Review: American Horror Story: Asylum – 2x11 Spilt Milk

A palavra da vez é: retaliação. Continuando a arriscada jornada, da semana passada, Asylum aparentemente resolveu que os seus quatro episódios finais funcionariam como uma season finale estendida, pois é essa a sensação que venho tendo. Sister Mary Eunice (o saudosismo já bate) e dr. Arden tiveram seu apoteótico final no crematório do Briarcliff, agora foi a vez da repórter Lana Winters conseguir dar a volta por cima ao ter o esperado embate com seu maior algoz, o psiquiatra Oliver Thredson, ou Bloody Face, vocês podem decidir. Junte o confronto final dessas duas figuras com a soberba direção de Alfonso Gómez Rejón e ganhamos também em qualidade cinematográfica.

Para exemplificar o nível conseguido pela série, basta utilizarmos o ator Dylan McDermott. Quando viveu o insuportável patriarca dos Harmon, as cenas protagonizadas por ele beiravam o esquecível. O mesmo não pode ser dito do seu Johnny Thredson. A cria do Bloody Face vai do grotesco ao infantil em segundos de tela, e mesmo com toda a sensualidade da cena inicial não pude deixar de ficar incomodado, ainda mais quando paramos para perceber que o momento foi bem semelhante ao abuso pelo qual Lana passou nas mãos do assassino original. Johnny ainda é uma incógnita para mim, mas temos dois episódios para decifrarmos o porquêde ele ter se entregue a herança maldita deixada pelo pai e sim, eu continuo bem curioso.

A jornada sci-fi de Kit e Grace também teve um breve destaque e novamente deixo bem claro que a trama dos alienígenas ainda me incomoda por não termos quase nada concreto sobre ela. Estamos no mesmo barco dos dois internos, apenas flashes chegam até nós e a abdução continua bem aleatória se compararmos com todos os outros focos. Se juntarmos parte das peças que nos foram dadas, podemos dizer que: Kit é a chave de tudo, seu (ou seus) filho(s) tem grande importância para os seres do outro mundo e é na nossa capacidade de procriar que eles estão interessados (pelo menos foi o que entendi). No mais, a ressureição de Grace teve uma explicação coerente com tudo o que nos foi mostrado e isso me deixou feliz. Os alienígenas a abduziram duas vezes, uma para tirar o feto que já crescia dentro dela, pois provavelmente eles já sabiam o triste futuro da moça e a segunda vez, foi para que a mãe retomasse a gestação num local seguro. Como bem aponta Grace, eles não são criaturas ruins e até o momento eu não consigo ter tanta certeza.

Com Oliver Thredson no comando do Briarcliff, os dias de “paz” vividos por Lana estariam contados se não fosse a declaração dada por Jude a Madre Claudia. Com a ajuda da freira superiora, Lana teve uma segunda chance de sair da instituição e desta vez ganhamos o que já é o primeiro momento épico do mundo das séries no ano de 2013. A cena de fuga foi angustiante e ao mesmo tempo genial, a sensação (totalmente plausível) de que a repórter ia se dar mal a qualquer instante não saiu da minha cabeça, mas quando ela entrou no táxi com a gravação onde Thredson confessava tudo e levantou o dedo médio para ele, eu gritei um: “CHUPA!!”. Simplesmente de arrepiar.

Eu já tinha citado a excelente direção do episódio, mas os planos e montagem da cena em que Lana confronta Thredson em sua própria casa me deixaram sem palavras. Sarah Paulson e Zachary Quinto merecem todos os elogios possíveis, quase me faltou ar durante todo o diálogo. A cereja do bolo foram os travelings que nos levavam do passado para o futuro onde Johnny fazia mais uma vítima e jogava a culpa toda no descaso de sua mãe. O headshot disparado por Lana no momento em que Thredson achou que a tinha nas mãos veio como o momento de fúria mais esperado da temporada. Foi o fim do Bloody Face, mas não o fim da ascensão de Lana Winters.

Lana fora uma ambiciosa repórter, um abutre como boa partedos outros, sua estadia no Briarcliff mudou completamente a forma como ela enxergava tudo e ela não deixa de cumprir o que prometeu. Lana expõe o horror chamado Briarcliff, Lana lança um livro sobre o seu sofrimento, Lana começa uma jornada para acabar com a dor das almas inocentes naquele lugar, ela apenas cresce como uma poderosa e implacável sobrevivente. Os primeiros a conseguirem a tão esperada liberdade é Kit e Grace, mas não sem descobrirem que estão prestes a enfrentar a verdade sobre estarem ligados, e Alma vai dar início a tudo isso.

No fim, a vingança chega de forma indireta, e é Jude a única que se vê presa ao inferno que ajudou a construir. Em mais uma virada do destino, monsenhor Timothy surge como um dos últimos vilões, o mais incrível é que ele também é movido pela ambição e não vai abrir mão do Briarcliff tão fácil assim. A conversa que ele tem com Jude na sala comum da instituição ditou tudo o que esperar de suas ações nesses últimos episódios. Como alegoria final e para não esquecer de que nos deixar confusos e sem chão é o dom de Asylum, a cena final em que Lana amamenta o filho que se recusou a matar, me surpreendeu por todo o significado que despertou. Estejamos prontos para o fim que se aproxima.

P.S.: Recheado de quots sensacionais, eu posso apontar o meu favorito com a maior facilidade:
- Lana: “I'm tough... But I'm no cookie.

P.S.2: Nos prometeram mais dicas sobre o tema da terceira temporada, não peguei elas com tanta facilidade como no episódio passado, porém falou-se tanto em corpos queimados e cinzas, que a bruxaria parece ser o real tema do próximo ano.

P.S.3: Eu sabia que conhecia a música que toca na fuga de Lana do Briarcliff, ela é tema de Candyman, clássico de horror dos anos 90.

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