Alerta Trilhas - 06 In Bruges

In+Bruges+frontComposta por: Carter Burwell

Após o texto polêmico de semana passada, que você pode ler “aqui”, decidi dar uma acalmada nos ânimos e não ser tão filosófico, portanto continuo escolhendo a minha linha de trilhas favoritas, dessa vez com a belíssima “In Bruges”, composta pelo excelente Carter Burwell para a obra-prima de Martin McDonagh. Burwell, para quem não conhece, é apenas o único colaborador dos irmãos Coen, tendo composto da primeira a última trilha dos filmes dos caras, sem contar que até a música inexistente de Onde os Fracos não tem vez é dele (está creditado no filme, como uma brincadeira/homenagem dos irmãos). Mas falando do que interessa aqui, a trilha feita para In Bruges é algo que não só encontra um caminho perfeito na calmaria, como consegue criar um tema central absurdamente lindo.

O tema varia do piano para o Cello, com todos os instrumentos de corda perambulando como pétalas esvoaçantes na sua cama durante um sonho bom. E seja com as pausas precisas que permeiam a peça, ou pelas variantes sonoras, a sensação é sempre a descrita acima, algo tão bom e leve que te faz se sentir num comercial de amaciante, onde todas as moças tem a pele de bebê e sorriem com os dentes mais brancos do mundo. Lembrando-nos constantemente sobre a melancolia que os personagens sofrem (especialmente o protagonista), mas deixando bem claro que por estar em um local extremamente belo, o conflito está sempre ali, portanto, um tema belo que passeia lado a lado com a tristeza obscura que os homens durões daquele universo teimam em esconder.

Algo a se destacar é a simplicidade do álbum, que não traz composições carregadas com mil instrumentos ou busca um tom épico para si, pelo contrário, todas as faixas são curtas, ou melhor, curtíssimas, e trazem sempre ou o tema principal, ou o tema secundário ou o tema de tensão, que chega a ser, não o mais complexo, mas o mais barulhento por conter em si a necessidade de atrair a angústia que algumas cenas necessitam. E seja no piano tocado de forma mais poderosa e variada, ou nas cordas que se tornam mais diretas e ríspidas, o som flui do belo ao forte com uma naturalidade quase Stravisnkiniana.

Há de se destacar ainda as músicas que complementam o disco, que não fazem parte das composições originais de Burwell, mas que compõem as imagens do filme da melhor forma possível e se unem estranhamente de uma forma natural a trilha incidental, muito por todas serem belas e conterem letras e acordes que levantam uma mescla de sentimentos bonitos que só ajudam a fluência mais eficiente das faixas de Burwell.

No fim, o que se tem é um trabalho maduro, que sabe como conduzir o filme sem exageros, e trazendo uma atmosfera inusitada não só para a película, como para a vida de quem escuta o álbum. É de uma objetividade linda e de uma beleza que emociona. E se serve como indicação, eu sempre me emociono, tanto quando assisto a obra, quando ouço o disco. E a única coisa que as duas mídias têm em comum, é o fator musical, que aqui impera como rei de uma Bruges medieval que não se moveu no tempo e continua sendo o Éden de alguns e o inferno de outros.

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