Review: American Horror Story: Asylum – 2x04 I Am Anne Frank (Part 1)

“Dúvida é um sinal de sanidade”, a frase dita por Grace é, na verdade, a maior mensagem que esse episódio de Asylum quis passar. Ganhando novos personagens e se aprofundando ainda mais na sua intrigante trama, esse episódio foi um dos mais cuidadosos até aqui. Eu me senti como uma versão do Dr. Thredson, pois a todo o momento tinha a impressão de que estávamos numa sessão de terapia, onde cada um dos internos falou mais sobre o seu passado ou tentou compreender os significados do seu atual estado. A catalisadora de todos esses eventos foi uma paciente especial, e que representa desde já outro ganho essencial para história da temporada. Seu nome, Anne Frank.

Sim, estou falando da mesma Anne Frank que escreveu uma das principais obras sobre o holocausto. Pelo que vimos, ela sobreviveu a Bergen-Belsen e guarda uma importante memória de quando chegou a Auschwitz. No maior grupo de campos de concentração, ela conheceu um jovem Dr. Arden, ou melhor, Hans Gruper um “bondoso” e sedutor médico alemão que aparentemente protegia os judeus, mas na verdade, era tão hediondo quanto Joseph Mengele. Foi fantástica a inserção de uma personagem real na história da série e eu sou só elogios, pois tudo foi tão crível que eu cheguei a questionar se isso realmente não aconteceu.

A cena em que Anne relata sua história a Sister Jude era intercalada pela conversa entre Kit e Dr. Thredson. O jovem foi colocado contra parede e depois do que o psiquiatra falou, até eu fiquei com dúvidas sobre sua inocência. As chances de Kit ser o Bloody Face nunca me pareceram tão reais, toda a explicação que Thredson deu sobre a aceitação e o destino de Alma, caíram como uma bomba na minha cabeça. Mas foi Anne a responsável por colocar uma luz no fim do túnel para Kit, ao levantar ainda mais suspeitas sobre a verdadeira identidade do Dr. Arden.

O médico continuou os tenebrosos experimentos com Shelley e, como muitos suspeitavam, acho que vamos ver a origem das criaturas da floresta a partir do que está acontecendo com ela. Não foi só Anne que começou a desmascarar o nazista, a divisão de homicídios abriu uma investigação contra ele devido ao que aconteceu com a prostituta no bizarro jantar que vimos há alguns episódios. Fica claro na cena, que Sister Jude começa a duvidar da culpa de Kit, quando os investigadores falam da precisão cirúrgica com que a pele das vítimas do Bloody Faceera arrancada. O broche com a suástica também confirma ainda mais as verdades ditas por Anne.

Mesmo sem culpa, ou não sendo louco, estar no Briarcliff destrói qualquer resquício de humanidade. É por temer pela sua sanidade que Lana protagoniza um dos momentos mais desconfortáveis e tristes do episódio. A terapia da aversão/conversão foi impressionante e eu senti toda a fragilidade da personagem, porém pela primeira vez me perguntei se o Dr. Thredson é tão amigo quanto aparenta. Ele pode ter prometido uma fuga à jornalista, mas depois desse experimento, não achei os métodos dele tão diferentes dos de Sister Jude ou até mesmo do Dr. Arden.

Grace foi outra que me emocionou. Não sei se pela simpatia da atriz Lizzie Brocheré, mas não consegui julgar as atitudes dela com propriedade.  Já fiquei penalizado quando ela contou para Kit sua história na primeira vez, mas a real confissão do que ela fez, foi ainda mais tocante. Grace é um produto do meio em que vivia, e mesmo se não soubermos mais o que a levou a matar o pai e a madrasta, fica fácil deduzir que essa foi a única salvação que ela encontrou para sua vida. Triste, porém verdade.

A personagem que começou uma jornada de redenção foi Sister Jude, acredito que toda a obsessão em desmascarar Dr. Arden vai levar ela a enxergar quem tem culpa ou não no Briarcliff. Ela já se mostrou mais condescendente com Kit (a simples menção dos alienígenas rendeu um leve sobressalto a irmã) e disposta a encontrar o perdão verdadeiro. Quanto à cena final, eu não poderia estar mais ansioso para descobrir o seu desenrolar. Torcendo por Anne, Kit, Grace, Lana e um fim menos doloroso para Shelley, se é que existe essa possibilidade.

P.S.: Qual será a do Monsenhor? Nazista? Filho do Dr. Arden? Ou mais um louco nesse balaio todo?

P.S.2: Posso não ter citado a moça mais endiabrada do mundo das séries, mas Sister Mary Eunice continua tocando o terror no Briarcliff com informações pontuais e comentários ainda mais sarcásticos.

P.S.3: Será que Pepperse tornará a comandante das criaturas da floresta?

P.S.4: “Dominique, nique, nique s'en allait tout simplement Routier pauvre et chantant”

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7 comments

  1. Avatar
    Renan Braga 14 novembro, 2012 at 13:15 Responder

    Tenho pavor dessa musica também, só de pensar que o cara tem que ouvir ela todo dia, isso ja é um modo de deixar os pacientes mais loucos ainda !! Foi muito legal ver essa referencia a Laranja Mecanica da terapia de adversão. Mt boa a review, melhor ainda a serie o

    • Avatar
      Zé Guilherme 15 novembro, 2012 at 00:06 Responder

      Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh … sabia que tua ia comentar de Laranja Mecânica!!! Só lembrei do filme na cena da terapia … Referência sensacional.

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