
O Exorcista II: O Herege é um dos filmes mais controversos do cinema, para além até do secto de terror. Continuação do clássico de William Friedkin, esse acaba sendo uma versão que mira mais um horror psicológico e um drama onírico, tendo acertos nessas tentativas de mudar o prumo do primeiro filme, com ainda mais erros por se distanciar do que o clássico um filme diferenciado.
Lançado em 1977 com direção do premiado John Boorman, que além de ser umdiretor consagrado era também um homem forte de hollywood, possui um elenco consideravelmente pesado, com os acréscimos de Richard Burton, Louise Fletcher, Ned Beatty e James Earl Jones, além do retorno de Linda Blair e Max Von Sidow que estrelaram o primeiro O Exorcista.
Além disso, tem como um grande chamariz a trilha sonora assinada pelo maestro italiano Ennio Morricone.
Além Boorman, a direção também contou com o trabalho de Rospo Pallenberg, que substituiu o titular quando o mesmo estava impossibilitado. Ele não foi creditado nem nessa função e nem de roteirista, mesmo também tendo colaborado com o script.
O texto dá crédito a William Goodhart, foram produtores Boorman e Richard Lederer. Já Charles Orme foi o produtor associado.
Os motivos para a sequência ser questionada:
Essa é uma obra controversa desde a gênese de sua produção, com a escolha pela direção de Boorman.
Essa opção foi de encontro ao fato de que o Exorcista, mesmo sendo um sucesso de público e crítica, foi odiado pela indústria, pelos cineastas membros da Academia que premia as obras de cinema no Oscar.
Bill Friedkin inclusive acusou algumas pessoas influentes da indústria de ter executado um lobby contrário ao seu filme de 1973 e ao que parece, Boorman era uma dessas pessoas que faziam parte desse movimento contra.
Ou seja, quando ele assumiu a direção, o fez para "corrigir a rota", tentando tornar a saga e seu segundo volume em um thriller psicológico, abrindo mão do aspecto de ser uma luta entre bem e mal.
A recusa de Friedkin, Blatty e outros
A Warner Bros quis fazer o filme após A Profecia ter resultado em um grande sucesso para a FOX em 1976. Chamaram então William Friedkin para retomar a direção nessa sequência, mas ele não gostou da ideia inicial dos estúdios.
Com a sua recusa, William Peter Blatty o escritor do livro O Exorcista, também desambarcou desse "filme dois". Pelo que se falou na época, houve de fato reuniões com os dois xarás, com Linda Blair e até com Ellen Burstyn para planejar uma continuação que abarcasse todos, mas não se chegou a um acordo e somente a atriz adolescente retornou ao projeto que realmente foi feito.
Anos depois diria que essa foi uma das maiores decepções de sua carreira.

Diretores cogitados e construção do texto
Continuações de filmes de horror normalmente tem nomes grandiosos cogitados para a direção e esse O Herege não foi diferente. Stanley Kubrick, o lendário de O Iluminado e Laranja Mecânica recusou a oferta para dirigir o filme.
Além disso, fez uma forte colocação assim que Sir John Boorman aceitou a direção e o avisou que a única maneira de uma sequência de O Exorcista ter sucesso seria se fosse mais gráfica e horrível do que o original.
A opção foi de ir no exato oposto a esse sentido.
Também se pensou no editor Sam O'Steen para dirigir, mas o estúdio decidiu que queria um cineasta mais experiente e escolheu Boorman.
Esse acabou tendo roteiro do dramaturgo da Broadway William Goodhart, que vinha de obras como Um Casal Prá Frente e Ases do Céu, ambos baseados em peças do mesmo, foi produzido pelo próprio diretor e pelo iniciante Lederer.
Estreia e nomenclatura
A obra estreou no seu país de origem no dia 17 de junho de 1977,
No Japão chegou em julho, na Austrália, Países Baixos, Portugal e Reino Unido em setembro do mesmo ano. No Brasil chegou em 31 de outubro de 1977, na época do Halloween.
O título original é Exorcist II: The Heretic, mas ele teve diversos nomes de trabalho. O mais diferenciado era Exorcist 2: The Prince Bride, mas também foi chamado de The Exorcist II, The Exorcist II: The Heretic e The Heretic.

Na Argentina é El exorcista II: El hereje, na Bulgária é Заклинателят II: Еретикът, na França é L'Exorciste II : L'Hérétique e L'hérétique (L'exorciste II). Na Itália também possui dois nomes, sendo Esorcista II - L'eretico e L'esorcista II - L'eretico. Em Portugal é Exorcista II: O Herege.
Locações
O grosso das gravações foram em Nova York, com cenas inclusive no American Museum of Natural History em Manhattan.
Também gravaram em Page e Kayenta, Glen Canyon na parte do Arizona e em Utah, em Hitchcock Steps - 36th & Prospect Streets, Georgetown – Washington e no Warner Brothers Burbank Studios - 4000 Warner Boulevard, Burbank – Califórnia.
Houve uma tentativa de filmar nos cenários anteriores, mas a produção teve a permissão negada em quase todos os locais solicitados, incluindo a casa do primeiro filme. Dessa forma eles foram obrigados a recriar tudo no backlot do estúdio e inflando o orçamento.
Vale lembrar que o produtor Lederer disse que Exorcista II foi concebido como um filme de orçamento relativamente baixo, no início do projeto.
Boorman quis aproveitar essa escala para aumentar a proporção e o grau, onerando ainda mais os cofres do estúdio.
Companhias produtoras:
Até então esse foi o filme mais caro produzido pelo estúdio Warner Bros.
Foi a companhia que distribuiu a obra nos Estados Unidos. No Reino Unido, quem fez essa função foi a Columbia-Warner Distributors, enquanto em Portugal foi lançado pela Columbia-Warner Filmes local.
A Warner Home Vídeo lançou a obra aqui, em VHS.

Quem fez:
Boorman dirigiu À Queima-Roupa, Inferno no Pacífico, Amargo Pesadelo, Zardoz, Excalibur: A Espada do Poder, Floresta das Esmeraldas, O General e O Alfaiate do Panamá.
Pallenberg escreveu Excalibur: A Espada do Poder e Floresta das Esmeraldas. Colaborou com o roteiro de Sibéria e A Lenda de um Guerreiro. Dirigiu Assassinato no Colégio.
Como dito antes, Goodhart escreveu a peça e o roteiro de Um Casal Prá Frente e Ases do Céu. Junto a esse O Exorcista 2, são os únicos créditos do escritor.
Lederer produziu também Os Cavaleiros de Hollywood. Escreveu episódios de séries como Maverick e Surfise 6.
Burton atuou nos anos 1960 em obras clássicas, como Becket: O Favorito do Rei, O Espião que Saiu do Frio, Quem Tem Medo de Virgínia Woolf. Na década desse O Exorcista 2 ele fez A Quinta Ofensiva, O Carrasco de Roma e A Viagem Proibida.
Linda Blair depois de O Exorcista, fez o telefilme Inocência Ultrajada, Aeroporto 75 os televisivos A Garota Viciada, Doce Refém e Vitória em Entebbe. Ainda em 78, fez Verão do Medo, de Wes Craven.
Depois desse, trabalhou mais em peças cinematográficas apelativas, que utilizavam o seu belo corpo como chamariz. Exemplos disso são as obras Ruas Selvagens, Prisioneiras da Ilha Selvagem e Grotesk.
Depois de várias recusas de retornar ao papel de Regan, acabou estrelando com Leslie Nielsen uma paródia de filme de exorcismo, em A Repossuída. Em 2024 retornaria a franquia, fazendo uma cameo no criticado O Exorcista: O Devoto.
Os elogios de Scorsese e Tarantino
Mesmo que esse seja um filme comumente tratado como péssimo, na época em que foi lançado, algumas figuras proeminentes do cinema mainstream elogiaram o longa.
Entre os defensores havia o cineasta em ascensão Martin Scorsese, que em 1976 acabava de lançar Taxi Driver – Motorista de Táxi. Ele defendia que o texto tratava de uma questão paradoxal, que trazia à tona uma indagação, sobre se ações de grande bondade traziam sobre o praticante desses atos uma possibilidade de grande mal, como se um dom de Deus fosse uma sina e não uma benção.
Para o cineasta esse era um bom comentário sobre o livro bíblico de Jó, o homem temente a Deus que foi testado pelo Divino inúmeras vezes, sempre se mantendo fiel. Nesse sentido Regan se asselharia a Jó, sendo assim uma espécie de santa moderna, como foi Ingrid Bergman em Europa '51 e de certa forma, como Charlie foi no seu Caminhos Perigosos.
Também disse que gostava do primeiro Exorcista por valorizar a culpa católica que muitos carregavam, inclusive o próprio Martin, além de ter elogiado pelos sustos.
Ainda assim, considerava que O Herege superava a obra de 1973, mas fez a ressalva:
Talvez Boorman não tenha conseguido executar o material (...) o filme ainda merecia algo melhor do que recebeu.
Quentin Tarantino também é um dos defensores desse O Exorcista 2, inclusive colocou uma das músicas de Morricone presentes nessa trilha, no conjunto de canções do seu western mais recente, o excelenteOs Oito Odiados.
Friedkin, as verdades e as bravatas
É bem sabido que Bill Friedkin odiou o lançamento dessa parte dois.
Há muito boato, fofoca e mentira espalhada quando se cita essa questão, com chistes e discussões tão irreais que eventualmente parecem mentiras, embora outras tantas sejam verdades.
Mexericos à parte, é dado que o escritor William Peter Blatty escreveu os livros A Nona Configuração e Legião dentro da mesma continuidade de O Exorcista justamente por ter achado esse tão ruim como foi.
Apesar de não haver uma comprovação dessa questão - até por conta do livro A Nona Configuração ser baseado em um roteiro que Blatty já havia escrito nos anos 60, antes mesmo de O Exorcista ser publicado - ambos romances se tornaram filmes, em A Nona Configuração, de 1980 e O Exorcista III, de 1990.
O boicote a e hipocrisia de Boorman (ao menos, segundo Friedkin)
Friedkin afirmou que O Exorcista passou por um forte boicote da academia, até gastamos um tempo considerável falando disso, em nosso texto do clássico.
Aparentemente, Boorman engrossou o coro contra o filme de 1973.

Talvez por isso, o diretor tenha aceitado espalhar histórias folclóricas a respeito da continuação de seu clássico.
As prévias
Das anedotas, a maior delas foi contada por Bill e lembrada por um executivo da própria Warner, em um entrevista concedida em abril de 2013. Segundo esse relato, os chefes do estúdio compareceram à prévia de O Exorcista II: O Herege em uma limusine e contaram os motoristas foram buscar algum lanche, em uma loja de fast food.
Chegando atrasados, eles entraram no auditório, já passados 10 minutos de filme, uma pessoa da plateia se levantou, olhou para a multidão e disse:
As pessoas que fizeram essa merda estão nesta sala!
Outros membros da audiência também se levantaram, para encontrar os supostos responsáveis.
Recesosos, eles saíram correndo do cinema e perceberam que não havia carros de táxi, para sair de lá rapidamente, fato que ocasionou uma perseguição na rua por um grupo de espectadores furiosos.
Isso faz pouco ou nenhum sentido, mas foi uma fofoca bastante alardeada, de autoria supostamente do realizador de Comboio do Medo e Operação França.
Afinal, ele assistiu o longa de Boorman?
Curiosamente, Friedkin em alguns pontos dizia ter parado para ver o filme, mas não exatamente em uma sala de cinema.
Ele disse que um dia estava no "Technicolor" - na verdade, estava em um laboratório que revelava filmes que utilizavam dessa tecnologia -e um sujeito disse que tinha acabado de terminar uma impressão de Exorcista II. Perguntou se ele queria dar uma olhada.
Segundo ele, viu a obra durante meia hora e saiu xingando, comparou a parcela que viu a algo tão ruim quanto ver um acidente de trânsito na rua. Classificou como horrível, chamou de bagunça estúpida feita por um cara idiota, até citou o nome Sir John Boorman.
Disse que a imagem estava horrível e que esta sequência diminuiu o valor do original, já que era um dos piores filmes que ele já viu. Mais tarde, ele acrescentou:
Esse filme foi feito por uma mente demente.
As respostas de Boorman
Numa entrevista de 2005, John Boorman comentou que todas as críticas negativas em relação ao seu filme tem ligação direta com expectativas do público.
A defesa que ele faz sobre a sua obra é que esse seria uma espécie de resposta à feiúra e à escuridão de O Exorcista.
Ele mirou fazer um filme sobre viagens internas, mentais e sentimentais e no entendimento dele, isso foi essencialmente bem executado.
Depois de uma boa auto análise, o diretor afirmou que o público estava certo, já que ele negou a eles o que queriam. Por esse motivo, ele achava que os espectadores ficaram chateados com razão. Boorman diz que sabia que não estava dando a eles o que eles queriam, foi uma escolha dele e segundo o próprio, foi uma opção tola.
Em suma, o diretor assumiu a própria teimosia, ainda que considere que a sua escolha artística é sim interessante, considera que o seu trabalho foi sim interessante.
Isso poderia ser um argumento válido fossem modificados pequenos detalhes, como uma construção melhor para a dublê de Regan possuída, que nessa versão, é péssima, não assusta, só constrange.

Alguns aspectos visuais e narrativos depõem contra o argumento de que o seu esforço foi grandioso.
Segundo o realizador, quando os produtores escolheram ele, o realizador deixou claro que ele não faria outro filme sobre torturar crianças, já que tinha duas filhas e se sentia ofendido com o que ocorreu no primeiro episódio da saga. Disse isso inclusive a John Calley, que era um dos diretores da Warner Bros.
O tratamento inicial e o aceite
Boorman leu uma versão inicial do roteiro, uma sequência escrita por William Goodhart de apenas três páginas. Ao acabar de ler, ficou realmente intrigado porque era sobre a bondade, sobre a essência pura de Regan.
Essa seria a resposta ao primeiro filme, uma versão mais proativa, otimista e positivista.
Ou seja, o tom mais "animado" não foi idealizado por ele e sim pelo rascunho do roteiro que o dramaturgo entregou, embora boa parte desse rascunho tenha sido descartada, como o acréscimo do tenente Kinderman, de Lee J. Cobb, que foi abandonado depois que o ator morreu.
A abertura desastrosa
Para além das várias polêmicas de bastidores, obra ainda teve uma das estreias mais desastrosas de sua época. Há quem defenda que foi uma das piores de todos os tempos.
Houveram tumultos nas filas de cinema, não foi nem de longe o mesmo furdunço de 1973, tampouco houveram filas quilométricas, que atravessavam ruas e quarteirões, como na obra que estrelava Jason Miller e Ellen Burstyn.
Isso se explica pela redução de salas exibindo o longa-metragem. Segundo Boorman, as cópias nos cinemas foram reduzidas para cerca de seis sessões por dia, mas isso não ajudou, a medida que era constatado o fracasso.
Não à toa o diretor se recusava a falar do filme, por anos.
O corte maior e a substituição do cineasta
Também se falava que a versão preliminar teria duração estendida consideravelmente, com 3 horas fechadas.
Durante as filmagens, Boorman teve um problema de saúde, foi diagnosticado com uma infecção pulmonar e teve que se ausentar.
Por isso Rospo Pallenberg o substituiu em alguns dias. Linda Blair disse em entrevistas que ele acabou dirigindo boa parte do filme, fora que também ajudou a reescrever o roteiro.
Até então ele não havia dirigido nenhuma outra obra. Foi creditado então como diretor de segunda unidade e creative associate. Pallenberg fez essa mesma função em Amargo Pesadelo de Boorman, no italiano Crazy Joe e Pânico no Atlantico Express.
A respeito das cenas cortadas, há pouco acesso a elas, mesmo em material promocional vinculado a mídia física. O que se sabe é que entre as sequênciaas deletadas havia uma com uma igreja africana sendo destruída pelo Demônio, fato que bateria de frente com a representação do mundo espiritual menos óbvia e mais simbólica e onírica.
Conflitos relacionados ao roteiro
O roteiro de Goodhart foi motivo de grande briga entre as pessoas que realizaram o filme.
O diretor achava que o texto se baseava demais no metafísico, já o escritor assumiu que seu script era inspirado nas teorias de Pierre Teilhard de Chardin, o paleontólogo/arqueólogo jesuíta que inspirou o personagem do Padre Merrin no romance Peter Blatty
Boorman então pediu a Goodhart que reescrevesse o conteúdo, incorporando as ideias de Rospo Pallenberg, mas o roteirista recusou implementar tais mudanças, foi então que Pallenberg e Boorman reescreveram o mesmo, que aliás, era refeito constantemente durante as filmagens, com acréscimos e decréscimos frequentes.
Segundo Linda Blair, os dois cineastas estavam incertos sobre como a história deveria terminar. Ela elogiou o roteiro inicial, achava-o muito bom, mas depois de reescreverem ele "cinco vezes" - ao menos segundo suas contas - acabou não se parecendo em nada com a ideia proposta na gênese do projeto.
Arrecadação
Como dito, O Exorcista II é amplamente encarado como um fracasso, mas a realidade fincanceira não é bem essa.
Dentro da franquia foi a única das sequências/prequelas a apresentar lucro em seu lançamento nos cinemas, apesar de ter um desempenho inferior a obra de Friedkin, além de obviamente ter gerado um constrangimento crítico para o estúdio.
Foi a recepção crítica do filme que frustou os planos para uma segunda sequência. O Exorcista III só sairia 13 anos por outro estúdio, pela 20th Century Fox nos cinemas e em vídeo.
Narrativa
O ponto de partida dessa história é uma discussão religiosa, entre padres católicos, que acabam por analisar toda a história ocorrida no primeiro tomo da franquia, embora essa não seja exatamente a primeira cena.
Eles falam tanto sobre o ritual de exorcismo que livrou a vida de Regan MacNeil do mal e que terminou no óbito de dois padres: Damien Karras e Lankester Merrin.
A discussão é justamente a respeito do segundo padre citado.
O padre Lamont (Burton) diz que o padre Merrin encontrou Pazuzu pela primeira vez 40 anos antes dos eventos do filme original.
![EXORCIST II: THE HERETIC [1977] | Horror Cult Films](https://horrorcultfilms.b-cdn.net/wp-content/uploads/2024/09/exorcist-2-burton-e1726356885623.jpg)
Nesse ponto da trama, ele parece ser o único defensor de Lankester nesse grupo, embora tenha claro as suas reservas a ele.
Ele tem motivos para ser assim, como é mostrada na estranha e sensacionalista cena inicial, onde o padre falha em salvar uma menina latina, que ao ser possuída por um espírito espúrio, acaba ateando fogo nela mesma.
A tal menina, antes da possessão, era tratada como uma curandeira local. Não fica claro se as capacidades curativas dela tinham a ver com a suposta possessão ou não.
Para piorar, a cena é risível, ou seja, se de fato Boorman queria traçar uma história séria, começar por uma sequência assim é um contrassenso.
Questões cronológicas
Segundo as contas de Lamont, o encontro entre Pazuzu e Merrin que seria entre 1933 e 1935. Teoricamente não se entra em conflito com o que foi dito no roteiro de Blatty, mas o mesmo não pode ser dito para os outros filmes da série.
Em ambas as versões prequel do Exorcista, que mostrando o primeiro encontro do padre com a entidade Pazuzu, se passam na década de 1940, especificamente 1947, no Domínio: Prequela do Exorcista de Paul Schrader, além de O Exorcista: O Início, que se passam em 1949.
É possível afirmar que as prequelas ignoram totalmente este filme.
Atores cogitados para Padre Lamont
Antes de Richard Burton assumir o papel, padre Lamont quase coube a John Voight e a Christopher Walken.
Burton em entrevista assumiu que fez essa parte 2 basicamente por estar com dificuldades financeiras, depois de ter se divorciado de Elizabeth Taylor.
Há quem defenda que ele concordou em interpretar o padre conservador em troca da Columbia escalá-lo como Dr. Martin Dysart em Equus de 1977, personagem esse que ele interpretou no palco.
Como dito, Lamont era alguém conservador, quase reacionário. O personagem acredita que o mundo está mal por conta da igreja ser progressista.
As duas personagens femininas fortes
Regan é introduzida como uma pessoa com aspirações artísticas, em um teatro, ensaiando passos de dança e sapateado.
A ideia é mostrar que ela superou o caso de possessão, ou ao menos está tentando.
O momento tem uma certa ternura, uma vez que ela se tornou uma moça bonita, que se vê flertando com um rapaz que toca saxofone, mas ainda assim o que se vê é um momento muito forçado, adocicado de maneira tosca.
Aqui é estabelecido que já tem 17 anos, sendo praticamente uma mulher. Não demora para que apareça a outra personagem forte, : a psicóloga Gene Tuskin, de Fletcher, que trataria de Regan.
As duas fazem um dueto. Louise Fletcher tinha acabado de ganhar um oscar por Um Estranho no Ninho e claramente foi escolhida por conta da semelhança com Ellen Burstyn depois que ela se recusou a repetir o papel.

Chris é citada no filme, estaria ausente graças a sua função de atriz, ou seja, Regan também tem pretensões artísticas possivelmente para tentar imitar os passos de sua mãe ausente.
Em algumas versões do roteiro, Tuskin seria um homem. A medida que Chris MacNeil teve que ser retirada do enredo, revolveram trazer Kitty Win de volta, como Sharon Spencer, mesmo que ela tenha se despedido dos MacNeil no final de O Exorcista.
Sobre Blair
Curioso como mesmo não tendo ganhou o Oscar graças a polêmica de ter dividido o papel com Mercedes McCambridge, Blair ficou marcada, jamais se desvencilhou da marca de ter feito uma menina possuída.
Virou para sempre refém do papel de Regan. Nessa parte ela gerou uma série de problemas, teve crises de estrelismo e viria a ter problemas sérios com dependência química.
As más línguas apontavam que ela já tinha problema nessa época, mesmo sendo tão moça.
Relação com Burton
Quase todas as falas a respeito dos bastidores de O Exorcista 2: O Herege foram complicadas e críticas, mas uma se destaca positivamente, que se referem a relação entre Burton e Blair.
Linda afirmou em entrevistas que ela e Richard se davam muito bem e que ele frequentemente conversavam sobre as peças e o texto de William Shakespeare.
Os dois se tornaram grandes amigos, embora tenham tomado rumos completamente diversos em suas respectivas carreiras.
Desperdício de talento dramático
Os nomes em destaque nos créditos iniciais são os de Blair, Burton, Louise Fletcher e Sidow. Isso se dá em uma tela preta, com letras vermelhas grandes é acompanhada de gritos estranhos, de mulheres.
Isso é curioso, já que o elenco do filme inclui uma vencedora do Oscar (Fletcher) também peca por não aproveitar cinco indicados ao Oscar (Blair, Sydow, Burton, Ned Beatty e James Earl Jones) tampouco aproveita a trilha de Morricone, que é repleta de bons momentos, mas não resulta em nada.
A primeira cena
Dito isso, considerando a máxima do desperdício, se levanta uma hipótese. Há quem defenda que um filme é tão bom quanto a sua primeira cena.
Levando essa questão a sério é difícil não se irritar com a cena de introdução, envolvendo o padre Phillip Lamont de Burton, quanto o primeiro momento de Blair em cena.
Burton está exagerado, suado e esbaforido, desesperado em uma cena de exorcismo pitoresca e mal filmada.

Aparentemente havia a intenção de começar a fita com uma cena assim para tirar do caminho a necessidade de mais momentos envolvendo demônios literais.
A grande questão é que todas as atuações são ruins - sobretudo da possuída Rose Portillo - e o efeito da moça queimando é ridículo.
A mãe postiça
Regan segue tentar encontrar a sua identidade. Para isso, se expõe artisticamente e tem acompanhamento psicológico com a doutora Gene Tuskin.
A semelhança física da doutora com a mãe dela ajuda a criar um subtexto de que a menina preferia ter uma mãe presente ao invés de uma terapeuta, mas não tendo a primeira, aceita a segunda.
O cenário onde ocorrem as sessões é cuidadosamente pensado para criar estranheza. As salas têm vidros enormes, que permitem que pessoas em outros cômodos se vejam.

A arquitetura mira exemplificar em sua construção que nenhum segredo deve ser mantido, todos tem acesso e olhos sobre os pacientes, sejam eles quais forem, estando com qualquer um dos doutores.
Apesar da ideia boa, esse cenário lembra mais um escritório grande ou uma sala de redação jornalística do que um lugar de saúde.
A missão de Phillip
O cardeal feito por Paul Henreid (o Victor Laszlo de Casablanca) pede para que Lamont investigue a morte de Merrin, ele não fica à vontade, não só pela questão de Lankester ser visto como um herege, mas sim graças a ligação com exorcismos, que traumatizaram ele, fazendo com que ele tremesse na fé.
A ideia é provar que Merrin era um sujeito ruim, já que, segundo os seus detratores, defendia que a ascensão do mal poderia ofuscar o poder de Deus.
É curioso como mesmo se tratando de um assunto tão pesado e sujo, os argumentos são jogados, inclusive nas conversas entre personagens principais.
Os exames pseudocientíficos
Isso também se dá na questão dos tais exames que empregam em Regan.
Lamont conversa com a doutora, falam sobre a menina e a própria toma a frente e se oferece para fazer parte de um experimento mental com eletrodos, um exame que ainda está em fase de testes muito iniciais.
MacNeil não tem receio nenhum em se expor e aceita o experimento. A questão maior é que não há comprovação de que aquilo dará ciência aos examinadores sobre o que se passa na mente da menina, ao contrário.
A decisão de usar isso deveria ser da médica, não da paciente, mas quem decide é a "bailarina", que insiste em provar que está bem.

A máquina
Não fica exatamente claro como funciona o dispositivo. Aparentemente, ele é um sincronizador, que reúne duas mentes em uma, através da hipnose.
Desse modo, Tuskin entraria nas lembranças de Regan, para entender o que trava a menina e o que a deixa mal.
O dispositivo promete resultados "revolucionário de biofeedback", através da sincronia de ondas cerebrais.
Os erros na sessão
O procedimento é feito e dá muito errado. No meio da viagem, a suposta especialista comete um equívoco, ou seja, Gene se perde no meio da tal viagem mental.
Como estava próximo, o padre decide assumir as rédeas da situação. Não há motivo para isso, não se dá a mínima explicação para ele fazer isso não é dada ou discutida, só é jogada, ele é o herói e pronto.
Apesar da postura heroica, ele acaba tendo momentos complicados, inclusive revivendo algumas visões de Merrin. Enxerga o momento em que Regan é possuída, mesmo que a menina não esteja mais ligada a esse mergulho, já que Phillip usou o cordão de cabeça que a menina cedeu.
Aqui há uma pessoa interpretando Pazuzu, na verdade, faz Regan possuída, uma vez que Linda Blair não quis usar maquiagem. Aqui ela é feita por Karen Knapp, que atua porcamente aliás.

Tal qual houve com Mercedes no primeiro, Karen sequer é creditada, aliás. O ser aperta o coração do Padre Merrin, enquanto faz o mesmo com o músculo da psicóloga. Esse momento parece ter a intenção de parecer poética e onírica, mas erra demais.
É difícil decidir se esse é um trecho bem-feito ou mal executado. Boorman casa a sequência no quarto em Washington com o consultório, Fletcher e Sidow tem uma sincronia impressionante, repetem vários movimentos em uníssono, essa parte é bem orquestrada, mas soa piegas, como uma coincidência elevada a uma birra sem sentido.
Indícios de paranormalidade de Regan
O momento imediatamente posterior segue confuso. Regan parece ter poderes desenha o padre, com chamas em volta. Quando vê isso, o sacerdote acredita que esse pode ser um sinal.
Se Damien Karras era cético, Phillip Lamont é bastante crédulo e crente, se agarrando a toda chance de evento religioso possível. Ele acaba impedindo o incêndio de um local próximo da onde eles estão.
Com isso, qualquer exigência sua passa a ser atendida como uma ordem primária, e Gene cede ao pedido dele de fazer sessões usando a máquina na menina, uma vez que ele acredita que a moça possui em si um demônio antigo, alojado em sua mente e subconsciente.
O padre que antes não queria mais fazer exorcismos se via em meio a um, mesmo que esse rito fosse bem diferente do usual, sem palavras de ordem diretas contra um espírito espúrio, sem o uso da Bíblia Sagrada.
Uma parte elogiável do roteiro
Bater em O Exorcista 2: O Herege é fácil, dadas as diferença entre as obras, mas é inegável que há algo de positivo na construção de texto relacionado a Regan.
A forma como demonstram o talento e o gosto da menina por artes é bem pensado, ainda une o destino dela a geração anterior.
O que soa forçado são os momentos espelhados, entre os sonhos da criança afastando gafanhotos nos campos da África, que é uma referência a Pazuzu e também a Merrin, com os momentos de sonambulismo da menina, que se tornam tão perigosos que quase resultam em um homicídio auto empregado pela personagem de Blair.
O talento do diretor
É indiscutível que Boorman filma bem. Em vários momentos ele traz cenas bonitas, repletas de reflexos que confundem a perspectiva.
O seu trabalho e do diretor de fotografia William A. Fraker tem vários bons momentos. Movimentos simples de câmera ganham significado diferenciado, se tornando alvos de repetição que reforçam o peso de cada ato ou passo.
Em alguns momentos, essas reiterações soam incômodas, mas há uma boa ideia por trás disso, inegavelmente. É só uma pena que o texto em volta desses trechos seja confuso e despropositado.
O jogo de espelhos
O excesso de espelhos, paredes ou vidros reflexivos cercando a menina é algo facilmente notável aqui. Em vários momentos incomoda pela obviedade, já que remete a mensagem rasa e redundante de que a identidade da personagem está em cheque.

Seria ela uma abençoada ou uma amaldiçoada? A culpa da não presença de sua mãe é graças ao trabalho de Chris, a própria parente que prefere ficar longe do antigo receptáculo do mal ou da própria adolescente?
São questões demais levantadas, mas a maioria não é nem sequer discutida ou aprofundada, que dirá respondida.
Os espelhos e o estrelismo de Linda Blair
Chega a ser engraçado que Blair faça quase todas as cenas com espelhos em volta de si.
Faz perguntar se não havia da parte de Boorman a vontade de fazer um comentário ácido e subliminar sobre as crises de ego dela.
Nos bastidores, Linda gerou alguns incômodos. A recusa de usar maquiagem pesada aparentemente foi um desses, o que de fato era justo, diga-se, pois deve ter sido traumatizante para ela se paramentar no filme de 73.
No entanto, não se justificavam os inúmeros atrasos que ela cometia. Não era incomum que ela chegasse alterada, possivelmente bêbada ou entorpecida com substâncias mais fortes, já que se fala ela estava no auge do abuso de drogas.
Retorno a Georgetown
Em determinado ponto, Sharon leva Lamont ao antigo cenário, em Washington. A viagem para Georgetown é curiosa, a começar pelo fato de Boorman colocar Witt encarando a escada onde o padre Damian Karras se jogou.
Ela sente o peso, atua bem, faz algo que somente um remanescente da história anterior poderia fazer. Também segue potente o fato de Karras mal ser citado, mas ainda assim, segue presente na memória de todos.

Também chama a atenção que ela está com cabelo baixo, imitando a sua antiga tutora. Na falta de uma Chris MacNeil, há duas imitações dela: Tuskin e Sharon.
A cuidadora afirma que ficou dois anos afastada da família de Regan e voltou por só sentir paz ao estar perto da menina. É como se a garota acalentasse a sua alma.
Vale lembrar que ela era assistente de Chris nos trabalhos de atuação, simplesmente mudou de profissão, se tornando cuidadora e auxiliadora de Regan.
No entanto, nem a proximidade da família garantiu a ela coragem de entrar no antigo quarto da menina, onde todo o trauma ocorreu.
Os gafanhotos
No teto há um gafanhoto castanho, mal recortado, uma clara demonstração de que Boorman tinha problemas em colocar inserções de tela verde, até em bons filmes como À Queima Roupa, que é um bom filme, tem uma questão problemática relacionada a esse artifício.
No processo de investigar, ele retorna a fase em que Merrin estava com curandeiros na África.
Aqui há uma visão bem preconceituosa e clichê do continente, como se não houvesse diferenças cabais entre as nações, tribos e países.
A entidade
Pazuzu é dito como uma entidade do ar, tratado quase como uma potestade, como uma força espiritual e demoníaca de ascensão grandiosa.
Até pela forma como é retratado como algo maquiavélico, nem vale nesse artigo resgatar as origens da entidade babilônica (falamos dela no artigo de O Exorcista também) diante de estudos de demonologistas, é dado que espíritos que possuem pessoas estão em uma cadeia hierárquica abaixo de Principados e Potestades ditos na Bíblia cristã.
Talvez se explique essa ligação graças ao fato de Regan ter dons, já que ela faz uma menina muda chamada Sandra (Dana Plato) falar.
Tudo que envolve a viagem de Lamont é turvo e estranho. Ele decide ir a África subitamente e quando vai, age desesperado e carente, tão traumatizado e caricato que parece dever algo aos gurus locais.
Aceita de bom grado a ceia que eles propõem e acaba participando de um transe que parece ter a ver com uma droga ministrada a si.
O elo e as visões
Quando está no estrangeiro, em meio de um momento de crise, o padre é apedrejado, Regan acaba sofrendo também, tem um ataque de nervos, no meio de uma apresentação.
Aparentemente eles possuem um elo mental, que sobrevive até a distância continental.
Burton anda pela África como uma versão menorizada de Indiana Jones. De certa forma, ele previu a versão de Merrin que Stellan Skarsgård faria em Domínio e O Exorcista O Início.
O encontro com Kokumo
Enfim Phillip ele encontra Kokumo, que primeiro aparece sem roupas, utilizando um capuz de gafanhoto, em um ambiente fechado, na frente de um poço cheio de espinhos...
Esse trecho é um bocado preconceituoso, uma visão em forma de caricatura.
Logo se mostra apenas como um devaneio, ele provavelmente teve febre graças a viagem e a picada de algum animal que não costuma habitar os Estados Unidos. Kokumo é um estudioso, um pesquisar da vida dos gafanhotos, nada mais do que isso. Pesquisa pragas devoradoras, tenta arrumar antídotos para elas.

O finado Earl Jones tenta dar alguma dignidade ao papel. Até consegue em partes, mas suas linhas de diálogo são pobres. Ele é um personagem
Ao saber do bom gafanhoto que Kokumo "criou", uma versão do animal que não consumiria a vegetação tal qual uma pragam, Lamont se enche de esperança.
Reencontro
O sacerdote decide voltar, justamente quando Regan abandona o hospital. Os dois se unem, tem o interesse de seguir em sessões com a máquina.
Merrin volta a aparecer nas sessões da máqunia de hipnose, novamente trajado como padre. Ele retorna com brilho, para ratificar que Regan tem dons, que é por isso que o demônio a atacou, como atacou a moça latina do início do filme, que também curava pessoas.
Efeitos colaterais
As sessões de hipnose aparentemente mudam as pessoas. Ocorreu com Gene e com o padre também.
Ele começa a agir como uma pessoa movida por algo maior e manipulador. Vai até a estação Penn, quer ir a Washington e Regan vai junto.
O padre age de modo imperativo e calado, quando fala, afirma que Regan é sua posse.
Esses momentos derradeiros são os que possuem um uso mais acertado da trilha do maestro Ennio Morricone, já que as duas viagens-de trem, com Lamont e Regan, e de avião com Sharon e Gene - são tensas e emocionantes.
A ideia de colocar as duas ocorrendo simultaneamente é boa, mas é conduzida porcamente. As cenas no avião são ridículas, parecem retiradas de uma comédia, com muita ação em volta, de uma forma que parece mesmo um número de humor.
Até com o transporte de Washington ocorrem momentos estranhos, como o taxista que leva a médica tendo receio de ir até a rua Prospect número 8, enquanto o motorista de ônibus deixa a menina e o sacerdote na escada. É um ponto difícil de imaginar como um ponto de ônibus.
Acidentes ocorrem, saem muitos gafanhotos do quarto e algo bata no vidro do táxi, que faz o veículo perder o controle.
Sharon se liberta do carro, parece possuída por Pazuzu também, fato que faz perguntar se ele é um espírito em dois corpos, tal qual em O Exorcista: O Devoto.
O confronto das versões de Regan
Próximo do final, há toda uma série de momentos polêmicos, como o conflito das duas versões de Regan.

Tanto as linhas de diálogo, que igualam a menina a Pazuzu a uma pessoa só quanto a demonstração visual são ridículas.
A sequência é péssima visualmente falando. Éfeia e espiritualmente bizarra. Nem mesmo a maquiagem de Dick Smith, salva.
A polêmica cena cortada
Richard Burton brigou para que uma sequência fosse mudada, corretamente, aliás.
A cena em que a manifestação demoníaca de Regan seduz o Padre Lamont seria ainda maior.
Ela foi originalmente planejada para ser muito mais sexualmente explícita, gráfica e grotesca.
Quando Linda Blair e Richard Burton leram essa parte do roteiro, os dois se recusaram a fazê-lo. Burton tinha 52 anos na época e era um notório playboy, não se sentia confortável em se envolver em atos obscenos com Linda Blair, então com 17 anos, pois a via como uma filha.
Blair também enxergava o colega como um mentor e figura paterna e expressou desconforto por ter que seduzi-lo sexualmente de maneira tão lasciva.

Borman ficou contrariado, mas concordou em suavizar a cena. Ainda assim foi uma experiência desconfortável para ambos os atores.
O fogo consumidor
Perto do final, se repete outro momento de autoflagelo com fogo, envolvendo a pobre Sharon.
Mais mortes ocorreriam, não fosse a lembrança de Kokumo que freia o ato homicida do padre.
A solução final e anticlimática, de péssimo gosto. A cena no quarto é histriônica, as paredes se abrem e o demônio é puxado para o buraco. A ideia de ser um thriller psicológico inexiste aqui.
Final em aberto
Os momentos finais mostram Regan indo na direção de um panting, que mistura o cenário do que deveria ser Washington com o céu e paraíso cristão.
A impressão que fica é que ela encontro a paz, o que podo significar que ela também morreu, tendo derrotado o inimigo da raça humana com o sacrifício.
Ela pode enfim sair e descansar. Gene Tuskin diz que agora entende, mas o público, não.
O padre e a menina saem de cena. Podem só ter fugido da polícia, afinal o taxista e Sharon morreram, ou podem ter ido para o além, e todo esse final pode ser uma projeção da máquina de eletrodos, uma vez que as luzes piscam, junto do som característico.
Boorman consegue demonstrar algumas das suas ideias e intenções, mas se perde em meio ao esforço e a montagem confusa.
Um mundo realista e materialista não tem gente possuída e um cenário de possessão precisa abraçar a existência de Deus e do diabo.
O diretor entregou um filme que não sabe o que abraçar. Acaba falhando duplamente, carece de identidade e verve, sendo enfim uma obra capenga.
O Exorcista 2: O Herege é desconjuntado, cujo pecado é o de servir a dois senhores tão distintos, não parecendo realista, tampouco consegue ser uma boa abordagem do sobrenatural. Acabou sepultando a carreira de Blair, soando constrangedor para ela e para a maior parte do elenco, o que é uma pena, poir havia muito potencial aqui.
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