Prequel de Meggido, Omega Code tenta adaptar uma história geopolítica apocalptica, envolvendo o anticristo e os detalhes do livro de São João

Omega Code é um filme cristão de 1999, que lida com temáticas de horror. Dirigido por Robert Marcarelli, tem em seu elenco figuras famosas, como Casper Von Dien, Michael Ironside e Michael York.
Seu lançamento visava falar do fim do mundo cristão, prenunciado no último livro da Bíblia Sagrada, Apocalipse de São João e foi entregue nessa época por conta de ano 2000, que era para muitos o limiar do fim da humanide.
A obra é mais conhecida por sua sequência, lançada em 2001, chamada Meggido, que inclui membros do elenco desse e até um dos roteiristas. O nome original desse inclui um The Omega Code 2, que normalmente é suprimido.
A trama gira em torno de um rabino em Jerusalém, que desenvolve um software capaz de decifrar profecias na Torá. Ele é assassinado e o programa é roubado. Um homem poderoso passa a usá-lo para buscar a dominação mundial.
Equipe criativa
O filme é de Marcarelli, que assinava Rob Marcarelli, um especialista em fitas cristãs. O roteiro é da dupla Stephan Blinn e Hollis Barton. Foram produtores Matthew Crouch, Marcarelli e Lawrence Mortorff. Paul Crouch foi produtor executivo, um televangelista que publicou uma novelização do filme, coescrita com Lance Charles.
Hal Lindsey é o consultor de assuntos bíblicos.
Estreia
O longa chegou na Espanha em 27 de agosto de 1999. Já em seu país de origem, os Estados Unidos da América, entrou em circuito limitado apenas em 15 de outubro de 1999.
Estreou em Davao, nas Filipinas em março de 2000, também na Nova Zelândia em abril e em Hong Kong, no mês de novembro.
Houveram DVD premiere na Alemanha, Itália, Malásia, Grécia Na Hungria e Suécia houve premier para TV e na Finlândia e Japão teve video premiere.
Nomenclatura
O título original é The Omega Code e pouco varia no resto do mundo. Na Argentina é Código Omega, na França, La prophétie des ténèbres.
Na Grécia, O kodikas tis Apokalypsis, na Hungria Az Omega kód, na Itália é Codice Omega, no Japão é Code: 0000 e em Portugal é O Código Omega.

Vale lembrar que em boa parte do mundo o filme não possuiu uma estreia para o cinema, sendo jogado apenas para DVD ou VHS, sendo assim esses nomes eram dados quando chegavam as locadoras.
Locações
A obra foi gravada na Califórnia, na Costa Mesa, Los Angeles e em Jerusalém, Israel e em Roma, na Itália.
A sala onde um computador é usado para “decodificar” a Bíblia foi o único cenário construído especificamente para este filme. O resto das cenas foram filmadas em vários locais ao redor do mundo.
Estúdios
As companhias que fizeram o longa foram a Code Productions, Eclipse Catering, Gener8Xion Entertainment e TBN Films
A distribuição ficou a cargo da Providence Entertainment nos EUA. No Brasil a California Home Vídeo, Higher Dreams lançou na Espanha, Eagle Entertainment na Austrália e a Argentina Video Home lançou em fita cassete na Argentina. A Trinity Broadcasting Network (TBN) lançou o filme na internet em 2002.
Quem fez:
Marcarelli dirigiu Beijos de Chocolate, A Vida de Jesus: Parte 1 e A Vida de Jesus: Parte 2, além de Paulo: O Emissário e Procura-se Jack Cole.
Blinn escreveu esse, Megiddo, Conquista de Reis e Arena dos Sonhos.
Barton escreveu apenas esse.
Lawrence Mortorff foi produtor em Os Amantes de Maria, Ela é Minha Garota, Hellraiser III: Inferno na Terra, Carman: O Campeão, Conquista de Reis. Foi produtor executivo em Colheita Maldita 2: Os Filhos do Mal, O Livro da Selva. Atuou em Hellraiser 3, Warlock 2: O Armageddon e Operação Nervos de Aço.
Narrativa
A trama inicia evocando a proximidade com a religião judaica, mostrando uma sinagoga, fato que curiosamente, lembra o começo de Deixados Para Trás, obra cristã que versa também sobre o Apocalipse e que chegaria para o público em 2000.
Um rabino usa uma lupa para ler pergaminhos. Também utiliza um computador, que está conectado a algo, que não parece ser a internet, que aliás, estava começando a se popularizar, por toda a década de 1990.
Aparentemente há uma inteligência artificial, capaz de de soltar frases pequenas. Sua forma lembra o modo de ação dos aparelhos de fax, que é uma tecnologia obsoleta, mas que era tratada como universal
O senhor é Rostenberv (Yehuda Efroni) o descobridor da chave do tal código que nomeia o filme. Ele descobre que "irá para Deus" no amanhecer do quarto dia do mês 11. Esse momento enigmático é interrompido, por Michael Ironside invadindo o lugar, para matar o senhor.

O sujeito interpreta Dominic, um homem próximo da figura de Stone Alexander, que é interpretado por York.
Estranha vigilância
Dominic é vigiado por câmeras, fica a impressão de que isso vem de sesu opositores, mas não, isso ocorre graças aos seus superiores. Ele termina a sequência tendo seu disfarce destruído por uma espécie de seita negra, típica de teorias da conspiração.
Logo aparece Gillen Lane, o sujeito interpretado por Casper Van Dien. Ele aparece em um programa de televisão, curiosamente de uma forma bem parecida com a aparição bizarra de Tom Cruise no Oprah Winfrey Show de 2005, quando tinha acabado de assumir um romance com Katie Holmes.
O seu discurso parece uma fraude, seu modo de falar lembra o dos coachs atuais, o sujeito é estranho e falso desde o primeiro momento.
Seu discurso versa sobre um suposto e bizarro código, o mesmo motivo que encerrou a vida do rabino nos instantes iniciais.
Lane é um personagem cheio de conhecimento, esperto, supostamente erudito, bem diferente soldado tolo que viveu dois anos antes, em Tropas Estelares, onde contracenou com Ironside. Curiosamente, Paul Verhoeven faz piadas tolas, com um tema pesado e mega militarista, já esse Code Omega tem uma essência fraca, que tenta disfarçar a falta de conteúdo e estofo com frases de efeito toscas.
Aparição peculiar
O roteiro não lida bem com suas contradições. Os fatos ocorrem sem grandes motivos e Lane apenas surge no jantar beneficente de Stone Alexander, o líder das Nações Europeias.

Nesse ponto, Dominic reaparece, agora sem roupa de judeu ortodoxo.
A maior parte dos personagens carece tanto de caracterização como de uma apresentação digna. As pessoas surgem do nada, como é o caso da apresentadora Cassandra Barashee (Catherine Oxenberg) a mesma que estava no talk show inicial. Ela também está nessa recepção, mesmo sem motivo aparenta para tal.
Basta aparecer em tela para que a conexão se torne automática.
Falsidade
O roteiro gasta um tempo demonstrando que a vida do gênio da motivação é mentirosa, já que o relacionamento familiar dele é ruim, está separado da esposa Jennifer (Devon Odessa) e longe da filha, Maddie (Ayla Kell). Ou seja, ele tem algo a reparar, essa poderia ser uma boa motivação.
Mais do que repente, Cassandra aparece em Jerusalém justamente no momento em que começam bombardeios bastante suspeitos.
Alexander tenta costurar a paz entre israelenses e palestinos, sem sucesso, em uma interação que ainda segue sendo extremamente atual, mais de 25 anos depois.
Duas faces do monstro
Stone é mostrado de duas formas, como um filantropo perfeito, pelas autoridades e imprensa, como uma pessoa provavelmente fraudulenta, segundo o olhar de Gillen.
Se há alguma inteligência no roteiro é que quem está mais próximo da realidade é justamente o homem que vive de mentir, o que é uma dicotomia por si só.
Quanto a maldade de Alexander, o texto não deixa dúvidas, já que põe ele para receber os faxs das traduções de runas antigas, em casa, fora que o assassino Dominic é o seu braço direito.
Ao menos York parece imponente, faz acreditar que seu personagem é realista, mesmo que a premissa seja bizarra.
Um homem liga para Lane, marca um encontro com ele. Esse é Rykoff personagem de Ravil Isyanov e é morto por um assassino vestido de palhaço, enquanto Dominic o observa.
Cassandra é levada até Gillen, para dar um recado, dos profetas. Nesse ponto, os personagens que enviaram a moça parecem uma espécie de sociedade secreta, que mesmo tendo atitudes de vilões, estão do lado do bem.
Confusão dramática
Gillen descobre que o vilão está usando os códigos e isso se dá de maneira muito repentina. Logo Stone e Dominic vão atrás dele, com o segundo atirando acidentalmente no patrão, ao tentar deter o mocinho.
Como era comum nas fitas de ação antigas, o tiro foi de raspão, fez a cabeça do homem sangrar, acima da orelha.
Até anunciam sua morte, acusando Lane. Vira um estado de paranoia sinistra.
Base literária
Toda a parte do assassinato e ressurreição de Stone tem base no conto russo Uma Breve História do Anticristo, do teólogo e filósofo ortodoxo russo Vladimir Soloviev.
Na representação de Solovyov, no entanto, eles são, em vez disso, os três líderes dos restantes católicos romanos, ortodoxos orientais e protestantes conservadores do mundo
Revelações
A ideia da organização em torno de Stone seria anunciar a ressurreição do homem. Quando ele levanta, seus olhos parecem os de uma serpente.
Ele finalmente se torna ameaçador, diz para Dominic lhe ser útil, ou terá suas entranhas expostas.
Grampeiam a casa do suposto herói, Gillen ainda tem a chance de se tornar uma figura de redenção, já que resgata a esposa e deixa com alguém seguro. Verdade seja dita, Dien tenta atuar, ele se dedica
O sujeito no final assume para o senador Jack Thompson (George Coe) que tem visões de Demônios. Curioso que com os profetas, ele não assume, mas diante do companheiro que protege sua família sim. Ele só precisa de alguém disposto a ouvi-lo.
Momentos finais
Depois de uma emboscada, ele decide se esconder na rua, fingindo ser um transeunte comum, na frente de uma loja de TVs, que mesmo fechada, transmite seu rosto para vários monitores.
Quase morre, acorda em Israel e recebe o código final, que logo lhe é roubado, justo por Cassandra.
Os profetas vão até Alexander, rebatem o discurso deusificante dele, causam tumulto, depois que são assassinados por Dominic, na frente de todos
Se havia algum desejo de parecer plausível, esse momento abandona por completa a ideia. Mesma que os profetas acusem Alexander de ser blasfemo, não há como justificar assassinatos ao ar livre.
O código final se desfaz na mão de Stone. Não fica claro se é culpa dos profetas ou de Gillen, ou se houve uma interferência de Deus mesmo.
No final os eventos degringolam completamente, com visões e sonhos do herói se tornam mais óbvias e mais estranhas, os profetas ressuscitam, em um avião sabe-se lá onde, em um efeito de CGI muito fraco.
Gillen e os profetas se unem, de forma repentina, para derrotar Dominic com ataques mentais, em uma manobra nunca antes feita, fato que chama a atenção pelo efeito Deus Ex Machina.
O código era na verdade um atalho para uma ação externa, tal qual essa ação, para algo espiritual, era na verdade uma armadilha. Uma luz corta o mundo, arranca a alma de Alexander, redime .
Omega Code é uma galhofa pura, é feio e muito tosco, poderia ser simpático, se assumisse o quanto é mambembe mas é uma obra sensacional do ponto de vista de apreciação do cinema trash.
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