Cinefantasy | Sayo / Existir

O festival Cinefantasy 13 segue sua programação e hoje falaremos a respeito de dois longas metragens, o drama canadense Sayo, de Jeremy Rubier, e a ficção científica argentina Existir, de Gabriel Grieco.

Sayo é um filme narrado em primeira pessoa, pela bela Nagisa Chauveau, que vive uma personagem homônima que lamenta a morte de sua irmã gêmea, Sayo. O filme é dedicado a memória dessa moça e por isso carrega o nome da mesma.

A trama começa com a atualidade, mostrando a dificuldade de pessoas em lidar com um dia a dia novo, mascarado graças a pandemia do novo coronavírus.

A condição reflexiva pela qual boa parte das pessoas passou durante o período pandêmico que ainda persiste, ajuda a fomentar a ideia reflexiva de Nagisa, que decide relembrar as perdas do passado, apreciando as fitas caseiras antigas de sua irmã. Esse movimento torna o filme inevitavelmente em um objeto melancólico.

A trama tem basicamente dois personagens, a protagonista e um taxista sem nome interpretado por Jai West, mais conhecido pelo tokusatsu Kamen Rider Zero-One e do longa americano Ghostland.

O sujeito leva a moça para um lugar de meditação um tanto exótico, onde o tempo corre de maneira não comum, fora da linearidade, elevando conceitos metafísicos, utilizando esses como método de tratamento do emocional.

O roteiro gira em torno da tentativa de cuidar dos sentimentos de culpa e tristeza da moça, e para isso, Rubier usa e abusa de cenários naturais, de maravilhas dantescas e velas como cavernas, praias e cachoeiras, locais naturalmente belos que remetem a simplicidade da gênese da vida.

Assim Nagisa busca se conectar com o pós vida, inclusive com alguns elementos que deixam aberta a possibilidade de que há algo sobrenatural mesmo. A entrega de Chauveau colabora para tornar o resultado final de Sayo em algo digno de nota. A fotografia assinada por Allen Lv também ajuda o longa especialmente pelo apelo ao naturalismo, sobretudo nas cenas noturnas onde cores quentes e amareladas predominam, faz acreditar que a conexão com as crenças budistas poderia tornar a relação das irmãs em algo tangível novamente.

Sayo flerta com a a condição de filme ensaio, graças a melancolia e vocação dramática de sua personagem central, e entrega uma história curta e profunda, sobre as etapas quase infinitas do luto.

SAYO
Ficção | 62’ | Cor | 2020| 14 anos | Canadá
Direção: Jeremy Rubier
Roteiro: Jeremy Rubier
Elenco: Jai West, Tomita Hogen e Nagisa Chauveau

Nagisa perdeu sua irmã gêmea, Sayo, há dois anos. Todos os dias ela ora em um templo em Tóquio para falar com sua irmã. Uma noite, a caminho de casa, um estranho motorista de táxi a apanha e a leva para outro mundo, a terra das almas, onde ela faz uma jornada para estender a mão à irmã pela última vez.


Existir mira a condição de filme sci-fi, flertando com o estilo Space Opera, e seus préstimos positivos param nisso. Seu início se dá no vazio do espaço, para logo depois retornar ao distrito argentino de Córdoba. Lá, Lautaro é abduzido, de um modo que lembra o arrebatamento dito no Livro das Revelações, o Apocalipse.

Lautaro é um sujeito que passa incógnito boa parte da duração do filme, apesar dele ter desaparecido, junto com outras pessoas, as pessoas que o cercavam ficam obcecados em tentar resgata-lo, em especial, Lola (Sofia Gala Castiglione), sua noiva, que acaba se apaixonando pelo antigo melhor amigo do rapaz desaparecido, Renzo (Victorio D'Alessandro).

O filme corre normalmente e a trama fantástica não é mal conduzida. Há sinais em plantações, relembrando signos típicos de contatos imediatos de quaisquer graus.

O problema de fato é que o entorno, o lado dos homens, parece irreal e posado demais. Os diálogos dos personagens são bastante expositivos, as relações carecem de naturalidade, os figurinos não parecem ser a de pessoas normais que vão ao deserto. O maior exemplo disso é Lola, que é uma hacker que anda como garota gótica em lugares repletos de areia.

Ela sequer se preparou para o deserto, mesmo sabendo de antemão que iria, é como se ela soubesse que é uma personagem, e que desempenha um papel caricatural numa história juvenil.

Finalizo el rodaje de "Existir" de Gabriel Grieco - Cine de Género Latinoamericano

Essa não é uma questão que atrapalha o desempenho só da personagem, pois o elenco todo é formado por pessoas que se vestem como dita a moda e que estão no auge da beleza. Tudo é cosmético, as aparências parecem valer mais que o conteúdo. Junte-se isso a narração bastante intrusiva, o que resta é uma abordagem típica de folhetins especulativos mal pensados.

Nem a ideia de metalinguagem, de unir o escritor a um personagem funciona, tudo é artificial, de uma maneira que tenta parecer irônic, mas que perde a mão na piada.

Existir poderia funcionar como o típico filme de estranhos colocados em situação limite, mas não há espaço e nem importância para o mistério. A carga irônica e conspiratória se diluem em meio a trama bem desinteressante. Grieco produz um filme que deixa dúvidas em seu final, mas não consegue gerar empatia, nem mesmo ao brincar com ovnis e sociedades antigas, fazendo com que o longa soe genérico em tudo que propõe.

EXISTIR
Ficção | Ficção Científica | 82’ | cor | 2021 | 12 anos | Argentina
Direção: Gabriel Grieco
Roteiro: Gabriel Grieco
Elenco: Vanesa González, Victorio D’Alessandro, Sofía Gala Castiglione e Gabriel Grieco

Conta como o casal Lola (Vanesa Gonzalez) e Renzo (Victorio D Alessandro), partem em uma aventura em busca de Lautaro (Gabriel Grieco), seu amigo que desapareceu há alguns anos. No percurso cruzam com pessoas inesperadas numa jornada que pode ser uma espiral na loucura ou a incrível revelação final que colocará suas crenças à prova .

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