Review: Constantine S01E06 - Rage of Caliban

Constantine - Season 1Antes de seguir com esse texto, é importante saber o seguinte: Rage of Caliban foi exibido fora da ordem original. Ele não é o sexto, mas o segundo exemplar de Constantine. E por que essa informação importa? Porque ele simplesmente não funciona depois dos dois ótimos contos das semanas anteriores. É um desserviço para a série e uma falta de visão incrível da NBC, que preferiu continuar o piloto mostrando a chegada da nova parceira de John a exibir uma aventura do personagem em que ele conta com o mínimo de ajuda possível.

A trama envolve crianças que, quando possuídas por um espírito perturbado, assassinam os próprios pais. É uma boa premissa e o episódio até se mostra eficiente como uma história de horror. O problema reside mesmo na qualidade do texto quando comparado à notável melhora de roteiros que a série vem experimentando e como ele não se encaixa na continuidade do programa.

Uma das grandes críticas à trama central de Constantine, ou seja, as “Trevas em Ascensão”, é a falta de uma explicação mais palpável para o espectador sobre a origem desse mal ou qual o nível de urgência com que John deve combatê-lo. Pois bem, logo no início de Rage of Caliban, o anjo Manny dá várias dicas sobre o problema. Claro, afinal é originalmente sua segunda aparição na série e faz sentido que ele traga mais informações. Caso exibido conforme a agenda prevista, os episódios seguintes teriam se beneficiado do que é dito aqui. Na posição em que está, no entanto, o que o personagem de Harold Perrineau explica já ficou óbvio tanto para o espectador quanto para Constantine. Outra informação fora de propósito e que incha a trama de exposição é até onde Manny pode ajudar o protagonista. É nesta aventura que ele conta que não pode interferir diretamente, mas como o episódio se passa depois de várias aparições em que ele deixa isso claro por suas ações, é muito estranho ter de ouvir isso em uma conversa entre os dois.

A única tentativa em se encaixar na cronologia da série é uma menção à Zed, feita apenas em áudio, colocada nitidamente na pós-produção. Não explicar a ausência da personagem teria sido melhor do que dizer que ela está em outro lugar, colocando a trama como continuação do que já foi exibido. Aliás, talvez a solução ideal fosse nem mesmo colocar Rage of Caliban na programação. Não faz sentido, na semana seguinte em que Constantine precisou da ajuda de tantos personagens para lidar com fantasmas, que surja tão confortável em atuar sozinho para enfrentar um de seus maiores medos: a possessão de uma criança, já que foi justamente uma tentativa de exorcismo semelhante que quase o levou a loucura. Aliás, fazer o protagonista lidar com situação assim, tão cedo, não faz bem ao seu arco dramático, principalmente em uma história que não prevê seu futuro, e provável, confronto com Nergal.

Apesar de ter bons momentos de terror, afinal, crianças possuídas tendem a ser naturalmente assustadoras, o episódio é, em suma, problemático em sua estrutura, já que estabelece a ação em outra cidade e faz John e Chas voltarem à sua sede de operações em Atlanta logo na metade da trama apenas para buscar alguns equipamentos. Matt Ryan, no entanto, se sai bem na construção de Constantine, principalmente em sua primeira cena no episódio e naquela em que se encontra em uma cela de prisão. Mas, como quase tudo em Rage of Caliban, essa caracterização só faz sentido para o começo da série e não para o momento em que se encontra atualmente.

Constantine - Season 1

Preocupado em estabelecer regras para o universo místico do programa, o episódio exige do público o conhecimento sobre sua pretensão original: vir logo após o piloto. Justo agora em que o seriado engatou contos que não necessitam mais de exposição, e sim de foco em seu elenco, as explicações desnecessárias tiram o espectador da trama a todo momento, jamais aparecendo em benefício da história, simplesmente por um erro de cálculo imperdoável da emissora. Tão sem sentido quanto exibir uma história de Halloween no feriado de Ação de Graças.

Alexandre Luiz

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1 comment

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    Allan Gomes 1 dezembro, 2014 at 13:07 Responder

    Essa burrice no tratamento com a série me lembra a cagada que a Nickelodeon faz com Legend of Korra. É impressionante. Tem emissoras que simplesmente não deveriam receber material de qualidade, que fuja ao feijão com arroz que já exibe, sob o risco de não terem culhões pra bancar determinadas evoluções estéticas/narrativas. Como contraponto temos a CW arriscando mais fora da sua zona de conforto com suas séries de heróis.

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