Cinerama: Lolita (1997)

Eu, geralmente, não sou muito fã de remakes, mas às vezes grandes e bonitas pedras, que antes eram brutas e cheias de imperfeições, aparecem mais polidas e com um brilho especial, às vezes até nas mãos de um diretor um tanto improvável. Lolita, de 1997, é o caso.

Muitos devem estar a se perguntar: “Existe mesmo uma outra versão do clássico dirigido pelo Kubrick nos anos 60?”. Sim, meus senhores, existe, e é uma obra imperdível.

A ousada loucura foi tomada pelo diretor britânico Adrian Lyne, e este nos dá o prazer de desfrutar de uma adaptação digna de um dos mais notáveis romances de nossa época.
Stanley Kubrick certa vez disse: “Se eu soubesse o enorme crime que eu teria de cometer para lançar este filme, eu não o teria realizado.” E essas palavras descrevem bem o que se passou naqueles anos da década de 60: Censura por parte do governo, por parte das igrejas e principalmente por parte dos distribuidores. Cortes ridículos permeiam a obra de Kubrick, cenas inteiras reeditadas e proibição de exibição em alguns lugares. Sim, foi um filme difícil de se fazer. A sociedade não estava preparada para assistir a um longa tão controverso quanto aquele e mais uma vez ficou provado que o diretor estava muito a frente de seu tempo. Anos se passaram, a censura se tornou menos burra, e a sociedade mais receptível. E então temos o prazer de ver um Lolita mais fiel, mais ousado e sexy.

Adrian Lyne não é conhecido como um grande cineasta, e sua filmografia de apenas 8 longas, tem poucas joias do cinema.  Cada vez tenho mais certeza de que alguns diretores tem uma sensibilidade que só se adaptam a certos tipos de história, e Lyne encontrou a sua.

A sua Lolita e a essência da palavra “Ninfeta”, e tudo que ela significa. Humbert (Jeremy Irons) é o típico romântico apaixonado e as imagens que se seguem, ilustram perfeitamente a trama. A trilha sonora é leve, romântica e a fotografia do filme te embala em direção a um sonho, do qual nunca queremos acordar.

Lolita (Dominique Swain) é sempre vista por nós, espectadores, pela visão de Humbert, e esta sempre aparece pintada na tela como uma deusa. Seus movimentos, seus gestos e palavras são altamente naturais e românticos diante da objetiva da câmera de Lyne, que sempre está no lugar certo e no momento certo.

Enfim, uma obra de uma beleza profunda, que não foi apreciada como deveria em sua época, sendo um fracasso retumbante em sua bilheteria, mas que pode ser achada com alguma facilidade nos caminhos tortuosos da infinita Internet.

Fica aqui minha dica de sessão.

Lolita de Adrian Lyne – 1997, como Jeremy Irons, Melanie Griffith e Dominique Swain.

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Comentários

7 comments

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    Guilherme Vidal 12 novembro, 2013 at 22:02 Responder

    Não vi esse remake de Lolita, mas fiquei muito curioso. Me lembro do Atração Fatal (é do Adrian Lyne mesmo?), uma febre na época. Tenho medo até hoje da Glen Close! rsrrs… Fiquei com vontade de ver novamente tantos anos depois pra ver se envelheceu.

    Você acha que esse diretor merece uma revisão da obra ou você só destaca o Lolita mesmo?

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      Luan Cardoso 13 novembro, 2013 at 16:33 Responder

      Olá Guilherme. O Atração fatal é realmente do Lyne, um bom filme de 1987.
      Adrian é um diretor que lidou muito com o desejo e a paixão carnal. Todos os seus filmes são voltados para esse tema: 9 1/2 Semanas de Amor (1986), Proposta Indecente (1993) e etc.
      Ele é um bom diretor. Aceita projetos que cabem com a sua sensibilidade e geralmente faz bem o trabalho. Faz alguns bons números na bilheteria as vezes, outras não, e tem uma obra linear. O Lolita é o que mais se destaca, pois é um filme que se enquadra perfeitamente ao estilo amado por Adrian: A obsessão, o desejo desenfreado e a beleza sútil. Acredito que alguns de seus filmes não envelheceram tão bem, mas vale a pena serem revistos. Em breve, farei um balanço da obra de alguns importantes diretores, fotógrafos e etc. Colocando filmografias selecionadas, principais curiosidades e afins. Fique atento aqui no Cine Alerta, Guilherme.
      Abraços.

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    Elaine 14 novembro, 2013 at 11:19 Responder

    Eu aconselho a todos lerem Lolita, como forma de complementar o filme, pois nele como dito pelo Luan, nós temos somente o ponto de vista do personagem Humbert.
    Acho bacana entender tb o que se passava de outro ponto de vista, o que acontece bem no livro.
    Abraços,

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