Review: Arrow S04E22 - Lost in the Flood

Como de praxe em Arrow, os dois episódios antes do último da temporada completam um arco em três partes, algo que a série irmã, The Flash, poderia muito bem incorporar em sua estrutura, pois cria um dinamismo excelente, além de dar tempo para resolver pendências que permearam o ano, deixando para o derradeiro momento, a batalha e a conclusão da trama. Nesse sentido, Lost in the Flood, que é a parte do meio deste arco, cumpre muito bem seus objetivos.

No que diz respeito a narrativa, esta vigésima segunda hora do seriado é muito bem resolvida. O que faltou no episódio anterior, aparece de sobra aqui: senso de urgência e ação ininterrupta, em uma luta contra o tempo para impedir Damien Darhk. A direção de Glen Winter é sempre bem-vinda, e neste caso mais do que nunca. O diretor traz a qualidade habitual de sua câmera solta, o que gera uma das melhores sequências de ação da temporada, com o herói e seu parceiro, Diggle, correndo para escapar dos capangas da COLMEIA. Não é segredo para ninguém que as cenas com dublês e artes marciais tem sofrido uma queda considerável de qualidade. Mas, como Winter deixa claro, isso pode indicar uma falta de cuidado dos diretores usuais pois, dessa vez, a equipe já muito elogiada responsável pelas coreografias da série tem seu trabalho evidenciado como deve.

O grande problema em Lost in the Flood está na quantidade exagerada de subtramas e como o roteiro lida para amarrar certas pontas soltas. Em meio à tanta correria, por exemplo, a série abre espaço para Felicity e seus pais resolverem os problemas do passado, quebrando um pouco o ritmo, mas, ao mesmo tempo, trazendo uma boa dose de humor com a participação de Curtis Holt na história. É um respiro necessário para o momento da trama, mas o texto pesa a mão nas discussões quando poderia desenvolver melhor outras tramas paralelas, como a de Thea. Quando se trata da irmã de Oliver, o episódio, e porque não dizer, a série, encontra seu calcanhar de Aquiles. Para piorar o ciclo sem fim de erros que a garota comete (sem evoluir para uma coadjuvante melhor), o roteiro apresenta uma resolução mirabolante para o controle mental causado pelas pílulas de Darhk. Mesmo que o a dosagem administrada em Thea seja em menor escala, é muito difícil aceitar que uma simples conversa com o Arqueiro seja suficiente para liberar a garota. Depois de tudo que adaptação já mostrou referente a esse artifício usado pelo vilão, a coisa fica ainda mais incoerente.

O que também se tornou um problema para os realizadores é a insistência nos flashbacks. A subtrama do passado, diluída entre momentos-chave do episódio não atrapalha o ritmo graças a direção, mas chega muito perto. Há dois anos nada de relevante é adicionado com essas intromissões, que estão se tornando cada vez mais aborrecidas. No episódio em questão, por exemplo, a impressão é Oliver e sua parceira não tinham muito o que fazer e estava apenas correndo de um lado para o outro esperando que o Barão aparecesse.

A trama central se desenvolve bem, dando a Darhk a chance de extravasar seu plano, criando assim uma ameaça muito maior do que aquela que os heróis estavam dispostos a enfrentar. A inclusão da esposa do vilão e de seu destino trágico pelas mãos do Anarquia servem para criar uma sensação de perigo iminente, em que qualquer um pode se tornar vítima de seus planos, algo que o cliffhanger faz questão de trabalhar. Apesar das intenções do vilão serem absurdas, trazem uma disputa em uma escala nunca abordada pela série. Mesmo com toda a ação se passando em Star City, o impacto do plano é global, fazendo com que a responsabilidade de Oliver aumente. Isso o roteiro também acerta, principalmente ao fazer o protagonista confrontar seus ideais em um diálogo com um dos moradores do "paraíso" construído por Darhk.

Mesmo com problemas pontuais, a maioria graças a erros cometidos pela série anteriormente, Lost in the Flood oferece um pré-season finale muito mais interessante do que o exibido em The Flash, que pecou justamente por soar comum demais frente à uma ameaça até maior do que a proposta pela adaptação do Arqueiro Verde. Trazendo a ação competente que há muito não se via em Arrow, o episódio ajuda a criar o momento perfeito para a resolução do conflito. O seriado demonstra, sim, sinais de cansaço, mas quando existe um empenho, mínimo, que seja, ainda prova que é capaz de empolgar.

Alexandre Luiz

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