Crítica: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

427960.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxUma belíssima teia frágil.

O último filme do Aracnídeo Mascarado, O Espetacular Homem-Aranha (2012), dirigido por Marc Webb ((500) Dias com Ela), inegavelmente dividiu opiniões entre crítica e público. Particularmente, acho o troço extremamente aborrecido em seus conceitos, pois, a todo tempo, tenta se levar a sério, criando uma atmosfera densa e ambígua, mas possui um desfecho absurdamente tolo e sem propósito para tal abordagem. No entanto, devo confessar que enxergo ali um trabalho com DNA muito próprio, que pouco se espelha na já consagrada trilogia de Sam Raimi (Oz, Mágico e Poderoso), protagonizada por Tobey Maguire (O Grande Gatsby). Webb pôs seu estilo em prática, seguiu a linha teen do universo ultimate e conquistou fãs ao redor do mundo. Rendendo uma boa bilheteria e abrindo espaço para a Sony investir em mais duas continuações.

Com uma pré-produção bastante agitada, devido às inúmeras informações e leque de personagens divulgados, eis que chega aos cinemas O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. De novo com Marc Webb no comando, ao lado de um trio de roteiristas, formado por Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner, partindo do argumento de James Vanderbilt, que também escreveu o título anterior. Geralmente, todos esses pontos tendem a ser vistos como negativos, principalmente tratando-se de uma superprodução, com um secreto orçamento que se especula chegar a US$ 200 milhões. À primeira vista é algo deveras megalomaníaco. Será, então, que tamanho investimento obteve êxito? Nesse aspecto, diria que sim, pois, sem dúvidas, estamos diante de um espetáculo audiovisual impressionante, do ponto de vista estético.

Como bom apreciador do personagem, admito ter ficado perplexo com os vinte minutos iniciais do longa. Imediatamente vemos, de forma adjunta, o Cabeça de Teia saltando pelos edifícios de Nova York, com câmeras que variam entre planos mais fechados a outros totalmente abertos, sem que precise de cortes. E, mesmo sendo filmado em 35mm, a conversão 3D nos remete a uma imersão total, em relação àquele universo. Bem como podemos observar o Aranha resolvendo pequenos delitos, como salvar um garoto que seria atropelado ou evitar um assalto de banco, com direito à fuga e perseguição de carros, ainda recheado do clássico bom humor habitual do sujeito. Isso em meio a sua formatura e troca de diálogos, ao telefone, com a tia e namorada. Sem dúvidas é o melhor momento do Teioso nas telonas. Podendo até funcionar sozinho como uma espécie de curta-metragem, fosse o caso.

Pois bem, como perceberam, Webb acerta, novamente, no fazer do filme, porém quando finalmente este se inicia começam a surgir os problemas. O maior deles é o direcionamento. Não sabemos, ao certo, qual é a trama principal. Não que um trabalho ramificado seja algo ruim, pelo contrário, quando bem desenvolvido o resultado é fascinante. Mas aqui a coisa acontece de modo bem diferente. Possuindo mais tentáculos que o vilão Octopus, a fita explora, superficialmente, cada uma de suas abas. Deixando, no contexto geral, a história desinteressante. Não compramos o drama vivido por Max Dillon (Jamie Foxx), muito menos nos comove a doença de Harry Osborn (Dane DeHaan). Talvez o romance de Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone) consiga despertar mais interesse por ser um ponto que já foi empreendido, desde o filme anterior, e aqui se conclui de forma pesada, digamos assim.

E, ao mesmo tempo em que acerta inicialmente com as cenas já citadas, pelo fim do segundo ato nos deparamos com situações que beiram o burlesco. Algumas tomadas são cafonas ao ponto de provocar risadas, quando na verdade estão abordando um momento dramático que pretendia ser um dos mais tristes da nova franquia. Podemos destacar, como exemplo, a luta do Homem-Aranha com o Electro, que junto à trilha – algo deveras pulsante – se transforma numa verdadeira pista de dança em neon. Soando de um mau gosto terrível, por ser extravagante e pouco empolgante. Bem como a montagem automatizada parece estar pondo em tela um jogo de vídeo game. Onde um chefe é derrotado e vem outro mais poderoso para desafio. O que pode ser perdoado, já que, diferente da película precedente, a fita se vende como uma autêntica obra quadrinesca.

O cast de atores não compromete e até consegue somar. Garfield está ótimo, de novo, como Parker e realiza bem sua função. Tanto em aspectos físicos, nas batalhas e movimentos, quanto em passagens mais dramáticas. Stone encanta e consegue passar uma forte veracidade com sua Gwen Stacy. Jamie Foxx parece divertir-se com o vilão Electro e convence. Só Dane DeHaan realiza um trabalho totalmente caricato, cheio de caras e bocas, mesmo antes e depois de se tornar o Duende. Uma pena, pois é um bom ator. Errou completamente no tom escolhido.

Este O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro é um daqueles casos onde um bom cineasta, mesmo dispondo de grande produção orçamentária e recursos técnicos quase ilimitados, não foi capaz de salvar um roteiro perdido e exagerado. É, sim, narrativamente bem construído e bastante interessante do ponto de vista estético, mas possui um roteiro tão infantil que poderia facilmente ser comparado a textos de séries tokusatsu. Em tempos de O Soldado Invernal, eventos como esses não conseguem me empolgar.

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