Review: American Horror Story – 3x04 Fearful Pranks Ensue

"Who's the Baddest Witch in Town?". Já é clássico esperar anualmente pelo episódio de halloween cheio de viradas e cenas emblemáticas que American Horror Story costuma trazer. E se não temos James Wong tomando posse do roteiro que homenageia o Dia das Bruxas com um tom mais clássico, cabe a também excelente Jennifer Salt (responsável por pérolas como Nor'easter em Asylum) entregar um conto que amarra aos poucos a trama sobre a substituição da Suprema – trazendo o bizarríssimo Conselho de Bruxaria para tal –, além de colocar um ponto final na trégua entre as descendentes de Salem e a poderosa Marie Laveau, dando start numa guerra mágica que a julgar pela ferocidade de suas líderes, não deve deixar pedra sobre pedra em New Orleans.

Estou definitivamente orgulhoso do tratamento que a série vem dando aos mitos envolvendo magia negra. Marie Laveau e os seus rituais voodoo já protagonizaram diversas sequências incríveis em apenas quatro episódios de Coven, mas sem dúvida alguma, a invocação do exército de mortos-vivos na vingativa cold open, de 1961, foi a mais impressionante de todas elas. Em plena New Orleans que tenta se adaptar as conquistas conseguidas com o Movimento dos Direitos Civis, um garoto negro, filho de uma das empregadas de Laveau no Cornrow City é brutalmente assassinado. Tomada pela raiva, a feiticeira usa da prática mais assustadora e conhecida do voodoo: o controle necromântico. Os produtores de AHS atentaram para os mínimos detalhes da cena, trazendo a figura da cobra – a serpente voodoo Zombi, representando a entidade Iwa Damballah Wedo –, que muitos alegam ter sido o animal de estimação de Marie Laveau no passado, e mostrando um despertar zumbi digno de sua origem cinematográfica nos clássicos de George A. Romero. Foi para qualquer fã de horror ir ao delírio.

No presente, a trágica noite na Academia deixou Fiona em maus lençóis. Queenie foi mesmo estuprada pelo Minotauro, mas o amante de Laveau não durou segundos diante do ódio da Suprema. Eu não achei necessário mostrar Fiona decapitando o monstro, pois a gente sabe que ela é poderosa o suficiente para isto, basta olhar a classe com que a bruxa sopra vida de volta pra Queenie, ou mesmo a orgulhosa bronca que ela dá em Cordelia ao descobrir que a filha foi pedir ajuda a sua rival. Quanto a Madison, o seu assassinato resultou na mesma coisa que o desaparecimento de Anna Leigh causou: uma visita surpresa do Conselho. O mais interessante de tudo isto é que o inquérito foi convocado por Nan e seu incômodo ao não mais ouvir Madison em sua cabeça. Daí, meus caros, reforço que tenho quase certeza de que nossa bruxinha clarividente é sim a nova Suprema.

Sobre o Conselho, ele não poderia ser mais icônico. Temos Frances Conroy retornando como Myrtle Snow, Quentin um bruxo gay vivido pelo Leslie Jordan (não entendi bem esse lance de homens poderem ser descendentes de Salem, mas dá pra comprar a liberdade) e uma senhora sem carisma, como bem aponta o próprio Quentin, chamada Pembroke. O destaque vai para os dois primeiros, mas com uma ênfase maior em Myrtle, afinal, quem não ama ver Frances Conroy brilhar em cena discutindo com Jessica Lange? Eu não fui muito fã da montagem do interrogatório, mas foi nele que descobrimos mais sobre o amor platônico de Spalding por Fiona – só uma repetição do papel que o Denis O'Hare já tinha feito na Murder House – e claro, a confirmação final de que Madison não era a nova Suprema. Muitos vão dizer que o lance da saúde, anula a possibilidade da Nan ser a substituta de Fiona, porém eu já adianto Síndrome de Down não é doença.

A temática do halloween esteve presente numa ideia sensacional. Monstros andam livre neste dia, então ter um Kyle fugido, ou uma horda de zumbis caminhando por aí, não causariam estranheza nenhuma. Antes disto, Hank o marido mala da Cordelia (ou Cornelia segundo um amigo meu), também usou da data comemorativa para mostrar seu verdadeiro eu. Na divertida conversa de bar que Cordelia tem com a mãe no fim do episódio, Fiona diz o porquê de nunca ter gostado de Hank. Eu fiquei curioso com a história dele, e mais ainda com o que isto pode trazer agora que o misterioso atentado que Cordelia sofreu, deve colocar sogra e genro juntos.

LaLaurie anda quieta e eu me peguei com um sentimento estranho durante o episódio, não consigo odiar a tirana. Adorei ela falando das antigas tradições de halloween para Fiona, o obrigado dito à Queenie também foi verdadeiro e senti pena de verdade quando ela atende a porta e dá de cara com os corpos sem alma das três filhas. Era de se esperar que numa vingança pessoal, Marie Laveau fosse ainda mais brutal na escolha do seu exército, do que foi no passado. Acho também que foi ela a responsável pelo ataque contra Cordelia, ou quem sabe a própria Myrtle querendo tacar mais lenha na fogueira, para provar que Fiona é uma Suprema incompetente. Coven começou a colocar na mesa um intricado jogo de interesses, que vai dando corpo a sua trama, cada vez menos alegórica e mais disposta a deixar uma marca definitiva no antológico dever que carrega: o de ir além do que tramas fantásticas geralmente vão.

P.S.: Sem muitos comentários para Spalding e sua coleção de bonecas, que agora tem a própria Madison como item de luxo.

P.S.2: Daí mataram a Lily Rabe no primeiro episódio, mas ela voltou logo. O problema é que me vem a Alexandra Breckenridge e ela morre rapidinho também. Tem que ver isto aí viu Ryan Murphy?

P.S.3: Música tema da Marie Laveau é Sugarland do Papa Mali. Sensacional, sim ou claro?

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