Review: Arrow S05E02 - The Recruits

Na segunda semana desta temporada de Arrow, o espectador é apresentado a um episódio que consegue a "proeza" de ficar entre o direto e o inchado. Focado no começo do treinamento do novo Time Arqueiro, The Recruits conta com uma trama simples: enquanto Oliver tenta fazer algo relevante para os menos afortunados de Star City, o Arqueiro Verde tenta criar uma nova equipe de vigilantes a partir de novatos indisciplinados. Não há segredo em extrair dessa premissa algo empolgante e focado em apresentar novos personagens, mas o roteiro de Beth Schwartz e Speed Weed consegue se perder em meio a um amontoado de subtramas.

O maior problema em The Recruits está na falta de foco do roteiro, mas a direção de James Bamford (que repete os erros do episódio anterior) não ajuda em nada. Não é segredo que o profissional se sai bem nas cenas de ação, mas esse nunca foi o problema de Arrow. Nestes primeiros momentos da temporada, o mais indicado seria focar na história e nos conflitos de cada personagem novo, algo que Bamford não está apto a fazer, principalmente quando o roteiro sai dos trilhos.

Quem é o Cão Raivoso? O que o motiva? E Evelyn Sharp? O que fez no espaço entre temporadas para garantir seu lugar nessa nova equipe de justiceiros? Será que os produtores esqueceram o trabalho desenvolvido no começo da série com Diggle e Felicity? E logo depois com Roy? Se o fã sente a falta deles na equipe de Oliver é porque se importava com seus dilemas desde o início. E o grupo era formado por personagens carismáticos. O roteiro, no entanto, não se ocupa em dar qualquer substância para aqueles que deseja introduzir como os novos heróis do programa.

Somada a essa falta de interesse em apresentar os coadjuvantes, está a deslocada subtrama envolvendo os dias de militar de John Diggle. É algo tão fora de tom com o restante do episódio que soa como os flashbacks da temporada anterior. Aliás, já citando a trama do passado, a iniciação de Oliver na máfia russa cria bons paralelos com os acontecimentos do presente, mas parece caminhar de forma lenta. Quanto tempo resta para que se torne desinteressante ainda é uma incógnita. A boa notícia é que Dolph Lundgren não deve demorar a aparecer, o que pode trazer certo impacto para esses flashbacks.

Sim, a quinta temporada de Arrow se dá bem ao simplificar a história, sem grandes floreios envolvendo magia e vilões exagerados. O retorno a algo mais pé no chão traz a sensação de uma série urbana, que havia se perdido nos anos anteriores. O vilão cujo interesse é dinheiro é uma boa ideia, uma vez que o seriado traz seu protagonista no comando político de uma cidade. Nesse sentido, o episódio poderia ser muito mais enxuto. Mas, acompanhar apenas o treinamento da nova equipe, sem dar aos novos membros qualquer peso dramático não basta para garantir o interesse do público. E desviar a atenção para subplots que sequer tiveram tempo para uma apresentação não ajuda em nada o ritmo. Pelo foco na ação, a direção de Bamford é fria, sem sentimento para com aqueles personagens.

No fim, apenas um dos novos justiceiros ganha certo destaque. O Retalho (Joe Dinicol) tem um arco dramático, mas precisa dividir o tempo com muita "gordura" do texto para conseguir tirar do público alguma reação. Visualmente o personagem é interessante e muito bem desenvolvido nas sequências em que aparece. Mas ainda falta algo. Há uma desconexão dele com os outros novos integrantes que soa um tanto forçada.

E por falar em desconexão, o que dizer da trama ignorar completamente o destino do policial no episódio anterior? O cliffhanger passado não deu fruto algum e foi praticamente repetido ao final deste The Recruits, agora envolvendo Tobias Church.

Enfim, Arrow, apesar de tentar bastante, não dá indícios de que terá os erros do passado corrigidos na nova temporada. A perspectiva de que poderia, ao menos, encerrar um ciclo no quinto ano se torna cada vez mais distante, com esse início de cheio de potencial, mas com um comando e textos tão aborrecidos.

Alexandre Luiz

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