Review: Arrow S02E23 - Unthinkable (Season Finale)

O texto a seguir contém pequenos spoilers

UnthinkableA segunda temporada de Arrow chegou ao fim de forma surpreendente, não apenas pelas reviravoltas, cenas de ação ou momentos dramáticos eficientes. Mas pela coragem dos roteiristas, em termos de narrativa e evolução de personagens, em, de certa forma, encerrar uma fase do herói de capuz, confiando plenamente no interesse do espectador em retornar para o próximo ano.

O que é realmente interessante em Unthinkable é a forma como o episódio amarra várias pontas e cria situações de rima com o começo da série, indicando o final de uma jornada que Oliver Queen iniciou no momento que o barco de sua família naufragou. Enquanto na primeira temporada, o jovem playboy fez o que achou necessário para salvar sua cidade, na segunda percebeu que precisava sair do estigma de assassino imposto por si mesmo. Assim, a trama principal deste ano, no que se refere ao protagonista, foi sua evolução como herói, e nada mais justo que terminar essa fase com o personagem abraçando seu destino, totalmente realizado, apesar de todos os desafios enfrentados ao longo do caminho. É gratificante que uma série de um canal pouco levado a sério, tome decisões maduras como essa, de não deixar seu elenco principal estático. O contraponto criado entre o final da primeira temporada (em que tudo acabava mal, deixando o Arqueiro arrasado) e este season finale (com o herói marcado por perdas, mas ainda assim muito seguro de si) já seria o suficiente para colocar Arrow ao lado de adaptações bem sucedidas de HQs e, mais do que isso, de exemplos igualmente satisfatórios da famosa “jornada do herói” (que os dois filmes mais recentes do Homem-Aranha falham miseravelmente em fazer).

Novamente continuando exatamente de onde o episódio anterior parou, Unthinkable precisa lidar com o clímax da trama: o Arqueiro, agora auxiliado por um grupo incomum, além de seus habituais parceiros, precisam impedir Slade e seu exército, enquanto Amanda Waller controla um drone que pode transformar Starling em ruínas. Com um senso de urgência ligado na potência máxima, a aventura da semana é tão movimentada quanto a anterior, que mantinha a ação constante, ao mesmo tempo que encontrava espaço para cenas dramáticas. Aqui o espectador se depara com momentos ainda mais interessantes, já que há épicas batalhas envolvendo um grande número de figurantes, além de cenas calmas como o diálogo entre Roy e Thea, ou ainda as insinuações entre Oliver e Felicity ou Diggle e Lyla.

Dividir o final de temporada em três episódios fez com que o programa ofereça, em seu último ato, um desfecho ágil, sem soar apressado. É incrível que tanta informação ainda tenha espaço nos últimos 43 minutos deste arco e como boa parte seja colocada para o espectador no timing correto. Apenas na subtrama envolvendo Malcolm e Thea falta um pouco de substância e carga emocional. Muito disso se dá à fragilidade da própria irmã de Oliver como personagem. Quase sempre mostrada de forma unidimensional pelos roteiros da temporada e com participação bem diluída, não há muito para o espectador se conectar com a garota. Fica a promessa de um retorno no futuro, talvez mostrando a jovem Queen de outra forma. Outra subtrama mal aproveitada é a de Isabel Rochev, descartada logo no começo do episódio; este sim foi um dos poucos momentos apressados deste season finale.

O segundo arco dramático mais interessante da reta final de Arrow, sem dúvida, é o que envolve as duas irmãs Lance. Há uma boa decisão por parte dos produtores quanto ao destino de Sara e uma ótima cena entre ambas, que poderia ter caído no quesito "fanservice" nas mãos de realizadores menos preocupados com a trama. Os fãs vão adorar, mas além disso, é um momento que serve à história e à evolução de Laurel. O que também vai cair no gosto do público é a subplot de Roy, outro personagem que precisa abraçar seu destino (aliás, todo o elenco de heróis se vê nessa situação).

Tecnicamente Unthinkable continua mostrando o quanto a produção economizou ao longo da temporada para gastar com efeitos especiais em seu desfecho. Repleto das chamadas "money shots", o episódio não faz feio no quesito visual. Mas é na montagem que encontra um trunfo, principalmente na batalha final entre o Arqueiro e o Exterminador. Com a inspirada ideia de intercalar a luta do presente com a do passado (que deixou Slade cego de um olho), a sequência não funciona apenas à nível de narrativa, mas também de forma simbólica, mostrando como a luta na ilha foi a causadora de tudo e fechando o círculo com o embate atual, uma espécie de "exorcismo" pelos erros passados de Oliver.

Unthinkable

Ao mesmo tempo que fecha uma enorme trama de 46 episódios, Arrow também aproveita para deixar dicas do que esperar para o futuro. A mais interessante, inclusive, diz respeito aos flashbacks. Finalmente uma mudança de ares para a série, já que situar os 5 anos apenas na ilha poderia se tornar algo monótono e repetitivo. Afinal, Oliver já havia revelado em outras ocasiões sua saída de lá durante o tempo que ficara desaparecido. A terceira temporada deve ainda ampliar a participação da A.R.G.U.S. na trama, uma vez que ela estará presente tanto no passado quanto na atualidade, ao menos na forma da Prisão de Segurança Máxima que deve ser o destino de vários vilões no futuro da série.

Eficiente, ágil, dramático, revelador (até para o futuro de Diggle, quem diria). São vários adjetivos que podem ser usados para descrever este final de temporada. Quase todos positivos, fechando assim, um ano que ajudou a colocar Arrow no gosto popular. Resta saber o que os produtores pretendem para a próxima temporada. Seja o que for, se continuar as melhorias graduais que acompanharam o seriado desde sua estreia, seu futuro está garantido e o espectador, com certeza, continuará voltando para conferir boas histórias.

Alexandre Luiz

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3 comments

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    Carla Machado 16 maio, 2014 at 10:02 Responder

    Eu amei a SF.
    Amo a Felicity, mas achei bom aquele tão esperado EU TE AMO ser apenas parte de estratégia. Não acho legal junta-la com Oliver.
    A parte da ilha encheu um pouco o saco, mas sei que é extremamente importante.
    Oliver cresceu , o show cresceu, amadureceu. É o que ví comparando as duas Seasons Finales.
    No começo desta temporada, mal poderia esperar que Arrow viesse a ser minha série favorita. Superou todas minhas expectativas.

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