Review: Arrow S03E06 - Guilty

GuiltyDepois da estreia da terceira temporada, Arrow não conseguiu ainda entregar nenhum exemplar que fizesse jus ao alto nível adquirido pela série em seu ano anterior. Boas aventuras aqui e ali, mas parece faltar algo, talvez um senso de urgência ou uma sensação de perigo crescente na trama central, que mesmo a introdução de Ra's Al Ghul não conseguiu trazer. Com o final do episódio passado, parecia certo que isso começaria mudar em Guilty. Mas o resultado não é bem esse.

É claro que o seriado precisava, desde a primeira aparição do personagem, criar um background para Ted Grant (J.R. Ramirez), mas fazer isso paralelamente ao que parecia ser a revelação do grande mistério sobre quem matou Sara Lance só serviu para certificar o espectador que ainda não seria a hora de descobrir o assassino. O roteiro precisa se dividir entre duas tramas paralelas que certamente funcionariam melhor sozinhas. Com o pouco espaço dado a Roy até aqui, era de se esperar um episódio focado inteiramente na relação do rapaz com o restante do Time Arqueiro, principalmente com Oliver. No fim, tudo é feito apressadamente e nada é desenvolvido de forma satisfatória.

Desde que surgiu no começo desta temporada como parceiro do Arqueiro, Roy ficou limitado a algumas peripécias vestindo seu uniforme. Quando está em trajes "civis" o personagem se torna mero adereço, sem acrescentar nada para a história. Assim, é decepcionante que a oportunidade de lidar com suas ações na temporada anterior, bem como o porquê de Oliver ter aceito tão bem a entrada do rapaz para o grupo, seja totalmente desperdiçada e se resuma a uma conversa no final do episódio.

Da mesma forma, a trama de Ted Grant não tem "substância" quando, na verdade, deveria ser um "conto de precaução" para o Arqueiro, que no início da temporada se encontrava vulnerável e se perguntando quanto a sua condição de justiceiro. Seria imensamente interessante confrontar Oliver com a ideia de um vigilante anterior a ele, dando até mesmo flashbacks a Grant para o espectador conhecer melhor sua história. Mas, tudo é resumido à meia dúzia de recortes de jornal, fazendo o boxeador parecer mais um ex-aventureiro do que um pioneiro na carreira de combatente do crime.

A impressão é que os produtores tinham dois roteiros em mãos, não os acharam material para dois episódios e resolveram uni-los usando uma outra subtrama para dar alguma coerência temática para o conto. O elemento em questão é o paralelo criado entre o ex-parceiro de Ted (Nathan Mitchell) com Roy. Mas isso só funcionaria caso a posição do Arsenal no time estivesse mais clara, ou seja, caso fossem desenvolvidos os pontos comentados nos parágrafos acima. Do jeito que Guilty aborda tudo isso, o resultado é bem aquém do que se espera de Arrow, principalmente depois de se tornar uma série tão focada em desenvolver seus coadjuvantes.

O episódio, por outro lado, acerta em algumas coisas. A mais notável, com certeza, é a utilização de uma marca registrada clássica do Arqueiro Verde. A forma como o roteiro encontra para justificar a "flecha luva de boxe" é convincente e traz aquele gostinho de quadrinhos que o seriado acostumou o espectador a esperar toda semana. O texto também estabelece um ponto importante no treinamento de Laurel. Quem acompanha a série sabe que a moça já tem conhecimentos de artes marciais, então é importante dizer o porquê dela estar tão empenhada em aprender com Ted. Tem mais a ver com controle emocional do que com habilidades. Isso vem em ótimo momento, já que a jovem advogada deve vestir muito em breve o uniforme da Canário, o que certamente trará para alguns espectadores menos atentos a impressão dela ter se tornado vigilante com poucas semanas de treino. Também é interessante como durante seus 43 minutos, Guilty dá alguns vislumbres da vilã Cupido (Amy Gumenick), que aparece várias vezes de relance e dá as caras por completo no gancho para o próximo episódio.

Guilty

Assim, Arrow passa mais uma semana sem realmente mostrar a que veio, trazendo um exemplar fraco para essa temporada, mas que tinha potencial para ser um dos mais interessantes. Se quando erra, comete absurdos, quando acerta, mostra aos espectadores que ainda sabe quais elementos funcionam, seja um simples fanservice ou com boas decisões narrativas. A pergunta que fica é: se os roteiristas sabem como fazer, porque não fazem?

Alexandre Luiz

Comente pelo Facebook

Comentários

Comente pelo Facebook

Comentários

Deixe uma resposta