Review: The Flash S02E22 - Invincible

Algo no episódio de The Flash da semana não parece certo. É o penúltimo da temporada, mas, por conta de uma direção pouco inspirada, amarga a falta de impacto que este momento da série exige. Boa parte de Invincible é focada nos efeitos que o encontro com a Força de Aceleração causou em Barry. Seu ar mais confiante é, na visão de seus amigos, um problema. Porém, nada na trama justifica essa preocupação ou, ainda, nenhuma consequência vem dessa nova postura do herói. Mesmo o ato final de Zoom está diretamente ligado ao que o Flash faria normalmente, mesmo se ainda fosse aquele mesmo protagonista pré-"morte".

Talvez o grande problema de Invincible seja focar tanto em uma situação que, excluindo a sequência de abertura, não parece tão fora de controle durante o restante da narrativa. A invasão de meta-humanos da Terra-2 não gera na série a sensação de cidade sitiada que pretende. E o plano para derrotar o exército de Zoom parece ser resolvido fácil demais, embora traga um bom momento entre Wells e Jesse. Mesmo a aparição da Sereia Negra, a versão má da Canário, parece fora de propósito, trazendo apenas mais uma chance dos fãs conferirem Katie Cassidy no universo televisivo DC, se divertindo com a vilania da personagem.

No entanto, esta penúltima hora de Flash traz interessantes desdobramentos de algumas subtramas, sendo a mais notável aquela que envolve Wally. O desejo do personagem em acertar seus erros do passado traz uma boa forma de amarrar suas atitudes pouco justificadas quando de sua introdução na série, mostrando que os realizadores estão atentos ao que colocam na história, deixando pouco para o acaso. Dramaticamente é uma boa oportunidade para Keiynan Lonsdale justificar sua presença na adaptação e dá ao coadjuvante uma forma de fazer algo pelo Flash, quase como indicando ou referenciando sua futura posição de sidekick.

Para os fãs mais antigos, Invincible traz um bem-vindo easter-egg ao unir os personagens de John Wesley Shipp e Amanda Pays, o casal Barry Allen e Tina McGee da série original do velocista. A troca de olhares entre ambos e a química existente, são totalmente remanescentes do que foi exibido há 25 anos na TV. E oferecem uma reunião que parece ter sido adiada bastante para acontecer justamente neste momento chave para o pai do protagonista. Curiosidade à parte, o pai de Katie Cassidy, David, foi o Mestre dos Espelhos no seriado antigo, meio que fechando esse ciclo de referências.

Mas, justamente quando precisa entregar, no clímax, o motivo maior da volta de Henry Allen para a série, o episódio não consegue, novamente, desempenhar sua função. Com sérios problemas de timing, a direção da cena parece não levar em conta os poderes do Flash, criando uma situação forçada para levar a um desfecho óbvio desde o momento em que Henry diz a Barry que havia retornado para ficar. Perde em impacto e serve apenas para Zoom incitar ainda mais um provável lado sombrio no herói, que, por conta de inúmeras distrações, jamais é totalmente desenvolvido aqui, justamente o episódio que deveria lidar com a prepotência do personagem principal.

Seja nos conflitos tolos criados pelo exército de Zoom, ou pela falta de foco do texto, Invincible, apenas de não ser ruim, não cumpre totalmente o que ambiciona, trazendo um problemático gancho para um final de temporada que prometia algo muito grandioso. As visões de Cisco parecem anunciar um evento em larga escala, mas isso já aconteceu no final do ano anterior. Seria um tanto decepcionante se a série resolvesse repetir o conflito, entre velocistas apenas para criar outra "Crise" entre o multiverso para justificar mais personagens dos quadrinhos na próxima temporada. Tomara que isso não aconteça, mas se os episódios anteriores davam vazão para um desfecho satisfatório, esta penúltima hora do seriado "pisa no freio" bruscamente.

 

Alexandre Luiz

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