Review: The Flash S02E23 - The Race of His Life (Season Finale)

É difícil falar desta season finale de Flash sem lembrar do mesmo momento, há um ano, quando se encerrava a primeira temporada do seriado. Naquela ocasião, o episódio acertou praticamente em tudo, adicionando um conflito que ia do drama ao heroísmo épico sem soar forçado e ajudava, e muito, a colocar a série no posto de adaptação de quadrinhos feita do jeito certo. Mas, o segundo ano das aventuras do Velocista Escarlate esteve cheio de altos e baixos e seu desfecho surge como reflexo direto de um arco de histórias problemático, para dizer o mínimo.

Com o final chocante do episódio anterior, era óbvio que o espectador encontraria Barry Allen em um momento bem difícil, que colocaria em cheque todo o aprendizado acompanhado no excelente episódio dirigido por Kevin Smith. Além disso, Zoom, ao encerrar a vida de Henry Allen fez questão de destacar que aquela ação era para colocar o protagonista na mesma situação vivida pelo vilão. Para mostrar que ambos são duas faces da mesma moeda. Se focado nessa premissa, o episódio teria se saído muito melhor. Ao contrário disso, prefere perder tempo com uma atitude que, mesmo justificada pela preocupação do Time Flash, neste ponto da história não faz o menor sentido, pela falta de um plano melhor, uma vez que todos ali sabem muito bem do que o antagonista da temporada é capaz. Assim, o resultado é um final sem a presença de seu personagem central por tempo demais.

Fica de fora também todo o conflito mencionado acima, a respeito do quanto Barry teria mudado depois de presenciar a morte de seu pai. Uma oportunidade jogada fora para que o texto invista na ideia absurda de uma corrida entre Flash e Zoom. Existe a pista de que o evento dramático traria uma mudança de atitude, que somada a tudo que o personagem já passou, renderia uma recompensa repleta de heroísmo, que o roteiro de Aaron e Todd Helbing simplesmente ignora. As ações do Flash contra seu inimigo jamais remetem ao desafio proposto pela própria trama. O plano maligno do vilão, embora interessante, não conta com a devida atenção, fazendo com que soe como mera desculpa para o uso de efeitos visuais (que, diga-se de passagem, são muito bons). Mesmo a ideia do "remanescente temporal" parece subutilizada. A série perde a chance de usar isso para justificar a atitude derradeira de Barry, que deixa o gancho para a temporada seguinte. Uma vez que seu "duplo" morreu, seria a versão sobrevivente, criada por segundos de diferença no tempo, mais ou menos Barry Allen que a outra?

Cabe a The Race of His Life, também, resolver o mistério do homem na máscara de ferro, que, estendido à exaustão, precisou vir na forma de uma bela homenagem ao seriado original do Flash, que reconhece a importância de John Wesley Shipp para o herói na cultura pop. E também mostra que os realizadores respeitam a mitologia dos quadrinhos, mesmo que brincando com a ideia de Jay Garrick ser o vilão no começo.

Ao desfecho do episódio fica a amarga tarefa de deixar um gancho para a próxima temporada. Corajosa, a decisão de optar por uma inspiração na saga dos quadrinhos, Flashpoint (Ponto de Ignição, no Brasil). Por um lado, os produtores se mostram audaciosos: a atitude de Barry precisa trazer alterações também para as outras séries do universo DC no CW. Por outro, entra em conflito direto com tudo que o protagonista enfrentou, principalmente com a aceitação de seus poderes e de seu destino, no já citado The Runaway Dinosaur. Sob um ponto de vista, é como se o personagem involuísse. Por outro, há uma bela rima com os eventos de viagem no tempo vistos na finale do ano anterior. Dessa vez a série entra no caminho perigoso do paradoxo temporal, que pode, sim, trazer bons momentos, mas também poderá gerar problemas de continuidade entre os outros programas da emissora.

No geral, este episódio final da temporada se comporta como o resumo do que representam, em qualidade, os 22 episódios anteriores: altos e baixos, oportunidades desperdiçadas, ótimas ideias de fanservice (há até uma homenagem a Crise nas Infinitas Terras) e ação, pelo menos, empolgante, mesmo que dentro da trama enfraqueça o trabalho feito com o desenvolvimento dos personagens. De todas as séries DC, The Flash é a que mais conquistou o público, pela simpatia do elenco e por ser a mais focada em trabalhar os aspectos de heroísmo que sempre fizeram parte da mitologia da editora nas HQs. Faltou, portanto, um cuidado maior em superar as expectativas e, principalmente, fazer jus às qualidades já exibidas pelo programa em seu ano de estreia. Com um gancho que sugere um reboot, fica a promessa de maior atenção aos detalhes, mas com a experiência já vivida pela série-irmã, Arrow, fica difícil acreditar em mudanças realmente significativas e que fujam do lugar comum.

Alexandre Luiz

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Comentários

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    Luís Felipe 27 maio, 2016 at 16:59 Responder

    O único momento que esse episódio me empolgou foi com o Jay Garric uniformizado. No mais, achei esse Zoom muito fraco. Todo o temor gerado em torno dele pra ele simplesmente querer apostar uma corrida com o Barry? Sério? O cara que matava sem pensar duas vezes. Não me convenceu como o super vilão que nos foi apresentado.
    E esse final?
    Alguém me explica porquê a outra versão do Barry some? (Não diga que toda a primeira temporada 'sumiu' junto)
    Fiquei com a impressão de que só fizeram isso para justificar a entrada da Supergilr nesse universo.
    Sinceramente não sei o que esperar do próximo ano.
    Mas, como não abandonei Arrow ainda, também vou dar ao Flash o voto de confiança.

    Parabéns por todas as reviews. Vocês fazem um ótimo trabalho.

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    Alexandre Luiz 27 maio, 2016 at 18:39 Responder

    Valeu, Luís! Então, sobre o Barry sumir… sim, o Barry da timeline da S01 não existe mais, porque se a mãe dele foi salva, o Reverso foi pego e não aconteceu explosão do acelerador de partículas. A questão da Supergirl envolve terras paralelas, aqui está sendo criada uma nova timeline, são duas coisas diferentes, mas não duvido que arrumem um jeito de linkar tudo isso no crosssover entre as séries.

    Vamos esperar a nova temporada que, ou será revolucionária, mudando tudo nesse universo DC do CW ou uma bela porcaria caso não tenham planejado tudo isso direito.

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