento para Michael com próteses e cabelo mais longo, mas a ideia foi rejeitada.

Segundo ele, seria um visual mais suave e romântico, menos “mafioso”.

Pacino sempre preferiu cabelo longo e já havia sido difícil convencê-lo a cortar nos filmes anteriores. Smith deixou o projeto quando Coppola abriu mão das próteses também, sem grande discussão com a equipe de maquiagem.

Anthony x Michael

O filho mais velho, Anthony, não quer ser advogado, mas sim deseja ser cantor.

A conversa se dá em um escritório, que coincidentemente lembra a sala de Don Vito no primeiro capítulo.

Michael não aceita isso, acha que ele deve ao menos terminar a faculdade de direito, para ter um seguro e eventualmente, trabalhar com ele, mas Tony diz que não quer trabalhar com ele, pois tem más lembranças.

O papel de Anthony, o filho cantor de ópera de Michael e Kay, ficou com Franc D’Ambrosio após uma busca mundial que envolveu mais de duzentos atores e tenores.

Ele se tornaria mais conhecido por interpretar o papel-título no musical O Fantasma da Ópera em cerca de 2.300 apresentações.

Confronto

Kay enfrenta Michael, depois do confronto do filho, diz que ele sabe quem matou Freddy e considera aquela cerimônia completamente fajuta.

Diz ter medo dele, não nutre ódio, mas tem medo do pai de suas crianças. Ele é um homem sozinho, que deseja recomeçar, especialmente pelo amor dos filhos.

Segundo Adams, Mary o ama muito, Tony também, mas ele quer liberdade, para ser o que quer. Enquanto fala seus planos, Michael está sob luz fraca, no escuro.

Ele está na lama, mas não literalmente, está mal e na lama da alma.

Vinnie e a jornalista

Vincent se aproxima de uma bela moça, Grace Hamilton, uma jornalista, repórter, interpretada por Bridget Fonda, atriz que fez teste para o papel de Mary Corleone antes de ser escalada para essa função.

Diane Lane e Virginia Madsen foram consideradas para o papel de Grace Hamilton. Ela está infiltrada na festa, fica claro que é da imprensa.

Ainda assim ele mostra a casa e as dependências dela, até comenta dos mafiosos da festa, de Joey Zaza e seu fiel escudeiro, Anthony 'The Ant' Squigliaro, o Formiga, feito por Vito Antuofermo:

Zaza é feito por Mantegna, que fez Bugsy, O Último Chefão e é dublador de Tony Gordo, o criminoso mafioso de Springfield, em Os Simpsons, inclusive no episódio Moe Baby Blue” (2003) Fat Tony chora dizendo: “Eu não chorava assim desde que paguei para ver O Poderoso Chefão 3”.

Favores

Os presentes na festa pedem favores, para eleição de Sam Wallace, um juiz (sempre precisam de um juiz) tal qual ocorreu no casamento de Connie com Don Vito.

Nesse interim, leva a Gilday seu sobrinho e afilhado Andrew Hagen ainda apresenta a viúva Teresa Hagen. Curiosamente, Andrew é feito por John Savage, cuja irmã, Gail Youngs, foi uma das ex-esposas de Duvall.

Nesse ponto, o ex-prefeito de San Francisco Willie Brown faz participação como o homem negro que conversa com Michael na festa. Esse aliás é o único personagem negro com fala em toda a trilogia.

A repórter Hamilton tenta chegar em Michael, mas não consegue. com Dominic Abbandando funcionando como mestre de cerimônias e pessoa que reclama dela.

Zaza

Joey quer falar com Michael, parabenizar ele pessoalmente. Neri insiste, o Chefe não quer, mas aceita.

O sujeito e Formiga entregam a ele um brasão redondo, da Fundação Meucci, como a personalidade ítalo-americano ano. Curiosamente em 1973, James Caan, que é judeu, recebeu o prêmio por sua interpretação de Santino “Sonny” Corleone no filme original.

Meucci segundo consta, inventou o telefone antes de Graham Bell, mas isso é apenas uma desculpa, já que na verdade, ele vem reclamar, de uma pedra no seu sapato. Chama ele de bastardo.

Vincent é convidado a entrar e conversar, diz que não há nada demais, depois, grita com Joey, fala de maneira nervosa, acusa-o de falar "dane-se Michael Corleone".

Em meio a brigas e insistência em chamar Vinnie de bastardo, ainda acusam ele de transformar o velho bairro em um pulgueiro e tem a orelha mordida pelo sujeito.

Na apresentação de Anthony em Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni, há uma cena em que Turiddu morde a orelha de Alfio e isso não é algo aleatório: morder a orelha e tirar sangue representa lutar até a morte, segundo o costume siciliano.

Com a saída de Joey, Vincent o ameaça, fala em deixar os negócios com alguém da família, mesmo que Michael esteja legalizado e o sobrinho ganha a oportunidade de ficar próximo do antigo Don.

Michael diz a Vincent para “nunca deixar ninguém saber o que você está pensando”, fala semelhante ao que Vito, disse ao pai de Vincent, Sonny, em conversa com o turco Sollozzo.

Enquanto toca a música tema, Michael recebe um bolo do confeiteiro Enzo (Gabriele Torrei) o mesmo que ajudou ele no hospital, com Vito.

Nova York e Vaticano

Em um prédio velho, Vincent e Hamilton aparecem íntimos. Ele mata dois sujeitos, mandados por Zasa, depois comunica a Michael.

Quando Vincent mata dois invasores em seu apartamento, há uma foto sépia de seu pai Sonny ao fundo.

Já o Don atual é chamado pelo padre, que cuidava do banco do Vaticano, para conversar a respeito da compra da empresa que os banqueiros do clero cuidam.

Coincidentemente, o Banco do Vaticano já foi dono do terreno onde a Paramount estava localizada.

Dessa forma, acaba expondo, junto do seu advogado BJ Harrison, que tem ciência sobre os poderes que o banco tem sobra a empresa que monopoliza o mercado de imóveis de alto padrão na Europa, a Immobiliare.

Michael quer essas ações, desse conglomerado, oferece 500 milhões de dólares. Como os Corleone já abriram mão de cassinos e negócios sujos.

Se Michael oferecer 600 milhões de dólares, a igreja apagaria o passado da família, seja lá qual fosse o pecado. O preço do perdão é absurdo.

A narrativa é lenta e acertada nesse ritmo, na maioria das vezes, o processo de licitação da venda da Immobiliare segue, em um momento que lembra demasiado o julgamento de O Poderoso Chefão 2.

O Don de Eli Wallach

Em meio a essa discussão, o personagem de Pacino conversa com Don Altobello outro antigo amigo do passado de Don Vito, mas que não contracenou com ele, tal qual o judeu Hyman Roth do segundo filme.

Embora o primeiro nome de Altobello não seja revelado no filme, no livro The Godfather Returns - que não é canônico - ele se chama Oswaldo.

The Godfather's 3 Main Villains, Ranked Worst To Best

O ator Timothy Carey queria interpretar Don Altobello.

Coppola achava que ele parecia jovem demais. Carey então fez um elaborado teste de câmera: pintou o cabelo de branco, passou pó no rosto para parecer mais velho e até conseguiu acesso ao Hilton Hotel para a gravação.

Coppola ficou impressionado e considerou escalá-lo, mas pouco depois Carey sofreu um grave derrame e ficou fora do projeto.

Ele é um personagem bastante suspeito, mas graças a posição de Roth no tome anterior, a surpresa de sua vilania se perde.

Negociata com religiosos

O acordo sobre a Immobiliare corre risco de ruir se o Papa morrer e o líder da igreja está muito mal. A sensação para BJ e Michael é de que o arcebispo tentou dar um golpe neles.

Harrison até fala que a reunião era para ser uma mera formalidade, mas há um grande risco de tudo ruir e do dinheiro emprestado ter sido desperdiçado, sem qualquer garantia de retorno.

Os padres brincam com a possibilidade, parecem acreditar serem mais malandros que os antigos bandidos e se fiam em uma segurança inexistente.

A discussão resulta até em referência aos Bórgias. Além do livro de Puzo, sobre essa família, foi dado que o escritor replicou as personalidades da família deles nos Corleone.

Vito foi baseado em Rodrigo Bórgia, o Papa Alexandre VI, Michael foi seria Cesare Bórgia, Santino Juan Bórgia, Fredo em Gioffre Bórgia e Connie era Lucrécia Bórgia.

Little Italy

Vincent encontra Mary, no velho bairro, na frente do antigo prédio da Genco Olive Oil, depois falam com populares, figurantes, que falam de Joey vendendo drogas, com uma sendo interpretada por Catherine Scorsese, a mãe de Martin Scorsese.

Depois o casal vai ao bar na Mulberry Street que é o mesmo bar usado por Carmine Lupertazzi, Johnny Sacrimoni e Phil Leotardo em Família Soprano.

A moça indaga ele sobre o passado da família, sobre quem era Sonny e sobre quem era Michael. Mancini não conheceu o próprio pai, não viveu para ter contato com ele, mas chama o tio de herói, uma vez que testemunhou parte do reinado de Michael em Nova York, embora ele tenha ido para Nevada quando Vincent ainda era criança.

Ao ser perguntado se ele acha que Michael assassinou Fredo, ele nega.

Reunião

Tio e sobrinho vão de helicóptero, para uma reunião de empresários, em Atlantic City.

A música tocada na abertura das cenas do cassino, enquanto os mafiosos se reúnem, é a mesma que toca quando Tom Hagen visita Las Vegas pela primeira vez em O Poderoso Chefão.

Lá há Altobello, Joey Zasa e outros. O Don mais velho disse que ele vendeu os cassinos há menos de 20 anos e fez gerar muito dinheiro para todos, ainda dá um cheque para cada um dos participantes.

Entre lamúrias de Zasa, ofertas generosas de Michael, ilações sobre miscigenação no exercito de mafiosos e fugas, há mesas tremendo e um esporro violento, da parte externa do prédio.

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O Palazzo Azzurro é um cenário da Trump Plaza.

Vincent conduz Michael para fora do prédio e vai ao térreo do hotel e rouba uma limusine, pertencente a um dos membros da comissão. Ou seja, eles roubaram um veículo

A escolha por ir de helicóptero é tão sábia que incorre nesse trecho, uma vez que, tendo esse massacre, certamente a polícia chegaria até o local, verificaria de quem eram os carros e achariam um desses sendo de Michael.

Caso ele morresse, seria impossível não associar a família ao crime, mesmo com todo o esforço deles para se livrar dessa pecha.

Evitando conflito

Mesmo sendo salvo por Vinnie, Michael ainda tenta sair pela tangente, que não quer conflito, não quer começar outra guerra, contrariando o filho de Santino.

Ele vê no garoto a postura de Sonny, aparentemente ele perdeu essa sanha assassina, que o mostrava como uma boa misturava entre Sonny e Vito.

O sobrinho sai, Michael reclama de tentar sair e ser puxado de volta e nesse breve instante, teve um ataque de coração, na verdade, um derrame diabético.

The Godfather, Part III: Pacino's Brick-Red Cardigan » BAMF Style

O sujeito quase morre, delira, grita sobre Altobello, grita sobre Fredo, é socorrido por Connie, Vincent e Neri.,

Já Harrison vai cobrar Dalpey, garantias sobre o acordo. Uma das lideranças que sacramentou o empréstimo, Frederik Keinszig (Helmut Berger) diz que se Corleone morrer, tudo será revelado

Já Vinnie quer matar Joey, aproveita a internação do tio para executar. Al Neri é contra, já que é extremamente fiel aos desejos de Michael, já Connie diz para ele fazer, sendo dois contra um, Vincent executa seu adversário.

Reconciliação?

Kay vai ver Michael no hospital, sinaliza um perdão, talvez.

Mary estava aflita, mas fica tranquila. Já Anthony diz que está animado para ir até Palermo.

Festival

Mais uma vez a saga Godfather resulta em um Festival e durante um desfile, Joey Zasa aparece como figurão, tal qual Don Fanucci, no passado de O Poderoso Chefão Parte II.

Ele menciona Don Ameche, que interpretou Alexander Graham Bell no cinema. Ameche chegou a ser cogitado para viver Vito Corleone no primeiro filme. Mantegna já havia contracenado com Ameche em As Coisas Mudam em 1988.

Zasa se exibe para a imprensa, faz uma rifa de um cadillac. Inclusive, é a partir dela que vem o ardil, com um fedelho riscando ela, afastando Formiga.

A emboscada era boa, um dos mascarados estilo KKK atira nos capangas, Joey tenta fugir, até que um homem da polícia armada o acha.

Joe Mantegna on Landing The Godfather Part III: "The Pizza Guy Heard About  It Before My Agent"

Esse era Vincent. Ele atira três vezes.

Pouco depois, Michael desperta e distribui broncas, reclama da execução, que sobra para Connie, Neri e Mancini, mas ao se acalmar chama o sobrinho.

Diz que amou Sonny e que acha perigoso o que Vinnie está fazendo com a sua filha.

Pachorra e viagem

Altobello resolve aparecer. Fala para ele se aposentar, pois está doente.

Curioso é que ele mesmo, não parou. Ainda nega ligação com Zasa

Em Bagheria  é chamado de Comendador Michael Corleone, não mais de Don, com faixas que incluem até o símbolo do Partido Comunista Italiano.

Mary é bem recepcionada. Louvada, como uma santa.

Logo Michael ede conselhos a Don Tommasino, interpretado por Vittorio Duse, que substituiu Corrado Gaipa, já que esse morreu antes do início das filmagens.

Também se dá destaque a Calo, o antigo guarda-costas sicialiano de Michael, novamente feito por Franco Citti. No romance original, Calo, morre na mesma explosão de carro que mata Apollonia.

O Chefão italiano sugere falar com o cardeal Lamberto. Depois de comparar os padres a Máfia, Michael reafirma que as decisões são todas dele, a despeito das falas de Vincent de que aqueles homens, não tem honra.

Mesmo concordando com o sobrinho, ele freia o desejo assassino do rapaz.

Quase uma ópera

Enquanto se emociona, ouvindo Brucia La Terra, cantada pelo filho, Michael chora, lembrando de Apollonia, percebe que não pode ser feliz, é condenado a isso.

Ele vê sua vida sempre caindo em desgraça, ainda vê sua filha se envolvendo com um homem como ele. Teme por seu futuro, mas curiosamente, nas curvas finais, é Michael quem a marca para o abate.

Vincent é chamado por Michael para uma missão perigosa, que pode resultar em seu fim.

Manda ele dizer que quer fugir com sua filha. Vincent adapta o discurso, fala em fortalecer o que Zasa deixou, em troca, pede ao velho Don que ajude, aconselhando, mas se mostra ofendido, quando o idoso sugere traição a Corleone, tal qual seu tio sugeriu.

Altobello apresenta ele a Don Licio Lucchesi (Enzo Robutti) o mesmo que bloqueou a venda da Immobiliare. Ele financiou Joey, mas é de áreas mais civilizadas e bandidas, já que a política é, segundo ele, a hora de saber atirar.

Novamente as laranjas são utilizadas para evocar tragédia.

A proposta de Puzo e Coppola é mostrar a Máfia como menos suja que a política, que a nobreza, e que a igreja, que o clero e nesse ponto, acerta bastante, especialmente pelo fato de que Michael parece flertar com o arrependimento.

Confissão

Michael vai até Lamberto,  conversando com ele, fala dos europeus, que segundo o padre feito por Raf Vallone, se sujaram.

A comparação que o cardeal  faz com uma pedra na água e os cristãos na Europa é uma citação do missionário cristão indiano Sadhu Sundar Singh. Segundo David Yallop, autor de um livro que afirma que o Papa João Paulo I (Albino Luciani) inspiração para o personagem Lamberto, foi assassinado.

Luciani citou as mesmas palavras de Singh em um artigo que escreveu quando era Patriarca de Veneza.

Há uma crise de queda de açúcar, toma um suco e aceita o conselho de se confessar, mesmo sem fazer isso há 30 anos. O faz, mesmo a contragosto.

Raf Vallone

Michael parece incomodado e diz não se arrepender, mas fala que traiu sua mulher, que matou e mandou matar. Até cita o crime contra Fredo.

Essa é uma baita tomada, das pilastras dividindo a cena, como numa cabine de confissão formal.

Michael chora. Faria isso mais vezes nesse tomo.

A mulher manipuladora

Connie condena o irmão por se confessar com um desconhecido.

Seu papel é forte, ela é influente, quieta, quase calada, mas sempre emborca o ideal para o que quer. Manipula sem alarde, é madura e astuta, uma verdadeira chefa da família.

Se Altobello identificou que os Corleone serão mandados por uma mulher, errou o alvo, pois é Constanza quem move tudo, não Mary.

O burrinho

Altobello, na Sicília, negocia com um velho Mosca de Montelepre (Mario Donatone) matador que anda junto de outro italiano, o jovem Spara (Michele Russo) que imita um burrinho, fazendo o Don rir sempre que isso ocorre.

Quer que ele execute seu rival e Mosca se veste de padre. Nesse interim, encontra e mata Don Tommasino, que paga com sua vida por oferecer uma carona a um padre, esquecendo da regra de nunca deixar ninguém saber o que está pensando, já que Tommasino assume saber quem é Mosca, até fecha a porta para ele, quando percebe. 

Ele se denuncia. Está velho, com a menta cansada.

Coincidentemente, assim que Michael tenta falar a Kay que sua vida mudou, Calo simplesmente fala com ele que precisará derramar sangue, em nome do mestre morto, ou seja, novamente, ele não consegue fugir do seu destino.

Fumaça no Vaticano

Se escolhe um novo papa, dessa vez, Lamberto, que escolhe o nome João Paulo Primeiro.

Depois que o Lamberto é eleito a câmera mostra fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina. A fumaça branca sinaliza a eleição do cardeal e simboliza a ascensão das esperanças de Michael Corleone, uma vez que Lamberto cumpriria o acordo.

Depois da eleição, Keinszig some, com muito dinheiro e isso gera suspeita ao banco do Vaticano. Todos esses momentos ocorrem colados um no outro, junto da melancolia de Michael, que reclama de ser mais temido que amado.

Depois de ver o amigo no túmulo, ele eleva Vincent, para Vincenzo Corleone. Calo, Al Neri e Dominic o cumprimentam.

A Ópera e o batismo

Coppola brinca com a ópera, faz dela o mesmo que fez no batismo do filho de Connie na obra de 1972.

Os destinos serão selados nesse dia.

Vincent agora usa terno, agora que é o Don, sua prima o aborda, mas ele a nega, não por alusão a Michael, mas sim por sua nova função. Namorar ela poderia colocar Mary em perigo. Ele parece sentido em magoar ela, em mandar a bela menina amar outro.

Atuação fraca

De fato Sofia não está bem, mas nesse momento, seu choro parece ser real. Ademais, a moça já foi bastante criticada, tantas vezes que a fizeram abrir mão da função.

Já Connie dá cannolis a Altobello. O velho suspeita disso, mas destaca que ela foi a única a lembrar da data, Constanza diz que ele a enchia de doces quando aniversariava.

Ainda assim ele suspeita, diz que ela está muito magra e que devia provar um. Esses doces, segundo ela, foram feitos por freiras que fizeram voto de silêncio sobre suas vidas e sobre a fórmula.

Mosca mata pessoas, entra na cabine e prepara o sniper, segue assassinando vários homens de Tomasino e dos Corleones.

Vale lembrar que a carabina M38 Carcano usada por Mosca na tentativa de assassinato na ópera é uma variante do mesmo rifle usado no assassinato do presidente Kennedy.

As missões

Calo vai ver Lucchesi, sem armas, teria que ser criativo, já Neri tem a incumbência de ir para a capital Roma, atrás do arcebispo.

Justo na parte da morte e na exibição da imagem de Jesus crucificado, morre o papa/padre Lamberto - de forma natural.

Seguem ele ao outro mundo Altobello, observado pelos óculos lupa de sua afilhada Constanza, também Lucchesi, que ouve de Calo, no ouvido, a frase "o poder desgasta aqueles que não o têm", sendo perfurado no pescoço, pelos próprios óculos.

Inspíração japonesa

Originalmente, Calo mataria Lucchesi quebrando seu pescoço. A cena foi filmada e apareceu no trailer, mas Coppola não gostou e decidiu mudar para uma morte muito sangrenta inspirada nos filmes de Akira Kurosawa.

O jorro de sangue rendeu ao filme classificação NC-17, então alguns segundos foram cortados para obter classificação R.

A cena completa foi restaurada na versão de 30 anos, The Godfather Coda: The Death of Michael Corleone.

Espelho

Já na cena da ópera, se espelha a morte de Joey Zasa, com figuras encapuzadas carregando um caixão com a estátua da Virgem Maria.

Al Neri acerta o arcebispo banqueiro, que cai do alto, até Keinszig aparece pendurado pelo pescoço. O personagem foi inspirado em Roberto Calvi, encontrado enforcado em Londres em 1982. Já Lucchesi foi baseado no político italiano Giulio Andreotti. Gilday foi inspirado em Paul Marcinkus, ex-diretor do Banco do Vaticano.

Saída

Vinnie tem pressa em sair, pois o lugar ficará cheio de carabinieri, os policias locais, na corrida pelas escadas, Mary indaga seu pai, do motivo dele acabar com seus sonhos.

Seguem procurando quem matou os homens na ópera então Spara chama a atenção para si.

Mosca se aproxima de Michael, Mary discute com o pai e acaba levando um tiro, junto do velho.

Tudo é muito rápido, mas há muita informação. Connie chora junto e coloca uma estola preta, de luto, Anthony também se emociona, enquanto Mary cai, chamando pelo pai, antes de desfalecer.

Kay grita, desesperada, notando que a tragédia acompanha seu ex, já Michael grita, abre a bocarra, mas sobre silêncio, até que Coppola só libera o último grito.

What are the best screams in film? My picks are from Godfather III, Psycho,  and The Shining. : r/moviecritic

O silêncio e apenas um grito

Segundo o montador Walter Murch, quando Michael condena a própria alma no primeiro filme ao cometer assassinato, ele permanece em silêncio antes de agir, enquanto se ouve ao fundo o ruído metálico de um trem.

Quando finalmente paga o preço, a montagem original o mostrava gritando durante as consequências.

Depois se decidiu que, assim como em seu pecado original, ele deveria permanecer em silêncio, deixando o público ouvir apenas um último grito. O silenciamento desses gritos aumentou o impacto da cena.

Embora creditada como uma das montadoras, Lisa Fruchtman trabalhou apenas nos cinco minutos finais, da morte de Mary até a morte de Michael.

Outro final

Segundo Coppola, o roteiro original tinha um final diferente, no qual Michael e Kay se reconciliavam após a ópera.

A cena então passaria para uma igreja, onde um atirador mataria Michael antes de ser morto, e o filme terminaria com Michael mentindo para Kay pela última vez antes de morrer.

O diretor decidiu não usar esse final e optou pelo que aparece no filme, mantendo apenas o elemento do atirador.

O final de cinema foi inspirado por um incidente real em que o designer de som Richard Beggs perdeu sua filha em circunstâncias semelhantes.

Na versão do roteiro original que tinha Tom Hagen, Mosca matava Michael, que morria nos braços de Tom enquanto ele chorava. Mary sobrevivia e comparecia ao funeral.

Vincent mata Mosca, mas não acredita no que vê. Não é dada a ele muita emoção. Seu quinhão é o comando da família, mas não sem antes a morte corromper mais uma vez a família de Michael.

Ao final, aparece o envelhecido Miguel Corleone, que lembra das três danças, com Mary, nesse volume terceiro, com Apollonia, no capítulo um e com Kay, durante o batizado do filho, na parte dois.

Embora o ano da morte nunca seja mencionado no filme, um recurso de árvore genealógica do DVD dá que ele morreu pacificamente em 1997. Assim, a cena final se passaria sete anos no “futuro” em relação à época das filmagens.

Foi foi escrito e ensaiado um funeral para o personagem, mas a sequência nunca foi filmada.

Ele termina sozinho, com cabelos brancos, caído, como seu pai, mas sem ninguém para lamentar sua findade. É deprimente e emocionante, como foi a totalidade de O Poderoso Chefão: Parte III, uma obra forte, agressiva e melancólica, que é achincalhada por uma escolha ruim de casting, mas que não se resume apenas a essa.

TRAILER


68 comments

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