Review: Arrow S05E05 - Human Target

O texto abaixo contém spoilers de Arrow

Depois do tenso e movimentado episódio da semana passada, Arrow retorna com uma continuação direta, mostrando a busca do Time Arqueiro por seu membro sequestrado, Cão Raivoso. Com um início pesado, envolvendo o personagem sendo torturado por Tobias Church, Human Target coloca o espectador direto na ação, novamente deixando pouco espaço, ou quase nenhum, para tramas secundárias desinteressantes.

Apesar do título, a participação de Christopher Chance, o Alvo Humano, não é algo de destaque. A série tem apresentado anualmente alguns personagens da DC e, embora o episódio cumpra sua parte na barganha, não chama toda sua atenção ao herói vivido por Wil Traval. Mas, ao contrário da introdução de Constantine na última temporada, essa participação reduzida conta com um motivo: o desenvolvimento de várias subplots para dar ao episódio, inclusive, a sensação de encerramento de arco.

A trama de Church chega ao fim em um embate grandioso, com lutas bem coreografadas e o sentimento de um arco muito bem desenvolvido. Em cinco episódios da temporada, a série já estabeleceu conflitos suficientes tanto para Oliver em sua função como prefeito, quanto para o Arqueiro e sua luta contra o crime. Além disso, a nova equipe reunida pelo herói também demonstra evolução. Quando entram em ação, os novatos finalmente exibem entrosamento. Há uma cena logo no início que exemplifica bem esse elemento. O protagonista precisa apenas de um aceno de cabeça para indicar o que Retalho deve fazer.

Human Target consegue dividir de forma competente as duas vidas do protagonista e introduz aspectos sociais ao desafio de comandar a prefeitura de Star City. O roteiro é cuidadoso o suficiente para estabelecer, inclusive, que uma decisão um tanto agressiva de Oliver é tomada enquanto Chance assume seu lugar. A direção do episódio, por conta de Laura Belsey, é uma das mais eficientes da temporada, tanto nas cenas de ação (que corrigem todos os problemas de artificialidade dos episódios dirigidos por James Bamford), quanto nos momentos mais intimistas. Surpreendentemente, até mesmo a atenção dispensada ao relacionamento entre o protagonista e Felicity é bem conduzida, sem apelar para o dramalhão e trazendo ao ex-casal alguma dignidade. É ótimo ver que Oliver aceitou a nova relação da moça sem alguma cena em que está sozinho e amargurado. Há uma sinceridade em suas palavras para Felicity e, tomara, que a série não retorne ao folhetim até o final da temporada.

Outro elemento importante do episódio é o retorno de Diggle à equipe. Com piadas muito inspiradas e um forte destaque para a nova dinâmica que terá com os colegas, o parceiro do Arqueiro Verde divide suas melhores cenas com o Cão Raivoso. O texto usa o elemento da camaradagem entre ex-militares para desenvolver uma atitude de mestre/aprendiz que o novo justiceiro não conseguia ter com Oliver. E ambos se beneficiam das conversas que têm, aprendendo algo no final da trama.

A quinta temporada de Arrow, definitivamente, está melhor. Um sinal disso é que até os flashbacks se justificam, agora trazendo alguma ligação com os eventos do presente. Fora seis episódios que, mesmo com alguns tropeços entre eles, conseguiram reafirmar ao fã que podem depositar alguma fé na adaptação. O arco envolvendo Tobias Church chega ao fim dando lugar ao que parece ser a grande ameaça deste ano, o vilão Prometheus. Agora, cabe à série fazer jus à ameaça que o novo antagonista ofereceu nas poucas aparições que fez. E, obviamente, desenvolver seus objetivos e motivações de forma menos caricata que a de Damien Darhk.

Quanto a participação de Wil Traval, mesmo que soe um pouco forçada apenas para introduzir um personagem da DC, as cenas que divide com Stephen Amell são importantes para a atitude do protagonista com Felicity ter o impacto positivo que teve. O Alvo Humano é um ótimo coadjuvante, e o texto jamais dá espaço para que saia desta função. Isso porque precisa trabalhar tudo que tem nas mãos sem deixar a narrativa inchada. No entanto, seria ótimo um retorno do personagem em uma situação menos movimentada. Isso poderia testar seu apelo ao público para participações mais pontuais no futuro em alguma outra série do universo televisivo da DC, por exemplo.

Com a sensação de desfecho de arco e início de outro, Human Target se destaca por dar tempo a vários coadjuvantes, avançar a trama e ainda oferecer uma dose moderada de fanservice com a inclusão de um personagem não tão famoso das HQs (mesmo que aqui apareça em sua terceira versão live action). Agora a série pode focar em seu novo vilão e ainda mais na participação do grupo de justiceiros liderado pelo Arqueiro. Com Diggle de volta assumindo a postura de mentor, a química entre a equipe deve também avançar. Assim a temporada traz à tona o elenco como principal característica e não plot twists forçados ou romances novelescos.

Alexandre Luiz

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