Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Damien: A Profecia II é um filme de horror lançado em 1978, que se baseia no drama de um garoto que toma conhecimento sobre o seu destino trágico: o de estar destinado e fadado a ser a figura do Anticristo, que é o discípulo profano de Satanás.

Essa é uma continuação do clássico A Profecia de Richard Donner e que explora a história de Damien Thorn, vivido agora pelo ator adolescente Jonathan Scott-Taylor, o rapaz órfão que mora com seus parentes mais próximos, sete anos após os acontecimentos do primeiro filme, onde perdeu seus pais de maneira trágica.

Agora ele é um adolescente, que está sendo preparado para se tornar um homem de negócios, está em um colégio militar junto do seu primo e melhor amigo Teddy.

A obra tem direção de Don Taylor, é uma coprodução Estados Unidos e Reino Unido e tem como grandes nomes de seu elenco William Holden e Lee Grant.

O filme seria dirigido por Mike Hodges, que é tratado inclusive como diretor não creditado. A história é assinada pelo produtor Harvey Bernhard, ainda baseado no livro A Profecia de David Seltzer, com roteiro de Stanley Mann e Mike Hodges, que assinava Michael Hodges.

Tem produção executiva de Mace Neufeld, Charles Orme, que foi produtor associado em A Profecia. Joseph Lenzi foi produtor associado, fazendo esse serviço por já ter trabalhado com Taylor como assistente de direção em Fuga do Planeta dos Macacos.

É dado que Holden quase foi a escolha para estrelar o primeiro filme. Até certo ponto do projeto, era ele a prioridade, mas ele recusou porque não queria estrelar um filme sobre o diabo, restando então a Gregory Peck o papel do embaixador Robert Thorn, fato que fez Peck se tornar célebre novamente.

Quando foi convidado a fazer o segundo filme, como irmão desse, Holden fez questão de não recusar o papel.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

A respeito da direção, Richard Donner recusou retornar como diretor, mesmo que o orçamento inicial tenha dobrado da parte um para dois. O motivo é que ele estava ocupado conduzindo Superman: O Filme.

Don Taylor substituiu Mike Hodges devido a conflitos criativos entre o diretor e produtores. Foram mantidas as poucas cenas dirigidas por Hodges, como os momentos na fábrica Thorn e algumas na escola militar, também o jantar onde tia Marion (Sylvia Sidney) demonstra sua preocupação com Damien.

Hodges era um diretor cuja atitude era tida como "extremamente profissional" em relação ao elenco e à equipe técnica. Aparentemente foi essa frieza no trato com as pessoas teria levado à sua demissão por parte de Harvey Bernhard. A produção foi interrompida por cerca de uma semana para que Taylor pudesse se atualizar e uma vez no set, a atmosfera ficou muito mais leve, já que o novo realizador era mais descontraído e simpático com a equipe de filmagens e elenco.

O título original é Damien: Omen II, mas em países de língua inglesa também foi chamado de Omen II e Omen II: Damien. No Brasil recebeu o nome Damien: A Profecia II em diversas publicações pela televisão. Na Argentina e Colombia é Damian: Segunda profecía, no Equador é La maldición de Damien, no Canadá La malédiction II enquanto na França é Damien : La Malédiction II.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Na Itália possui muitos nomes, como Italy La maledizione di DamienLa maledizione di Damien II no lançamento de vídeo e Omen II: La maledizione di Damien no lançamento em DVD. Na Espanha é La maldición de Damien e La maledicció de Damien no idioma catalão. Em Portugal é apena A Maldição.

Esse é o único filme da saga Omen que se passa nos Estados Unidos. Tanto A Profecia quanto A Profecia III: O Conflito Final aconteceram em Londres, assim como o remake A Profecia, lançado em 2006.

As gravações ocorreram em Chigaco-Illinois, Wisconsin, até mesmo a cena que deveria ser em Nova York.

Houveram filmagens na James W. Jardine Water Purification Plant, no caso da locação da Thorn Pesticide Plant, no Chicago City Hall que foi a sede da Thorn Industries Building Exterior and Lobby.

Já na 231 S. La Salle Street se filmou os interiores das fábricas, a Merrill C. Meigs Field, Near South Side serviu como o aeroporto, 12th Street Yard foi a estação de trem, Museum of Science & Industry - 57th & Lake Shore Drive foi o Field Museum of Natural History.

Também se filmou no 1400 S. Lake Shore Drive, 1300 North Lake Shore Drive, Lake Forest Academy - 1500 e W. Kennedy Road.

No Wisconsin no Northwestern Military Academy em Lake Geneva, St. John's Military Academy - 1101 North Genesee Street em Delafield, Eagle River em Twin Lakes.

O exterior dos castelos foi rodado em Belvoir Fortress, em Israel. Outro lugar que serviu de locação foi o The Hospitaller Knights Halls and Escape Tunnel em Israel também. Houveram cenas no Stage 5, 20th Century Fox Studios em Los Angeles, na Califórnia.

Os estúdios por trás do filme foram a Twentieth Century Fox, Harvey Bernhard Productions e Mace Neufeld Productions. Foi distribuído pela Twentieth Century Fox nos Estados Unidos.

Taylor fez o faroeste Exército de 5 Homens. Essa é sua segunda sequência de franquia bem-sucedida, já que fez em 1971 Fuga do Planeta dos Macacos. Também fez adaptações de clássicos como As Aventuras de Tom Sawyear e Ilha do Dr. Moreau. Seu filme mais famoso é Nimitz: De Volta ao Inferno.

Ele começou como ator, esteve em O Inferno Nº 17 de 1953, onde estrelou ao lado de William Holden, o protagonista desse também.

Bernhard foi produtor associado em Ascensão e Queda do Terceiro Reich, também de O Cafetão. Também produziu obras famosas como A Profecia, Sangue Amaldiçoado, O Feitiço de Áquila, Os Goonies e Os Garotos Perdidos. Seguiria na franquia em todas as continuações, até Profecia IV: O Despertar.

Hodges dirigiu e escreveu Carter, o Vingador, Diário de um Gângster, O Homem Terminal (que também produziu) além de Corra!Os ETs Chegaram.

Stanley Mann escreveu O Colecionador, Fortaleza Proibida, Círculo de Ferro, O Buraco da Agulha, Chamas da Vingança e Conan, O Destruidor.

Quando Harvey Bernhard terminou de redigir o texto a luz verde foi acendida, para iniciar a produção. A primeira pessoa que contratada foi o compositor premiado Jerry Goldsmith, por causa da agenda lotada do mesmo. Bernhard sentiu que a música foi o ponto alto e achava que sem a música do autor, esta sequência nunca teria sucesso.

O compositor incorporou novos arranjos da trilha sonora do primeiro filme ao escrever a música tema deste. Isso era algo incomum para ele, que gostava de começar composições do zero, mas os produtores queriam que ele reaproveitasse a música original o máximo que pudesse nessa sequência.

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Ele ainda criou algumas músicas originais, mas ficou desapontado com a experiência, já que achou que estava se repetindo. Quando chegou a hora de fazer a trilha sonora do terceiro filme, ele começou do zero, criando uma paleta musical totalmente nova e escrevendo novos textos em latim.

No material de divulgação, havia o slogan

O primeiro foi apenas um aviso.

É o que diz quase todo material de pôsteres, curiosamente, o segundo é apenas "um aviso também", até o terceiro pode ser encarado também, já que o Armagedom nunca acontece nesses filmes.

Harvey Bernhard afirmou não ter gostado deste filme, já que a tarefa de fazer um adolescente malvado parecer aterrorizante era mais difícil do que tornar uma criança em alvo do medo. Ainda assim ele tinha boas lembranças de fazer o longa, a exemplo do que ocorreu na viagem de Bugenhagen em, Israel, na cena de introdução, onde o ator Leo McKern estava tão compenetrado em seu personagem que caiu do jipe ​​​​que estava dirigindo gerando um momento hilário para quem estava presente, claro, depois de constatar que ele estava bem.

A narrativa começa em um ambiente desértico, clamando a ideia do filme original, de mostrar a "terra santa".

O homem velho e barbudo do primeiro filme, Carl Bugenhagen, reaparece, novamente feito por McKern, que aqui não é creditado como tal. Ele é o único ator que participou de mais de um filme da cinessérie. O sujeito encontra o arqueólogo Michael, personagem feito por Ian Hendry, (que foi uma escolha pessoal de Hodges enquanto ainda era diretor) os dois discutem sobre o menino órfão, o filho dos Thorn.

Um pergunta se o outro não viu o Muro Yigael. Segundo o Bugenhagen , o rosto de Yigael é igual ao da criança, fato que pra ele é o suficiente para encarar o menino como a encarnação da besta.

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Obviamente seu amigo acha isso tudo uma besteira, mas ao entrar no cenário cavernoso, os dois são soterrados, de maneira conveniente, morrem sem conseguir comprovar a verdade, que estava ao lado do velho professor.

Logo depois mostra Jonathan Scott-Taylor, que vinha do clássico infantil Quando As Metralhadoras Cospem junto a Jodie Foster. Damien Thorn está mais velho e mais classudo e isso acompanha o ator. A inspiração dele para fazer o seu papel também é oriunda de um filme de horror, no caso, ele foi parcialmente inspirado pelo filme Carrie, a Estranha de Brian De Palma, especialmente no que tange o entendimento do personagem de que é alguém malvado.

A popularidade do nome Damien despencou como resultado deste filme e de seu antecessor. Como foi no filme anterior, o personagem é interpretado por um ator britânico. Somente na terceira parte que seria feito por um ator de outra nacionalidade, o neozelandês, Sam Neill.

O design de produção de Fred Harpman e Phillip M. Jefferies é um dos aspectos mais brilhantes da obra. As estátuas em Israel são muito bem-feitas e os cenários na Ásia/Europa e nos Estados Unidos são bastante misteriosos.

O presente ocorre em Chicago, com 7 anos entre o epílogo e o momento em que Damien aparece. Desde cedo ele é observado pela idosa tia Marion, de Sylvia Sidney.

Ela quer que Richard (Holden) mande seus dois filhos para escolas diferentes, sobre pena de tirar ele do testamento da família milionária caso não faça o que ela pediu.

Mark (Lucas Donat) é o filho do primeiro casamento dele, enquanto e seu sobrinho foi adotado e é tratado com carinho, apesar dessa atitude paranoica da idosa.

Junto a eles está Charles Warren (Nicholas Pryor) e também a esposa de Richard, Ann (Lee Grant). Essa última tenta parecer razoável, mas se irrita profundamente com a senhora, ainda mais depois que ela aponta suspeitas sobre o menino, chamando-o de má influência, acusando ele de ter sido alvo do assassinato do irmão de Richard.

A morte de Robert Thorn é obviamente um tabu familiar, mas de alguma forma, a senhora tem sua razão, embora seja encarada aqui como uma pessoa senil. Como ela não apresenta argumentos para além da simples suspeita, ela fica malvista.

É perfeitamente normal que uma família tente se blindar e proteger de falas e de superstições estranhas, ainda mais se tratando de um clã cheio de negócios como as Thorn Industries. O conglomerado inclui um conservatório, um museu, trabalhos no ramo de tecnologia, fertilizantes e energia, dos quais 27 % das ações são da anciã.

A novelização do filme, escrita por Joseph Howard, se especifica que a família Thorn é vista como tão prestigiosa quanto a Família Real Britânica. O livro dá o exemplo da casa de férias da família em Wisconsin sendo fortemente monitorada por segurança.

A atenção da mídia que recaiu sobre eles após a morte suspeita de Robert Thorn ajuda a explicar por que Richard fica tenso e irritado sempre que Robert é mencionado.

Em um momento de trabalho do protagonista adulto, Charles mostra slides de esculturas etruscas, nelas aparecem fotos de Joan Hart de Elizabeth Shepherd, jornalista que também a biógrafa de Bugenhagen.

Enquanto esses sinais aparecem, um corvo invade o quarto da velha senhora da família Thorn. O susto faz ela enfartar.

É plausível dizer que foi apenas uma fatalidade, mas como todo o filme - e a franquia - lida com teorias da conspiração o tempo todo, é fácil achar isso suspeito.

O animal seria uma figura recorrente, funcionando como um anunciador do mal e da morte, tal qual ocorreu com o cão rottweiler no original. Não há nenhuma morte ocasionada por mãos humanas, o que ocorre é uma série de acidentes bizarros que matam os inimigos do diabo, de um modo que lembra inclusive a cinessérie conhecida como Final Destination ou Premonição, que começou nos anos 1990 e terminou pela década seguinte.

A diferença entre Premonição e esse é que na outra franquia, a morte vai atrás das pessoas, aqui é a figura de Satanás, que tenta proteger o ainda infanto-juvenil Damien.

O corvo é visto por muitos como a manifestação do subconsciente de Damien. Isso é até nomeado e testificado pela novelização oficial de Joseph Howard.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

A educação em colégio militar e criação junto ao irmão de Robert contraria o final do outro filme, que demonstrava que o menino ficaria com o presidente dos Estados Unidos, mas a saída é esperta, até no sentido de postergar o destino maléfico de Damien.

Os figurantes na escola são realmente cadetes da academia militar eram da St. John's Northwestern em Delafield, Wisconsin. Todos eles são instruídos pelo icônico Lance Henriksen, que faz o Sargento Daniel Neff.

O ator revelou que este filme não lhe atraiu muita atenção após seu lançamento. Ele explicou que havia sido contratado pelo diretor original, Mike Hodges e havia planejado que Neff fosse um veterano da Guerra do Vietnã que voltaria para casa a fim de guiar o jovem Damien em seu destino.

Ele gostava dos planos de Hodges de incorporar toques artísticos, como pinturas clássicas, incluindo O Grito, de Edvard Munch, ao filme, achava que o talento de Hodges para o dramático e artístico se viam em suas referências visuais que prefiguram as várias cenas de morte.

Também lamentou que a saída repentina do diretor fez com que esses planos saíssem com ele e reclamou que se sentiu ignorado por Don Taylor, que apressou a produção do filme para concluí-lo dentro do prazo e do orçamento.

Henriksen também disse que sentia uma afinidade pelos cadetes da academia militar, tanto que comprou para eles uma televisão, para que pudessem ocupar o tempo livre quando não estavam filmando.

Curiosamente Henriksen quase não teve envolvimento com Jonathan Scott-Taylor no set.

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No início do filme, se destacou uma escultura, a estátua da Prostituta da Babilônia sendo desenterrada em Jerusalém. Ela é mostrada cavalgando a besta de dez cabeças, enquanto se inclina para trás com a cabeça voltada para o céu.

Esse artefato prenuncia outra estátua na Academia Militar Davidson, quando os cadetes encontram o sargento Neff pela primeira vez, a estátua ao fundo que eles estão enfrentando é de uma figura a cavalo, que está exatamente na mesma posição da Prostituta da Babilônia.

Em paralelo a esses momentos na academia, Ann descobre o corpo da tia e fica mal. A causa mortis é coronária, como já havia ficado claro, reforçando a ideia de sabotagem espiritual.

Sobre Lee Grant, ela era uma grande fã de A Profecia e ficou entusiasmada com a chance de aparecer na sequência.

De acordo com ela, Holden foi tão afável que fez ela nutrir uma paixão por ele à medida que se aproximavam. Ao perceber isso o ator começou a se distanciar dela, também como estratégia para aumentar a tensão que estaria no final do filme.

Damien é bom aluno, mas é genioso, irascível e manipulador. Ele quase mata Teddy (John J. Newcombe) um bully que importuna seu primo/irmão, pelo simples prazer de conseguir fazer isso. Ele segue sem parecer ter ciência de quem é, tampouco entende os poderes que possui e sua identidade sexual, que seria explorada um pouco mais à frente.

O roteiro é cheio de cacoetes péssimos, com muitas repetições de arquétipos. O corvo faz as vezes da babá Baylock e do cão rottweiler, enquanto Hart usa a mesma máscara de Bugenhagen e até do padre Brennan, já que vira a anunciadora da tragédia, tanto para Richard quanto para Ann.

Ela é uma personagem extremamente caricatural, importuna o casal com falas mal pensadas e estranhas, que associam o menino ao satanismo.

Para piorar seus argumentos são infundados, parecem fruto de insanidade, se baseiam em nada além de discurso inflamado.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Seltzer era melhor roteirista que Bernhard, conseguia traduzir as situações e coincidências de uma maneira mais natural e assustadora, tanto em tela quanto com as letras.

A cena da morte da jornalista é uma boa mostra disso, já que é forçada, com os tons de vermelho gritando em tela, novamente com a figura do corvo, que é cruel e o cega.

Ela leva uma surra de um passarinho, depois é atropelada e transformada em um boneco bem ruim. A intenção era boa e dito assim parece que poderia ser bonita, já que há muita cor, no entanto ela é bastante trash, há que se apreciar isso, embora obviamente não haja uma intenção de parecer assim afinal, esse é um filme de gênero, mas é cinema B.

Vale lembrar que essa sequência é bem mais sangrenta que o primeiro, que foi considerado econômico em gore, não só pela cena de bicadas nos olhos de Joan Hart, como coma guilhotina de Meshach Taylor pelo cabo do elevador.

Também se investe em humor, em tentativas de fazer a família Thorn parecer unida, embora não haja muito sucesso nisso. A parte dos negócios de Richard também parece estranha, há muitos negócios esquisitos do ponto de vista ético.

Tenta se dar uma complexidade aos negócios, como algo ruim, mas que não combina em absoluta com a trama macabra.

O tom é tão diferente do primeiro que até a mansão é diferente. Todos as cenas exteriores tiveram que ser filmadas no jardim dos fundos da academia porque a escola havia erguido uma estrutura muito moderna em frente à antiga propriedade, deixando muito diferente do que deveria ser.

No entanto, a cena de morte de Bill, na parte congelada do lago, é tensa e até bem-feitinha.

Elas foram estressantes até nos bastidores, já que nenhum dos atores realmente sabia patinar e teve que agir como se soubesse. William Holden realmente caiu durante a tomada que ficou no filme.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Logo a obra retorna à exploração de seus clichês, como as demonstrações estranhas de Damien. Ele tem um conhecimento bizarro sobre datas de mortes de personagens históricos importantes, tem esse conhecimento aparentemente sem saber e sem ter estudado isso.

Esse detalhe de conhecimento incrivelmente precoce da história vem das lendas medievais originais do Anticristo, que se desenvolve intelectualmente a uma velocidade sobre-humana, que seria uma paródia demoníaca do Jesus de doze anos em Lucas 2: 40-47, atordoando os estudiosos hebreus.

Neff parece um enviado do mal, que pavimenta e ajuda a figura do anticristo, tal qual João Batista foi com Jesus Cristo. É ele quem manda ele ler o Livro do Apocalipse e lá entende sobre a marca da Besta.

Damien fica triste por entender ser quem é, até chora, mas Scott-Taylor não representa bem, faltou uma atuação mais enérgica. O interprete é ausente de emoção, seja ela ruim ou boa.

Depois de aceitar sua sina, ele provoca incidentes na fábrica de seu tio. Um dos cientistas, dr. Kane (Meshach Taylor) quer examinar pq ele não foi contaminado. Acaba pagando com sua vida, em uma cena icônica e violenta, no elevador, onde é cortado ao meio por um cabo de aço.

Os testes indicavam que sua composição era diferente, com misturas de um animal, que poderia ser um chacal, jaguar ou leopardo.

Em um dos poucos momentos em família genuinamente ternos, Ann está abraçada a Damien, enquanto veem um filme. Mark está cuidando da projeção, a contragosto, enquanto Warren chega de súbito. Aqui já se percebe que a esposa tem maior carinho pelo sobrinho do que pelo enteado, mas até então o pai/tio não muda de postura.

Todos se convencem disso, exceto Richard. Ou ele é o único correto em um mundo de loucos ou é muito facilmente dobrado pelo diabólico menino.

Isso muda quando recebe a caixa de Bugenhagen e passa a se tornar crédulo prontamente.

Até Mark passa a ver Damien com desconfiança, o que torna toda a relação deles em algo complicado. Em determinado ponto da trama, os dois estão em um ambiente externo, cheio de neve. Damien convida o parente para ficar ao seu lado, para ambos cumprirem o destino dele.

Mark lembra do que ouviu de Warren e prefere manter distância, fato que magoa muito o filho do Mal.

Não fica claro se a intenção era mostrar um sentimento de fraternidade traído ou de um amor incestuoso não correspondido. Há quem defenda que é mais o segundo caso, mas apesar de haver elementos que coadunem essa teoria, a falta de capacidade dramática dos dois atores inibe uma boa conclusão.

Até os pais adotivos passam a culpar Damien, de novo ele é tratado como culpado, mesmo não sendo, ao menos em teoria.

No final Charles e Richard vão investigar uma remessa das indústrias Thorn. Os trens descarrilham, tornando assim em um acidente conveniente, do jeito que o diabo gosta.

Próximo do terço final o cadete Damien recebe o Sabre de Oficial, uma alta honraria para os melhores recrutas, enquanto Ann representa a família, mas não expressa felicidade ao ver seu "filho" preferido premiado.

Ainda assim, não acredita que ele é a cria do Diabo, curiosamente o menino fica cercado de meninas, na cerimônia. Se torna sedutor, talvez para afastar a ideia de que é gay.

Damien - A Profecia II : A versão juvenil e galhofa do anticristo

Seria esse segundo A Profecia um conto sobre identidade queer negada, um conto sobre os perigos da repressão sexual, que ao chegar no ponto extremo, se torna uma sanha assassina igualada a predileção satânica?

Seria melhor, ainda que associar a saída do armário ao serviço diabólico seja demais.

A revelação de que Ann era serva de Damien o tempo todo é meio abrupta.

Aparentemente, ninguém suspeita do garoto, ninguém tem capacidade de observação, fato que depõe contra o roteiro. Há um extremismo tolo na mentalidade de todos, ou a pessoa é totalmente paranoica ou não há qualquer inteligência da parte desses personagens, sendo assim puramente ingênuos, não há um meio termo, nem mesmo quando ocorrem mortes dentro da família Thorn, como a de Mark.

No final se cita 2º Corintios 11:13-15

13- Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
14 - E não é de admirar, porque o próprio a Satanás se transfigura em banjo de luz.
15 Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça, o afim dos quais será conforme as suas obras.

Se promete que Damien retornará, para enfim chegar ao seu intento, mas não há grandes repercussões ou reflexões nesse. É claramente um filme montado para ser apenas uma transição entre obras, o que é uma pena, já que é um potencial desperdiçado e uma premissa que não cumpre minimamente as expectativas que sugere.

A Profecia II é forçado, tão tosco e tolo que chega a ser cômico. Erra demais em tentar imitar o primeiro filme, tropeçando quase sempre nas emulações que propõe, mas acaba sendo muito engraçado graças aos seus defeitos que se destacam.

Confira os nossos textos sobre a saga Omen/A Profecia
1976- A Profecia, livro de David Seltzer
1976- A Profecia, filme de Richard Donner
1978- Damien: A Profecia 2.
1981- A Profecia III: O Conflito Final
2024- A Primeira Profecia

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