Review: Agents of SHIELD S01E01

Em primeiro lugar, é importante esclarecer uma coisa. Marvel's Agents of SHIELD é uma série de TV. É uma observação óbvia, mas que precisa ficar bem fixa na cabeça de quem pensa em acompanhar o programa. E o motivo é simples: como se trata de uma expansão do Universo Cinematográfico Marvel, é bem possível que muitas pessoas se interessem pelo seriado pela chance de ver alguns super-heróis na telinha, usando poderes e esbanjando efeitos especiais. Mas essa não é a proposta aqui, embora existam bons momentos do uso de truques digitais e computação gráfica, acima da média do que se tem hoje na televisão para as massas. Embora não seja uma produção de baixo orçamento, Agents of SHIELD não tem a menor condição de replicar os momentos mais empolgantes de Capitão América ou Homem de Ferro. É óbvio e simples, mas ter isso em mente evita e sensação de ter sido "enganado" ao assistir ao episódio piloto.

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Joss Whedon, o diretor do longa Os Vingadores, produz, escreve (em parceria com seu irmão Jed e Maurissa Tancharoen) e dirige esta primeira empreitada da série, para estabelecer o clima que deve perdurar por um bom tempo. O mesmo humor auto-consciente existente na franquia Homem de Ferro e, principalmente, no já citado filme do supergrupo da Marvel, está presente aqui em boas doses, garantindo que a diversão não se limite apenas às boas cenas de ação, como a que apresenta o Agente Grant Ward (Brett Dalton) em Paris (e que é interessante por mostrar as repercussões do contrabando de tecnologia Chitauri, os alienígenas controlados por Loki em Os Vingadores). Whedon repete um pouco a fórmula que o consagrou em sua criação máxima nas telinhas, Buffy - A Caça-Vampiros. Com o Agente Ward servindo de protagonista da história e incorporando as características de herói relutante, que prefere trabalhar sozinho do que se juntar a uma equipe, o roteirista dá ao personagem a tarefa da identificação com o espectador, que irá descobrir aos poucos as motivações do time da SHIELD liderado pelo Agente Coulson (Clark Gregg), de volta após sua aparente morte. Aliás, as condições de seu retorno não são completamente explicadas, deixando um mistério que deve crescer ao longo da temporada, por conta de um diálogo entre Maria Hill (Cobie Smulders, repetindo o papel que interpretou no cinema) e um cientista (em participação do ator Ron Glass, de Firefly, outra criação de Whedon).

A dinâmica da equipe também remete à Buffy ou ao seu spin-off Angel: estão lá a hacker, vivida por Chloe Bennet, os dois especialistas em ciência e tecnologia, interpretados por Iain De Caestecker e Elizabeth Henstridge, e mesmo Coulson, remete um pouco à figura de mentor que Rupert Giles, o sentinela da Caçadora de Vampiros, desempenhava no finado seriado. Whedon está acostumado à desenvolver tramas que requerem vários personagens e não desaponta tanto neste primeiro momento. O grande problema reside no pouco tempo para apresentá-los, tornando primeiro e segundo atos do piloto, bem mais corridos do que seria o ideal. Talvez um episódio mais longo pudesse cuidar desse problema, mas agora resta aos próximos capítulos a função de mostrar mais de cada um, principalmente sobre o passado da agente vivida por Ming-Na Wen, cuja fama a precede tanto (dentro da história, pelo menos) que nenhuma informação relevante sobre seu background é apresentada ao espectador.

marvels-agents-of-shield-6O roteiro também se beneficia de uma plot relativamente simples sobre um homem superpoderoso (J. August Richards, de Angel) que se torna alvo da mídia, e de outras organizações obscuras, após um resgate em um incêndio. Embora algo se revele aos poucos (e que liga a série de forma bem satisfatória a Homem de Ferro 3, tornando-o, enfim, relevante para o Universo Marvel), o foco é mesmo no impacto, para a sociedade, do surgimento de seres com habilidades super-humanas. É nessa discussão, inclusive, que está o trunfo do terceiro ato da história, que além de contar com ótimas sequências de ação, ganha pontos pelo discurso cheio de comentários sociais, feito pelo personagem de Richards, ao se ver acuado pela equipe de Coulson.

No geral, o piloto de Agents of SHIELD faz bonito, estabelece pequenos pontos que deverão evoluir para uma mitologia maior, faz inúmeras referências aos heróis cujas aparições devem ficar limitadas apenas ao cinema e agrada aos fãs da Marvel por incluir citações, como uma pequena brincadeira com o lema do Homem-Aranha. Embora a direção de Joss Whedon não seja das mais inspiradas (suas marcas registradas ficam realmente limitadas aos diálogos ácidos) e, com certeza, não crie um dos seus melhores trabalhos, é suficiente para chamar atenção e gerar expectativa para o potencial da proposta em contar boas histórias que ajudem a expandir o Universo que conquistou fãs no mundo todo.

Marvel's Agents of SHIELD estreia na TV paga brasileira nesta quinta, 26 de setembro, pela Sony, às 21 horas.

Alexandre Luiz

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