Nascido Para Lutar: Um clássico do cinema tailandês, que mistura trama policial e muita luta

Filme tailandês traz Dan Chupong como um herói de ação que é um agente da lei traumatizado

Nascido Para Lutar: Um clássico do cinema tailandês, que mistura trama policial e muita luta

Nascido Para lutar é um filme de drama e ação tailandês, lançado em 2004 que é um dos expoentes do exploitation que valoriza a arte marcial do muay thai.

Dirigido por Panna Rittikrai e protagonizado pelo star hero local Dan Chupong, essa é uma obra que foi na onda de Ong Bak.

A história gira em torno de um grupo de aldeões, que são atacados em sua vila, por um tirano.

Nesse ínterim, um grupo atletas viajantes acaba ajudando eles, junto também a um ex-policial infiltrado. Ou seja, de certa forma, o esqueleto da história repete os clichês de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, também o remake western desse, Sete Homens e um Destino, além de parte do plot da animação da Pixar, Vida de Inseto.

Equipe criativa e a base da história

Como dito, o filme é conduzido por Rittikrai, o ator e mestre de dublês, que é mentor de Tony Jaa e é famoso por gravar cenas de ação intensas e perigosas.

Já o roteiro é assinado por Morakat Kaewthanek, Thanapat Taweesuk e Nontakorn Taweesuk (que assinava Nonthakorn Thaweesuk) e é baseado no argumento de Panna Rittikrai.

Foi produzido por Tech Akarapol (que assinava Akarapol Techaratanaprasert) também Prachya Pinkaew e Sukanya Vongsthapat. Sita Vosbein foi produtor associado.

Remake

Vale falar que esse Nascido Para Lutar é uma versão de outro filme, Gerd ma lui, obra lançada em 1986, dirigido por Prapon Petchinn e também por Panna Rittikrai, que não foi creditado como tal.

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Rittikrai também protagoniza a obra.

Entre as duas obras, há o subtexto de violência urbana e combate da parte das forças estatais armadas contra os diversos tipos de tráfico, inclusive, de narcóticos e drogas.

Estreia e nomenclatura

O longa estreou na Tailândia em 5 de agosto de 2004. No resto do mundo, chegou apenas em 2005.

Na França passou no Deauville Asian Film Festival em março. Também foi exibido no Udine Far East Film Festival em abril.

Estreou no circuito comum da França em agosto de 2005.

O título original da obra é Kerd ma lui.

O nome brasileiro, Nascido para Lutar é uma tradução literal do termo em inglês, Born to Fight, termo esse que foi utilizado na maior parte dos mercados pelo mundo.

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Na Alemanha é Born to Fight - Sie kämpfen, um zu überleben, na Hungria é Született harcosok, na Itália é Born to Fight - Nati per combattere e na Espanha é Born to Fight: Nacido para luchar.

Locações e estúdios

O longa foi rodado em Patpong, na Tailândia.

Os estúdios que fizeram o longa foram a Baa-Ram-Ewe e Sahamongkol Film International.

Já a distribuição foi da 3L Filmverleih na Áustria e Alemanha. Em Singapura foi trazido pela Golden Village Pictures.

Na França a distribuidora foi a Mars Distribution e nos Estados Unidos, foi trazido por Dragon Dynasty no formato DVD.

A Imagem Filmes trouxe a obra para o Brasil em VHS, a Momentum Pictures lançou no Reino Unido e a The Weinstein Company foi a responsável por outra distribuição nos Estados Unidos.

Quem fez:

Rittikrai dirigiu Thai Police Story, Run Thug Run, O Guarda-Costas, Ong Bak 2: O Guerreiro Sagrado Voltou, Ong Bak 3, Bangkok Nocaute e Vingança de um Assassino.

Ele também escreveu boa parte dos filmes que conduziu, além de ter participado do roteiro de Ong Bak: Guerreiro Sagrado.

É mais lembrado por seu trabalho como ator, tendo feito Thai Police Story, Anjos de Aço 3, Luta Sem Trégua entre outros.

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Panna Rittikrai na época de ator

Morakat Kaewthanek escreveu apenas esse. Thanapat Taweesuk trabalhou em poucos filmes, escreveu esse e O Guarda-Costas, além de ter sido montador em Ong Bak.

Nontakorn Taweesuk também escreveu O Guarda-Costas, Ong Bak 2 e Red Cargo. Dirigiu Somtum e a série Monkey Twins.

Prachya Pinkaew produz esse, mas é lembrado mesmo por ser diretor de vários clássicos de ação, como em Ong Bak, O Protetor, Chocolate, Olho por Olho, O Protetor 2.

Tech Akarapol Chocolate, O Protetor, além do Ong Bak original, também as partes 2 e 3 e O Protetor 3.

Sukanya Vongsthapat produziu 13 Desafios, Guerreiro do Fogo, Os Meninos Superpoderosos, Pop Star, The Kick, Antapal e O Protetor 2.

Já o ator Dan Chupong fez Ong bak, Guerreiro do Fogo, Somtun, O Reino das Guerreiras, Ong Bak 2, Ong Bak 3, Vingança de um Assassino, Khun Phan e Os Mercenários 4.

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Também fez a coreografia de lutas em Monster Hunter, sendo dublê de Tony Jaa.

Participações especiais

O filme tem em seu elenco algumas pessoas famosas. Há, por exemplo, Piyapong Piew-on, que foi atacante da seleção tailandesa de futebol e jogou profissionalmente pelo FC Seoul na liga sul-coreana K-League na década de 1980.

Também aparecem Nilawan Thonglai e Apisamai Srirangson, apresentadores da BBTV (o canal 7) que representam eles mesmos na trama.

Além desses, há lutadores célebres, como a ex-campeã nacional de taekwondo Kessarin Ektawatkul e Somluck Kamsing, que foi medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, na modalidade boxe.

Narrativa

A trama gira em torno de um policial que luta contra o crime organizado e se desespera após a perda do seu parceiro e grande amigo.

No primeiríssimo momento é mostrado o encontro de dois homens, diante de belas paisagens naturais tailandesas.   São eles Puntakarn, também conhecido como Lowfei, interpretado por Santisuk Promsiri, além de Deaw, o protagonista.  

A cena mostra o sol se pondo em um céu rosado, além de um acordo feito antes da exibição da ação.

A demonstração clara de violência urbana

Não demora até que apareçam homens negociando, em eventos suspeitos.  

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Ou seja, essa era na verdade uma ação policial pouco usual, interceptação de algum tipo de tráfico.  

Não fica claro de primeira o que é, parece ser uma negociação criminosa, um comércio de armas ilegais.

Junto dos tiros, vem uma música instrumental, um tipo de hard rock estilizado, que imita a estética de filmes dos Estados Unidos, em especial os blockbusters da década de 2000.

Nesse início ainda ocorre uma perseguição envolvendo carros e caminhões, com muitos tiros, pessoas se tacando entre veículos, parkour, bullet time e câmera lenta.  

Ou seja, esse é um dos filhos tailandeses do fenômeno Matrix.

Trauma

Depois que perdeu seu amigo e mentor, Deaw tenta sossegar, por isso, aparece em outro momento, em uma pequena vila, um lugar tão carente e pacato que as pessoas giram em torno de um sujeito que faz embaixadinhas com uma bola de vime.

Depois que ele interage com a irmã de um dos locais, começa um tiroteio, provocado por forasteiros. O malfeitores atiram sem critério, matam e dilaceram pessoas, sem qualquer remorso, culpa ou algo que o valha.

Virada

A primeira meia hora dá pouca chance de mostrar lutas, se resume basicamente a briga entre bandidos e policiais, quase sempre armados, que varia entre ações escondidas e o ataque ao tal vilarejo.  

Nascido Para Lutar: Um clássico do cinema tailandês, que mistura trama policial e muita luta

Deaw fica quieto, mas desiste de sua versão mais discreta para combater os vilões.

Primeiro, age de modo sorrateiro, depois aparece de forma mais agressiva e abrasiva. É basicamente assim que a ação corre.  

Os vilões querem mostrar algo, pensam em apagar Bangkok do mapa. Tem algo a provar, para o mundo.  

Eles enfrentam o grupo de bandidos, que tentam libertar o cruel General Yang, personagem de Nappon Gomarachun.  

Com a ajuda do grupo de atletas que excursionavam, Deaw tenta deter os asseclas do vilão principal, que em suma, planejam jogar um míssil em Bangkok, caso não liberem o general Yang.

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As lutas

No terço final há uma boa sequência de combate, envolvendo madeiras em chamas.

Como a mesma ocorre à noite, a sequência é visualmente bonita, compondo um quadro de qualidade ímpar.

O que é curioso é que Yang é alardeado como um homem malvado, mas não faz muito.

Promete o caos, mas fica preso e acorrentado a maior parte do tempo. Seus capangas é que espalham a desordem, em nome da liberdade dele praticam crimes mil.

Os aldeões se juntam e revidam a violência, em cenas de luta elaboradas, que são bem mais longas que as que envolvem o protagonista Deaw.  

A maior parte do tempo o herói atirando, em cenas bem montadas e editadas, diga-se, mas as lutas tem como estrela crianças, mulheres, alguns rapazes e até idosos.

Perto do final o longa se torna um filme de guerrilha, em alguns pontos, lembra as fitas de guerra antigas, especialmente sobre os conflitos entre vietnamitas e estadunidenses.  

Pessoas saem mutiladas, mas ainda assim, sorriem, por se sentirem dignas e livres para serem quem querem ser.

Nascido Para Lutar é um filme que valoriza a arte marcial, mas é bem referencial ao estilo e gênero policial. Vale a pena graças ao esforço de Dan Chupong e as cenas de violência e porradaria.

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