O Alerta Vermelho da Loucura é uma obra cinematográfica de horror e suspense concebida pelo mestre do terror italiano Mario Bava. Lançado em 1970, esse giallo é mais lembrado por ser o filme do assassino que ataca as mulheres vestido de noiva.
Coprodução entre Itália, Espanha e França, a trama acompanha o elegante matador John Harrington, dono de uma importante marca de moda, que tem uma sede incontrolável por sangue, realizando sua sanha homicida executando moças após elas concluírem os seus casamentos.
Ao longo do desenrolar dos fatos ele descobre a origem desses estranhos desejos e o mergulho a essa mentalidade insana e paranoica é de uma bizarrice considerável.
O roteiro ficou a cargo de Santiago Moncada, com colaboração de Bava, da atriz Laura Betti e Mario Musy Glori, trio esse que não recebeu créditos pelo trabalho. Foi produzido por Manuel Caño, além de Giuseppe Zaccariello, que foi produtor não creditado.
Esse foi um filme dos estúdios Pan Latina Films, Mercury Films e Películas Ibarra y Cía, com distribuição da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) na Itália, Tigon Pictures no Reino Unido, G.G. Communications Inc. nos Estados Unidos, Alpha Video Distributors e Something Weird Video (SWV) quando foi lançado em vídeo cassete nos EUA.
O título original é Il rosso segno della follia, mas também usaram Un'accetta per la luna di miele como nome de trabalho. No Brasil é intitulado dessa forma graças ao nome em inglês utilizado no país da bota: The Red Sign of Madness.
Em países de língua inglesa é Hatchet for the Honeymoon, mas foi chamado também de Blood Brides em algumas premieres nos Estados Unidos. Informalmente foi chamado também de An Axe for the Honeymoon.
Na Alemanha Ocidental é Red Wedding Night, em francês canadense se chama Meurtres à la Hache, já no Equador foi chamado de Il rosso segno della follia em espanhol. Na França teve dois nomes, La baie sanglante 2 quando foi lançado em vídeo (coincide com o nome de Mansão da Morte, como se fosse continuação desse) e Une hache pour la lune de miel. Na Grécia é O Sadistis e em Portugal é chamado de As Noivas da Morte e Lua de Mel Sangrenta.

A capa e o verso do VHS da Charter Entertainment lançado em 1987 continham um estranho erro no nome do filme, onde se lia Hatchet For A Honeymoon, além de conter um erro no nome do diretor, creditado como Mario Bove.
O filme foi rodado entre Paris, Roma e Catalunha. As locações foram na Villa Parisi, Frascati em Lazio, Pont au Double em Paris, Palau Reial de Pedralbes - 686 Av. Diagonal na Catalunha e cenas internas no Estudios Balcázar em Barcelona.
A vila espanhola onde a maior parte do filme foi filmada era antigamente a casa do ditador espanhol Generalíssimo Francisco Franco. Segundo Laura Betti, enquanto estavam nessa vila, policiais vigiaram as filmagens, preocupados de que o uso de sangue falso pudesse manchar o chão da vila.
Há quem defenda que esse não é um giallo, basicamente pelo detalhe de que se sabe quem é o vilão desde o início. Entre as obras do gênero não era regra que o matador sempre fosse um mascarado, ao contrário, há obras como os psicogialli Os Ambiciosos Insaciáveis ou Tão Doce Quanto Perversa, que não usam desse subterfúgio.
Bava vinha de trabalhos menos famosos O Ciclo do Pavor, Perigo Diabolik e Cinco Bonecas Pela Lua de Agosto, que é dito por muitos como um anti-giallo.
Já Santiago Moncada escreveu o drama Querido Professor, os filmes "florestais" Zan: O Novo Rei das Selvas e Os 3 Super-Homens na Selva e o western Quando um Bravo Empunhou o Colt. Depois fez O Último Samurai do Oeste, O Assassino Perfeito e Traficantes de Pânico.
Laura Betti é mais conhecida obviamente por seu trabalho de atriz. Ela fez A Doce Vida de Federico Fellini e Teorema de Pier Paolo Pasolini, também colaborou com o texto de Mansão da Morte, que Mario Bava lançaria em 1972.
Glori trabalhou em Rômulo e Remo e O Colt é Minha Lei, Caño fez El Mejor del Mundo e dirigiu Zan, O Novo Rei das Selvas e Tarzán y el Arco íris. Zaccariello trabalhou em Os Profissionais do Sadismo e Mansão da Morte.
Esse foi um dos títulos incluídos no pacote Nightmare Theatre da Avco Embassy, que era um pacote de filmes de gênero, selecionados para exibição na a televisão em 1975.
Eram treze filmes, incluindo A Feiticeira do Amor de Damiano Damiani e A Morte Sorriu Para o Assassino de Joe D’Amato. Entre os selecionados, esse era o único dirigido por Mario Bava.
Antes da narrativa iniciar de fato, há uma bonita cena de créditos colorida, uma elaborada colagem animada criada por Bava que brinca com imagens do elenco, unido a música instrumental de Sante Maria Romitelli.
Romitelli é lembrado por trabalhar em obras distantes do horror, como o faroeste Gringo, Dispare sem Piedade e o especulativo Yeti: O Monstro do Século 20. A música pontua quase todos os momentos, inclusive as cenas no trem, onde John Harrington, de Stephen Forsyth, ataca, assim como os momentos de devaneio do mesmo, onde ele se imagina criança ou recorda de subir escadas, rumo a algum lugar do passado.
Em alguns lançamentos estrangeiros do filme, o personagem principal foi renomeado como Oliver Barrington, já que boa parte dos distribuidores achavam o nome John Harrington muito genérico.
Bava produz uma sequência bela e poética. Ele se vale demais da montagem de Soledad López e do belo registro cinematográfico (ele próprio é o diretor de fotografia), que valoriza a entrada do assassino em um vagão, onde um casal tem intimidades.
A câmera usa um ponto de vista em primeira pessoa, deixando a arma branca - um cutelo limpíssimo - brilhar muito, sendo a arma a protagonista. Antes que a vítima feminina possa gritar, o apito do trem abafa o barulho, simbolizando assim a dor dela e o silêncio ensurdecedor que permeará a história, já que os assassinatos ocorrem em um lugar praticamente sem chance de fuga, fácil de esconder os crimes.
Harrington fala diretamente para a câmera, a encara de uma forma que parece querer quebrar a quarta parede. Em seu discurso, assume ser paranoico, que segundo ele, é um eufemismo, já que ele é louco, perigoso uma pessoa que não deveria ter a liberdade que tem.

Como ele é um narrador não confiável, fica a impressão de que tudo que ocorre na trama pode ser fruto de um pensamento fantasioso, um devaneio ou algo que o valha.
Talvez essa quebra de quarta parede seja apenas a leitura de um diário de um louco, retirado das anotações de um terapeuta ou psiquiatra, mas não há grandes indícios dessa exploração.
Stephen Forsyth está muito bem, apesar da pouca experiência. Entre suas obras mais conhecidas estão O Homem de Toledo e Assassino Pago em Dólares.
John conversa bastante com Mildred, sua esposa, que é interpretada por Laura Betti. Em uma conversa áspera e franca ela avisa que não vai lhe conceder o divórcio. Desde o princípio os dois são mostrados como um casal em crise.
Nos primeiros rascunhos do roteiro não havia a personagem, mas quando Betti manifestou interesse em trabalhar com o diretor, Bava mexeu no texto, para que a atriz pudesse ter um importante papel. Foi nesse contexto que ela acabou colaborando com o script.
Só depois da apresentação e das discussões com a esposa é que finalmente se mergulha novamente na mente de John, mostrando então uma psique combalida. É depois disso também que é revelado que ele trabalha, em uma agência de preparativos para casamento, Harrington e Cia, sendo ele o dono do empreendimento.
Ou seja, ele canibaliza as próprias clientes, ou meramente fantasia isso, exercendo, de qualquer forma, uma espécie de domínio sobre as belas mulheres que encontra.
Ele primeiro veste as moças de maneira bela, prepara as mesmas para cumprir um grande sonho, então se torna obcecado por elas, decidindo matá-las, depois que elas cumprem as obrigações nupciais com seus respectivos maridos.
Bava acaba igualando o assassino misógino a um ser patético, que exerce (ou tenta exercer) poder graças a sua fraqueza e impotência. Ele se tranca em um ateliê e acaricia manequins, mulheres falsas, de plástico, perfeitas e irreais. É tão incompetente que evita a bela esposa que tem para ter contato íntimo com plástico.
Como a trama macabra tem como pontapé a visão do assassino, é bem curioso ver a polícia investigando as mortes das noivas, usando ele como testemunha chave, afinal, ele trabalha com casamentos.
Os filmes gialli normalmente mostram pessoas que não são detetives como protagonistas. Como o vilão é o centro das atenções, há um policial que faz um papel importante, no caso, o inspetor Russell, do madrilenho Jesús Puente, que procura Harrington para saber se ele tem pistas das noivas mortas, prometendo que deverá importuná-lo novamente em breve.
Harrington utiliza um programa na TV, para tentar enganar Russell. Nesse trecho aparece um clipe de As Três Máscaras do Terror, obra que Mario Bava lançou em 1963 - especificamente a sequência "Wurdalak" com Boris Karloff.
Essa aliás não é a única referência ao filme clássico - que é conhecido também como Black Sabbath - já que a cama onde os Harrington dormem também foi utilizada nos cenários da obra de 1963.
John parece sempre pensativo. Em sua mansão, enxerga um garoto loiro, que claramente é a representação dele mesmo quando criança, embora isso não fique explícito nesse momento. O segmento é mais desenvolvido perto do final.
Em seus pensamentos e devaneios, ele faz uma declaração onde se assume como alguém que odeia o belo sexo, citando seu desejo de matar após as noivas terem feito amor com seus pares.
A partir desse ponto do texto, falaremos sobre alguns segredos da trama. Prossiga sabendo que daremos spoilers.

Os detratores de Alerta Vermelho da Loucura normalmente reclamam que há poucas mortes em tela. Da metade para o final isso muda um bocado.
O filme mostra um ataque quando John finalmente se mune de coragem e assassina sua esposa. Aqui ele já aparece vestido de noiva, usando batom até, fugindo do ritual e do perfil de suas vítimas, fato que coincidentemente (ou não) faz iniciar a derrocada do sujeito.
John recebe a polícia e o sr. Kane (Ignasi Abadal) em casa, pouco tempo depois de ter cometido o crime. Na cena aparece o corpo dela estendido, no andar de cima da casa, onde era possivelmente facilmente enxergar a mão dela, sangrando, caindo para fora de um degrau, inclusive com uma goteira vermelha que quase acerta o policial.
O suspense é bem construído, o personagem fica tenso, mas o inspetor não nota o cadáver, mas é esperto o suficiente para perceber que ele fez esforço, que está suado, mesmo que aquela fosse uma noite fria.
No Brasil, a vida imitou a arte na história de um serial killer e maníaco conhecido como O Homem do Vestido de Noiva. Heraldo Barroso Madureira era um ex-mecânico e poeta (ganhou alguns concursos, inclusive) que cortava anúncios classificados de jornais de vendas de vestidos de noivas. Ele ia aos endereços anunciados, roubava e matava suas vítimas.
A preferência por anúncios de vestidos teria a ver com sua antiga esposa, que se separou por conta de ter traído o sujeito, utilizando o vestido com o qual casou com Heraldo nos atos libidinosos. O trauma foi tanto que ele assumiu um caráter misógino, com um desejo de vingança atroz, pela esposa e por qualquer mulher. Agiu em São Gonçalo no estado do Rio de Janeiro e escapou três vezes da polícia, inclusive de um manicômio, cometendo seus crimes em um longo espaço de dez anos.
Já John é perturbado por sua esposa morta. Mildred retorna com vestes de luto, aparência cadavérica e pele acinzentada.
Desse modo, a culpa a mente corrompida do sujeito faz com que o filme tenha uma bifurcação, abraçando na última meia hora uma história de assombração sobrenatural ou delírio, que segue lado a lado com a trama policialesca, claro, fora a questão do passado dele, que tem a ver com os motivos que fizeram ele se tornar um assassino.

Enquanto tenta se livrar da memória da esposa, Harrington convive com o seu trauma, tem visões cada vez mais frequentes de uma mulher, que morreu enquanto ele era criança. Depois é mostrado que ela era sua mãe, fato que fica meio evidente desde o início.
A esposa traída cumpre sua promessa de jamais largar o homem que lhe foi prometido no altar, mesmo depois de morta, possivelmente graças ao fato de não ter sido sepultada com todos os trâmites eclesiásticos e religiosos necessários dentro da mentalidade e comportamento crédulo cristão.
O homem não satisfeito em ter matado a esposa resgata o corpo, coloca em uma câmara de calor, para desintegrar os restos mortais dela em alta temperatura, acreditando que assim se livraria das aparições dela.
Ele coloca o que restou dela em uma valise, joga no mar, mas a maleta aparece de volta a sua casa, toda molhada, como se alguém tivesse resgatado, ao seu lado aparece Betti, tal qual alguém em luto, vestida com trajes escuros.
Próximo do desfecho, ele se envolve ainda mais intimamente com Helen, uma moça ruiva, interpretada por Dagmar Lassander, com quem ele lidava desde o início. Ela o acompanha em casa, depois que ele se livra de Mildred.
Curiosamente, houveram rusgas entre Laura Betti e Lassander. A primeira não gostava muito da segunda e a tratava de maneira depreciativa. Os momentos finais têm uma interferência bizarra, um canto misterioso e bizarro.
O inspetor mais uma vez vai para a casa do protagonista e chega justamente no momento limite para interromper uma tentativa de crime.
Helen ajuda a despistar as autoridades, mente para que eles saiam. Ela afirma que quer usar a roupa de noiva, que quer ficar com ele enquanto o beija, se aproxima alguém com o cutelo. Seria outra fantasia?
Helen usa as vestes brancas, dança com seu amado, enquanto toca uma valsa. Eles estão rodeados pelos bonecos e manequins que ele guarda, para testar o vestuário que vende a suas clientes.
Perto do fim a versão jovem de John é mostrada olhando pela fechadura, enquanto dois adultos têm intimidade. Depois revela que era a mãe e o futuro padrasto. O menino se sentia dono de sua mãe, não aceitava ela se casar novamente, então matou a parente e seu pretendente.
Helen era uma isca, um perfeito peão em um jogo estratégico e mortal, que servia ao propósito de fazer o alvo entregar seus próprios problemas graves, inclusive, sobre a memória sempre frequente, de Mildred atrás de si.
O filme não se permite discutir os limites éticos da polícia, ao contrário, mostra o inspetor satisfeito em ter conseguido êxito, levando assim o homem preso, que se entrega tão perfeitamente que chama a atenção. Ele finalmente age como alguém correto, como o verdadeiro herói da jornada, embora seja ruim e digno de lástima.
Alerta Vermelho da Loucura é uma obra bonita, que trata de assuntos pesados, de traumas e situações terríveis. Faz seus comentários de maneira de maneira poética e violenta, resultando em uma das obras menos faladas e mais subestimadas de Mario Bava.









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