Mente Dilacerada: violência, body horror e picaretices nessa produção de Wes Craven

Mente Dilacerada: violência, body horror e picaretices nessa produção de Wes CravenMente Dilacerada é um filme lançado em 1995 que mistura elementos de ficção científica, ação e um pouco de horror. Ele é estrelado pelo carismático e arroz de festa em matéria de filme B Lance Henriksen, e tem no centro de sua trama um grupo de cientistas que é perseguido por uma criação deles, em um ambiente claustrofóbico e pouco controlado.

A ideia inicial do filme foi de Jonathan Craven, filho do cineasta e mestre do horror Wes Craven. Jonathan sempre esteve na indústria, acompanhando o pai e protagonizando trabalhos, como a direção de videoclipes do Limp Biskit, além de ter escrito e produzido remakes de filmes de seu pai, como A Última Casa e Viagem Maldita. O outro roteirista do longa é Phil Mitleman, um produtor de filmes pequenos.

Esse Mente Dilacerada possui dois nomes em inglês: Mind Ripper, pelo qual é mais conhecido, e The Hills Have Eyes 3, artifício esse que tenta associar ele a uma sequência de Quadrilha dos Sádicos 2.

Seja qual for o nome, nos materiais acessórios e pôsteres não é incomum que a frase acima do próprio título venha escrito em destaque “Wes Craven Presents”, uma vez que ele e Jonathan também assinam a produção desta obra.

O nome de parte 3 causou tanta confusão que em wikis de filmes B há afirmanções veementes de que embora fosse comercializado em algumas áreas como uma sequência do original The Hills Have Eyes (ou Quadrilha dos Sádicos) e The Hills Have Eyes II, nenhum ator, personagem ou cenário o vincula a esses filmes.

Mente Dilacerada: violência, body horror e picaretices nessa produção de Wes Craven

Quase não há elementos em comum, exceto a transformação corporal de um personagem, e o fato dele se passar - em parte - perto de colinas.

A condução fica a cargo de Joe Gayton, conhecido por ter feito o roteiro de De Volta Para o Inferno além do filme de ação Rápida Vingança, e também por ter dirigido Chuva Quente de Verão e Vivendo no Limite. Atualmente é mais lembrado por ser um dos criadores do seriado de sucesso Hell on Wheels (Inferno Sobre Rodas), programa de considerável sucesso, que aborda temas de vingança no Velho Oeste.

O começo do filme é silencioso, com um trio resgatando um sujeito ferido no deserto.

Essa pessoa é levada às pressas, e a preocupação com ela é gigante, uma vez que ele está a beira da morte. A tentativa resgatar o sujeito que teve morte cerebral se dá de maneira rápida, apressada e atrapalhada. Injetam uma seringa, com um vírus experimental ou algo que o valha, esperando que ele retorne a vida.

Depois desse ponto, há um salto de seis meses no futuro, que mostra o grupo de cientistas que além de salvar a pessoa, também está confinada em laboratórios subterrâneos.

A trilha sonora incidental é curiosa, com uma música composta por J. Peter Robinson que tem um tom soturno, que por sua vez, massifica a ideia de que algo está profundamente errado.

O cenário do grupo de soldados parece referenciar o status do clássico de zumbi de George A. Romero lançado em 1985, O Dia dos Mortos. Os militares carecem de liberdade e até de suprimentos, mesmo as frutas que lá estão tem problemas, algumas estão podres e com vermes dentro.

Isso determina algo pontual: os soldados estão largados a própria sorte, nem opinião pública, nem governo e nem patrões cuidam bem das pessoas que estão ali isoladas. O conjunto de personagens também não é desenvolvido, a maioria soldados age de maneira absolutamente genérica.

Em outro ponto, ali perto, mas em condições bem diferentes, aparece o cientista Jim Stockton (Henriksen), que vive em uma casa grande, com sua família. Stockton tem alguns conflitos com seu filho Scott, interpretado por Giovanni Ribisi, em um dos primeiros trabalhos nos cinemas. Também tem uma filha, Wendy (Natasha Gregson Wagner), que namora Mark (Adam Solomon).

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Os "internos" entram em contato com Jim, exigindo que ele venha ver o sobrevivente de seu experimento, já que ele escapou. Isso ajuda a determinar que o que foi feito com o sobrevivente teve supervisão de Jim, deixando no ar que ele foi tratado assim graças as ordens do personagem.

O sujeito que sofreu a experiência, se liberta após ser dado como morto, e passa a matar os que cuidavam de si, um a um. As curvas dramáticas envolvendo Thor (Dan Bloom) lembram a premissa do telefilme Um Frio Corpo sem Alma de Craven, mas seu desenvolvimento é bem diferente, uma vez que após ser acordado, ele parece estar em declínio físico.

O filme possui cenas bastante nojentas, com um gore considerável, como uma em que ratos devoram um olho humano sem motivo aparente. Há também um bom uso de violência gráfica, com Thor sendo mostrado como uma máquina de matar.

A trama se divide em duas, uma parte mostrando a caça nos subterrâneos, e outra exibe os Stockton em terra suspensa esperando sinais dos internos, sem saber que o perigo está perto deles, espreitando.

Apesar da aura trash e do trabalho com cenários lembrar um pouco produções para TV de orçamento baixo, se constrói uma considerável sensação de suspense. Há bastante escatologia envolvendo o experimento que o personagem de Bloom sofreu.

Ele vomita uma substância bizarra, semelhante a um osso, sua boca se expande e revelam órgãos que não parecem serem de um ser humano comum, sua língua estica tal qual uma criatura animalesca inumana, e há bons efeitos no quesito horror corporal.

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Thor expele das costas uma faca que foi enfiada em sua espinha, com uma facilidade tremenda.

Bloom se transforma, ganha olhos amarelados e demoníacos tais quais os dos sith de Star Wars, e sua testa cresce, de forma protuberante e bizarra. Seus cabelos e orelhas caem, vai virando um ser de aparência quase alienígena, e vai se tornando algo bestial aos poucos.

Os efeitos especiais da Image Animation acertam na maioria das vezes em que são exigidos. Dentro dessa equipe se destacam os nomes de Shaune Harrison que trabalhou em Star Wars - Episódio 1: Ameaça Fantasma (1999) e Filhos da Esperança (2008), e Paul Jones de Possuída (2000), Terror em Silent Hill (2006) e Duncan Jarman, que fez Sweeney Todd (2007), Operação Overlord (2018) e se tornou especialista em trabalhos com Leonardo DiCaprio, inclusive em J.Edgar e O Regresso.

Resta claro algumas subtramas banais e sentimentais, sobre a separação dos pais de Wendy e Scott, além do namorado da moça, que parece avançado demais aos olhos de seus pais. Essas conversas servem para chamar a atenção de uma parcela do público, especialmente os que não gostam de filmes B, mas carecem de um mínimo trabalho dramático, já que o roteiro é bem básico.

O confronto de Thor com os Stockton finalmente ocorre, e se encaminha rapidamente. O filme carece de um ritmo crescente, os fatos se avolumam bem abruptamente e parecem confusos em sua progressão.

Scott dá um choque, com uma carga elétrica no apêndice que sai da boca do monstro, fato que faz a sequência soar bastante bizarra. Ele retorna e Scott corta esse mesmo apêndice com um caco de vidro. Como Thor parece ter super força e grande resistência, soa um pouco incongruente que ele tenha sido ferido dessa forma.

Como o filme fica no limbo entre se levar a sério e entre ser uma paródia de filme de ação, essa luta estranha cabe bem, não causa tanto furor. Tem sangue em demasia e muita diversão para o fã do cinema especulativo.

Mente Dilacerada é uma autentica peça do cinema trash, tem uma boa dose de diversão, seus personagens são genéricos, o drama é tolo, há muito diálogo expositivo e óbvio, e tudo isso é compensado pelo fato de ter um monstro praticamente imortal e divertido demais.

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