Review: Arrow S04E05 - Haunted

Quando estreou ano passado, a série Constantine dividiu opiniões. Deixando de lado sua fidelidade ao material original ou suas ligações, em tom, com a versão apresentada nas HQs dos Novos 52, com uma coisa muita gente concorda: Matt Ryan ofereceu uma caracterização excelente do personagem, evidenciada, principalmente, nos episódios que traziam adaptações diretas de histórias famosas dos quadrinhos. Com o cancelamento do programa, logo no início de 2015, a comoção foi muito mais por conta do ator do que pela série em si. E que boa notícia quando os produtores de Arrow anunciaram um crossover com o mago, que cai como uma luva na temporada que introduziu magia à série, assim como oferece aos fãs mais uma chance de conferir o "Hellblazer" agindo com todas as suas características mais marcantes.

Usando a premissa da ressurreição de Sara para que o Time Arqueiro una forças com Constantine, o roteiro traz altos e baixos. É um tanto frustrante que a participação de Ryan na trama principal fique apenas nos 10 minutos finais, sendo que sua chegada à Star City poderia ter sido antecipada e o episódio mais focado em como salvar a alma da antiga Canário, do que oferecer apenas momentos de combate corpo-a-corpo nas tentativas de capturá-la. Para que houvesse uma explicação do porquê Oliver conhecer o mago, este último é apresentado nos flashbacks, de forma até interessante, uma vez que poderia soar bem forçada, mas que se apresenta orgânica a subtrama desta temporada. Claro que isso só ficará mais natural caso o sobrenatural permaneça como elemento da aventura do passado, mesmo sem Constantine na história.

Boa parte de Haunted lida com a revelação de segredos: Oliver descobrindo sobre Laurel, Sara e Thea, e Diggle surpreso com certas revelações sobre o passado de seu falecido irmão. É até inteligente por parte do texto, introduzir este tema justamente na subtrama da candidatura de Oliver, quando seu coordenador de campanha o alerta para os perigos de escândalos do passado. A outra parte do episódio é focada na caçada a Sara, que dá cabo de vários ataques na cidade, matando suas vítimas. Neste caso, o roteiro não sabe lidar muito bem com as reações e atitudes de Laurel, que deveria exibir um pouco mais de culpa por ter o sangue de várias pessoas nas mãos. Aliás, a personagem continua sendo um dos pontos mais fracos da temporada até aqui, com o episódio buscando até mesmo uma espécie de redenção, quando coloca sua amizade com Oliver em cheque. Mesmo assim, só o futuro dirá o quanto a Canário Negro poderá redimir seus erros até aqui.

A aventura da semana também serviu para mostrar os maiores indícios do amadurecimento de Oliver até agora. Suas reações ao descobrir a verdade sobre Sara e Thea só demonstram o quanto o protagonista cresceu desde a estreia do seriado. E esta temporada parece exibir as mudanças mais significativas em seu comportamento, e para melhor. O Arqueiro Verde não surge apenas como herói de capuz, mas também reflete nas atitudes de seu alter ego, seja entre os parceiros de ação, ou nas que toma envolvendo sua empreitada política.

Entre os problemas, fica evidente uma falta de cuidados referentes ao clímax. O cenário bem pobre na sequência que envolve a busca pela alma de Sara e efeitos terríveis na luta entre Constantine e um dos ninjas guardiões do mundo místico (além de ser o momento mais descaracterizado referente ao personagem), surgem como surpresas desagradáveis, uma vez que a série, mesmo com suas limitações, sempre demonstrou cuidado com sua parte técnica. Já a direção de John Badham é enérgica e traz um ritmo interessante, ajudado também pela montagem que faz uso de todos os raccords possíveis nas transições entre passado e presente e exibe um interessante corte quando introduz a subtrama envolvendo o Capitão Lance e Diggle.

No entanto, no geral, Haunted une o útil ao agradável ao se tornar o melhor episódio da dupla Flash/Arrow a criar as bases para Legends of Tomorrow, algo que parece ser o objetivo secundário das duas séries neste período pré-hiato. A trama de Sara se conecta melhor com a série do que a do Nuclear em Flash, por exemplo, mesmo que para existir precise prejudicar todo o desenvolvimento de Laurel visto no ano anterior. Com um gancho entregando que o próximo episódio também será focado no retorno de outro personagem de Legends, este objetivo secundário tem tomado muito tempo das duas séries. A impressão é que essas temporadas só irão realmente mostrar a que vieram depois de janeiro, mesmo que, até agora tenham mantido consistência e exibido boa qualidade. A sorte é que Arrow ofereceu algo mais na oportunidade criada pelo crossover com Constantine, garantindo aos fãs uma boa dose de quadrinhos em live action.

Alexandre Luiz

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2 comments

  1. Avatar
    Kelf 5 novembro, 2015 at 22:43 Responder

    Eu se pudesse trazer minha irmã de volta a vida não pensaria duas vezes, sinceramente. Mas toda vez que a Laurel erra parece que é 200 vezes pior. Todo mundo da série já fez cada merda (principalmente o Oliver). Consigo relevar tranquilamente o que ela fez porque sei que os roteiristas de Arrow não são muito inteligentes e não conseguiram pensar outro jeito de trazer a Sara de volta de uma maneira que todos não demonizassem a Laurel.

    A Black Canary tá pra fazer 70 anos nos quadrinhos e é mal adaptada na série e mal compreendida por grande maioria dos fãs. Muito decepcionante isso.

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