Re-Animator Fase Terminal, o infame fim da trilogia (até agora)

Menos conhecido dentro da saga de Herbert West, Re-Animator Fase Terminal tem um inicio semelhante ao primeiro capítulo da saga, Re-Animator: A Hora dos Mortos Vivos, com uma cena de introdução que não está ligada tão diretamente ao plot central, com uma criança ataca sua babá com as mesmíssimas características dos mortos revividos do doutor West.

Este terceiro capítulo se dá quase todo dentro de uma penitenciária, que encerra o personagem de Jeffrey Combs, que cumpre pena após os eventos dos longas anteriores. Antes até de adentrar na história que o diretor Brian Yuzna propõe, se percebe que os reanimados seguem atendendo somente a estímulos básicos, e dentro do cárcere, o doutor resolve tentar evoluir seus estudos, a fim de gerar nos revividos, estímulos de razão e pensamento complexo.

Essa por si só é uma boa forma de expandir a mitologia dos contos de H.P. Lovecraft, já que sempre foi um dos motivos que movia o cientista no original, além de ser um diferencial, uma vez que sequências de sucessos do horror normalmente são bem derivativas.

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O garoto que sobrevive a cena de introdução cresce, se passam 13 anos e ele atende como Howard Phillips interpretado por Jason Barry, ator irlandês conhecido por pequenas aparições em filmes como Titanic e O Último Samurai.

O contato ainda que indireto de Howard com o soro faz ele se tornar obcecado pelo elemento, não só por conta das curiosidades científicas mas também pela experiência pessoal estranha.

Como doutor, ele se prontifica a ir até a prisão onde Herbert está, movido primeiro pela vingança, mas ao ter contato com o cientista louco, ele muda de postura.

Essa mudança não é à toa, afinal, o personagem de Combs é estranha e extremamente sedutor.

Não se faz muita força de convencimento a Phillips, a lábia de West é quase mágica, tanto que faz o novo personagem vestir a máscara do antigo companheiro de Herbert, o dr. Dan Cain, e passa a ajudá-lo movido também por uma paixão por uma figura feminina, a repórter Laura Olney, interpretada pela bela Elsa Pataky que anos depois entraria para a franquia Velozes e Furiosos.

Essa personagem também despertaria a atenção do vilão da vez, o diretor Warden Brando (Simón Andreu), que é basicamente uma cópia do Dr. Hill de David Gale, com comportamentos ainda mais autoritários, e que se tornaria um zumbi ainda mais grotesco que o primeiro vilão, mas claramente, não tinha o mesmo brilho do original.

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Até então, Herbert fazia experimento apenas com animais, limitado pela prisão, que o fez ter uma involução em seu trabalho de aprimorar o elixir. Essa é uma clara alusão a Renfeld, personagem do romance Drácula, escrito por Bram Stoker, aumentando o leque de referências que Yuzna faz, que já havia obviamente imitando Frankenstein, O Prometeu Moderno  da autora Mary Shelley.

Yuzna utiliza bem o seu cenário de prisão/manicômio, sendo esse basicamente o único ambiente onde a trama ocorre e acaba resultando em um lugar assustador, tanto pela claustrofobia que acompanha qualquer cárcere, quanto pela presença de personagens de moral suja, tanto entre os residentes quanto com os policiais e agentes penitenciários.

Nesse universo, não há gente de caráter razoável ou boa índole, mesmo Phillips e a repórter Laura Olney se valem de suas reputações (e boas aparências) para ludibriar e para ter acesso a áreas secretas da prisão.

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A prisão é um personagem, claramente. É como se o lugar influenciasse na moral e ética das pessoas, corrompendo-as, embora não se perceba claramente se é o lugar que influencia isso ou se esse mundo já é sujo por si só, tendo essa última alternativa a anuência do primeiro filme e principalmente, A Noiva do Re-Animator como precedente para apontar que esse universo é errático em essência, dada as profanações de túmulos e cadáveres.

Como é comum em sua filmografia, Yuzna faz uma obra apelativa, que piora e muito a exploração de sensualidade e nudez. Uma boa demonstração disso é a caracterização da enfermeira Vanessa (Raquel Gribbler), uma moça bela e que só está lá para atrair os olhares masculinos, cuja roupa é tão justa que faz o contorno da roupa de baixo dela aparecer inúmeras vezes.

Sequer houve um esforço para disfarçar a incapacidade da moça em manejar uma seringa ou bisturi, jogando a suspensão de descrença para longe.

Sua morte também é bem gráfica, e termina com uma nudez parcial, obviamente. É o velho apelo típico dos filmes de terror da época, sem qualquer função narrativa, claro. Ao menos é bem violento este momento, fato que destaca o melhor do filme.

Esses efeitos são o maior mérito do filme. A arte assinada por Screaming Mad George reafirma a parceria dele com o diretor, com quem havia feito Sociedade dos Amigos do Diabo, A Noiva do Re-Animator e Natal Sangrento 4: A Iniciação.

O gore aqui vai além do simples "normal", sendo sanguinolento, com dezenas de amputação de membros e variações monstruosas de corpos, cadáveres e revividos, com um destaque especial as combinações de trechos corporais que se movem por ação do soro reanimador.

Há muitas cenas de contorcionismo, incômodos a quem assiste, e uma exploração de body horror que envolve até conotações sexuais, que por sua vez, beiram a imoralidade.

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O auge disso é próximo do final, quando o vilão tem seu pênis arrancado em uma cena de sexo oral, para logo depois ver seu membro sendo devorado por um rato revivido.

É fato que Re-Animator: Fase Terminal não possui um roteiro elaborado, já que remenda o que restou dos outros filmes, mas isso é compensado pela icônica aparição de Combs, que parece de fato ter nascido para viver Herbet West, além de possuir um cenário desolador, repleto de gente tão péssimas de caráter quanto o anti-herói, servindo basicamente como vítimas da lábia e da capacidade de convencimento dele. Resulta enfim numa peça trash subestimada, menos aclamada do que deveria mesmo pelos fãs de filme b.

 

 

 

 

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